Hapiness.

Certos pensamentos nos tiram o fôlego. Certos sentimentos nos tiram o chão. Certas lembranças nos tornam mais fortes. Certas atitudes nos arrancam experiências. Certas felicidades soam tristezas. Certas tristezas imitam felicidades. Certos olhares nos acrescentam uma vida. Certos personagens nos tornam reais. Certas despedidas nos transformam. Certos desconhecidos nos fazem existir. Certas palavras nos fazem invisíveis. Certas músicas zombam de medos. Certos enredos consomem narradores. Certas inseguranças são verdadeiros impedimentos. Certos erros nos fazem pessoas melhores. Certas estradas mudam nossas casas. Certos pensamentos destroem nossa alma.  Certas pessoas são mais vivas do que outras. Certas danças iluminam os bailes. Certas decisões são muralhas entre o que foi e o que será. Certos românticos ressuscitam o mundo. Certos frígidos mantém a lucidez social. E que os Beatles me perdoem, mas certos “help!” precisam ser respondidos com o velho “let it be”, afinal… “Here comes the sun”.

Certos… Certas… Errados… Erradas… Livres.

E se eu fosse de fato forte, não teria escrito nada disso, não teria refletido, não teria visto o sol me acolher tão docemente. Certos dias, como esse, nos fazem notar como a fraqueza não é tão ruim assim e há muito o que aprender sobre o “estar vulnerável”.

Auto retrato.

Ah, falar sobre ela? Eu posso… Tentar.

Cabelo curto, dois olhos, uma boca e um gosto especial pelo verbo “caminhar”. Sentia-se, quase, uma personagem da Jane Austen, mas não tinha uma mãe esbaforida e muitas irmãs. Por sinal, tinha um carinho especial por sua genitora, que era sua melhor amiga, e uma vontade de nunca sair de perto de sua amiga de sangue, com quem compartilhava de uma compreensão maior do que sua própria vida.
Não conseguia andar pelas ruas de seu bairro sem tentar se equilibrar sobre os canteiros vizinhos e não chamava muita atenção nesse aspecto, era apenas uma menina. Suas amigas, por outro lado, vestiam-se como mulheres e agiam como tal. É interessante ser uma observadora dessas transformações, mas ao mesmo tempo um tremendo desconforto, pois sentia-se atrasada e desigual. Estar no meio da multidão camuflada é dez vezes melhor, já dizia um sábio desconhecido, mas nesse caso ela era a garota que estética e emocionalmente não tinha passado pela metamorfose do amadurecimento. Continuava com os vestidos de cores claras, as tranças, os comentários indevidos e a transparência fluida no olhar. Não sabia conter sentimentos, muito menos frases. Por que, afinal, jogar e falar por enigmas? Nada, aos seus olhos, era mais fascinante do que a verdade. Além de, sinceramente, não gostar de perder tempo. Um frio característico habitava seu estômago cada vez que dentro dessas análises tinha medo de nunca mudar.
Tinha uma feição comum, era magra e cantava na frente do espelho. Era feliz. Mesmo triste, preocupada, ansiosa, ela era feliz. Seu pai a ensinou, dentro dos incansáveis e carinhosos sermãos, o quão importantes eram os sonhos pessoais e, sem nem perceber, ela acabara por pegar o gosto de viver nesse ritmo aéreo. De nuvem em nuvem, suas maiores aspirações estavam estampadas em sua alma. Salvar o mundo, viver um grande amor, conseguir ser mais organizada. Entretanto, nem só de desafios vive uma pessoa, então ela passava boa parte do tempo aproveitando a única parte da vida que fazia sentido aos seus sentidos: os relacionamentos. Seja com sua família, seus amigos, seus romeus… Seus dias eram preenchidos de risadas, dramas, preocupações. Por que seria de outra forma? Não se preocupava com o amanhã mais do que com o hoje e adorava dançar, escondendo sua timidez no silêncio da solidão de seu quarto. Ela era livre. Se a liberdade existisse de fato ou fosse o tal mito mais cruel do mundo, no fundo não importava. Ela tinha algo que se parecia o suficiente e compensava qualquer questão. Nossa personagem era cheia de erros, não se engane. Sarcástica, meio chata, implicante e sincera, pode existir combinação mais insuportável? As pessoas que passaram direto por ela dizem que não, mas os que ficaram… Ah! Esses tem consigo os segredos que fazem sua companhia tão querida. Particularmente, era só a protagonista de uma vida que tinha como objetivo alcançar a famosa paz interior, que seria a cura para aceitar pelo menos seus defeitos mais amenos, como não ter a mínima noção de ritmo.
Em uma última ressalva, gostava de comer batata frita e ficar horas vendo filmes com direito a comentários engraçados, sérios, dramáticos e sinceros. Não gostava de ficar calada, isso era um fato. Entretanto, com o tempo e com as observações, havia aprendido que essa qualidade, ou vinha no DNA, ou teria que ser acoplada a ele durante a vida. Tatuaria, se pudesse, “equilíbrio” em algum lugar de seu corpo, como lembrete e lema de vida. Não acreditava em “voltas”, aquele pensamento de que se não serve hoje, pode servir amanhã. Todavia, nutria uma admiração pelo que demora a acontecer, leva um tempo para ficar pronto, o velho “ficar na geladeira”. Aprendera com a experiência a se desvincular do passado, mas ganhara um apego especial por seu ipod e sua playlist. Ela gostava de outras dimensões, onde somente a sua mente comandava o que era e não era verossímil. Tinha um caderno, especial, e um sorriso verdadeiro, apesar de seu espírito crítico e firme. Queria ter um coração cada vez maior, pois no mundo haviam cada vez mais desabrigados. Era livre, feliz e sonhadora, mas tinha um segredo. Se o coração está onde é a sua casa, ela não tinha a menor ideia de onde morava. Ah! Fã de U2.

