Veja bem, meu bem.

Pessoas mudam. Eu chego calmamente a tal conclusão, entre um suspiro e outro, ao observar do geral para o particular, ou vice versa, mas sinto um aperto especial no peito que me mantém acordada durante essa madrugada. Por que as mudanças não podem permanecer nas adjacências da essência de cada um? Por que alguns tem a incrível capacidade de ir da água para o vinho, da vodka para o suco de uva e do preto para o branco? Isso dói. A dor não tem a ver com o egoísmo de estar em um comodismo na relação, mas com a decepção que a imprevisibilidade nos traz quando nos frustramos com as atitudes, o novo perfume vulgar, as necessidades – agora pessoais- que antes eram tão criticadas em terceiros. Somos metamorfoses ambulantes, mas me retiro da nuvem que é conduzida para um céu cujo a textura é seca e nada parecida com a que nos cobre diariamente. Prefiro voar, livre, do que estar cega pela falsa regra de que toda mudança é intensa o suficiente para ser negativa. 

Passos curtos, passos longos, isso não importa, mas o tal ritmo é primordial. Minha dica, mais honesta e boba possível, é que vocês fechem seus olhos e sintam. Mudem! Sim! A vida é feita para isso. Entretanto, com os olhos fechados, sintam as batidas de seus corações. Estão capturando o ritmo ditado durante a leitura? Calmo, quase sábio, exatamente o que nós precisamos. Ele é o parâmetro para transformações a partir de hoje, então, atentem e sejam caprichosos em suas vistas. Água para o vinho em dois minutos? Desde quando isso vale a pena? Mesmo que você seja a pior pessoa do mundo, o sentido da vida não está em ser a melhor, e sim aproveitar todos os segundos durante sua transformação. É nela que você vai conhecer pessoas maravilhosas, ter madrugadas e navegar dentro da experiência que é estar vivo exatamente pelo fato de pensar. A vida só vai valer a pena se você souber a diferença entre alguém que curta cada segundo e alguém que corta cada segundo. A humilde dica é: não tem nada a ver com letras.

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Depois disso, até me deu vontade de fazer de novo o Enem. Enem que a vaca tussa.

Não somos perfeitos. Vivemos de dias ruins e outros, em que a felicidade – os tais dos suspiros e sorrisos – surge e não cessa. Meu grande defeito é querer ficar leve, livre e solta sempre, desconsiderando, com isso, que sou humana e mereço meus momentos mais difíceis. Mereço ficar de mal com o mundo e não me julgar internamente por isso. Mereço ter um lado feio e não ignorá-lo. Esse século e seus “avanços” fizeram uma baita maldade com a gente, perceba, porque nos acostumamos a pensar que essas cores mais escuras e densas são somente nossas e por isso causam tanta estranheza.

Afinal, o que nós vemos em todas as aparições virtuais de nossos conhecidos? Amarelo, rosa, vermelho, roxo… O verde musgo não aparece nem que a vaca tussa. Até mesmo o catarro da vaca é um lilás bem feliz. A realidade não é essa, meu caro. E me soa até bobeira ter que comentar, mas tanta gente parece realmente não saber que sinto-me confusa. Até quando nos esqueceremos que somos únicos, sim, mas não tanto? Há um grande conjunto interseção, lá estão todas as cores dispostas das mais variadas formas. Existe, sem dúvida, uma cópia até mesmo daquele seu lápis prateado-triangular-maravilhoso-com-borracha-na-ponta.

Sendo assim, vim atestar que não sou perfeita e me lembrar disso. Deixo as roupas jogadas pelo quarto, grito com as pessoas erradas e sinto um mau humor terrível quando fico inquieta. Toco violão mesmo sabendo que o vizinho pode reclamar, não suporto a prisão em que me noto as vezes e sei que sou culpada por todos os pensamentos negativos que minha membrana mental deixa passar. Meu verde musgo me faz imperfeita, mas eu juro que tento melhorar. Juro que tento reservar esses dias para os de estresse mais profundo. Tento sentir-me dessa forma apenas quando é isso ou um buraco ainda mais embaixo.

Sim, porque mesmo sendo da nossa natureza, a vida é tão curta que acaba sendo uma desvantagem deixar o arco íris ficar tão escuro. A claridade te faz enxergar melhor, então, as cores mais suaves te ajudam a ver detalhes que o musgo jamais te permitiria. Queira ver os detalhes. Não tem a mínima graça passar e não perceber os sorrisos, os olhares e as gentilezas. Não tem a mínima graça não ouvir as risadas mais sinceras e os suspiros inesperados.

Faz parte de não ser perfeita o tal do “tentar melhorar”. É impossível chegar lá, mas por que não tentar o seu máximo? A vida é como uma prova do ENEM. Acerte tudo e não tirará mil, mas que beleza é essa de gabaritar, hein? Atesto então, que hoje foi um dia complicado. O musgo ganhou, mas já começo sentir a claridade da nova manhã – junto com um rosa bebê e um amarelo girassol – me mostrando que pelo menos um texto novo eu já fiz. Um detalhe por passo, um passo por vez,  não só dessa vez.