Texto feito por uma das pessoas que eu mais amo no mundo inteiro. Não é a toa que escreve bem, é lindo e gaúcho.

Existem pessoas que entram na sua vida por acaso, você não se sente pronto pra elas, não esperava conhecer alguém tão incrível, e aí você não sabe como agir, ou o que falar. Essas pessoas não esperam você assimilá-las, elas chegam com todas as armas que tem, sem rodeios, são diretas e infalíveis. Em um dia você sabia exatamente o que estava fazendo, e no outro se esquecera de tudo que fazia sentido, se sentia perdido. Existem pessoas que entram na sua vida exatamente no momento em que você está propício a se apaixonar. Claro que você finge ter controle sob a situação, mas já não comanda suas ações, e sua única vontade é passar a maior parte do tempo possível, com esse alguém. Seus gostos batem, seus olhos não se desgrudam, seus sorrisos tem uma sincronia perfeita, seus dias juntos passam em uma ou duas horas. É tudo tão rápido. Rápido começa, mais rápido ainda se esvai. Existem pessoas que entram na sua vida pra te acordar. Lhe dar um tapa na cara e gritar: “Ei, você está vivo, mexa-se”. Elas mostram um mundo novo, um jeito diferente de seguir em frente, mostram beleza na simplicidade. São apaixonantes e é inevitável se apaixonar. Algumas dessas pessoas tem prazo de validade, quero dizer… Não são objetos, mas em algum momento elas deixarão de ser únicas. O que as diferencia, some. E não há um culpado nisso tudo. Elas chegam tão cheias de vida e, não por querer, lhe conquistam, e você, pego desprevinido, num momento errado, acha que não há no mundo alguém tão perfeito. Escolhe esquecer quantas vezes já pensou exatamente o mesmo, de outras pessoas. Onde seus olhares se cruzaram e houve um momento de clareza, agora não há mais nada. Vocês discordam demais, porque se conhecem mais, e grande parte dos sorrisos entre as conversas, são individuais. É difícil entender isso tudo, a primeira coisa que vem à cabeça é relutar, e acreditar numa reviravolta. Nunca será fácil perder algo que brilhou um dia, por mais que esteja sem cor agora. Mas você perde, e supera, não é tão difícil tendo em vista que pode nem ter sido real. Essa gente entra sem bater, se senta no sofá, coloca os pés na mesinha da sala, e diz que “A” agora tem som de “B”. Toma a sua cerveja, e quando você vai pegar outra, ela já se foi. Repito, não há um culpado. Ela é do jeito que é, você é do jeito que é, afinal, ninguém mudou ninguém nesses minutos de conversa. Mas veja só, você se pega usando uma das frases dela, de repente. Não é incrível? Alguém fazer diferença em tão pouco tempo, deixar lembranças. Um conselho: Se você conhecer uma dessas pessoas, acomode-se e curta a viagem, relaxe, e preste atenção em cada detalhe. E quando chegar a hora de deixá-las ir, deixe. Esse tipo de pessoa tem um mundo inteiro pra encantar, não as atrase. Sendo uma dessas pessoas ou não, lembre-se do que foi bom, e acorde.

Depois disso, até me deu vontade de fazer de novo o Enem. Enem que a vaca tussa.

Não somos perfeitos. Vivemos de dias ruins e outros, em que a felicidade – os tais dos suspiros e sorrisos – surge e não cessa. Meu grande defeito é querer ficar leve, livre e solta sempre, desconsiderando, com isso, que sou humana e mereço meus momentos mais difíceis. Mereço ficar de mal com o mundo e não me julgar internamente por isso. Mereço ter um lado feio e não ignorá-lo. Esse século e seus “avanços” fizeram uma baita maldade com a gente, perceba, porque nos acostumamos a pensar que essas cores mais escuras e densas são somente nossas e por isso causam tanta estranheza.

Afinal, o que nós vemos em todas as aparições virtuais de nossos conhecidos? Amarelo, rosa, vermelho, roxo… O verde musgo não aparece nem que a vaca tussa. Até mesmo o catarro da vaca é um lilás bem feliz. A realidade não é essa, meu caro. E me soa até bobeira ter que comentar, mas tanta gente parece realmente não saber que sinto-me confusa. Até quando nos esqueceremos que somos únicos, sim, mas não tanto? Há um grande conjunto interseção, lá estão todas as cores dispostas das mais variadas formas. Existe, sem dúvida, uma cópia até mesmo daquele seu lápis prateado-triangular-maravilhoso-com-borracha-na-ponta.

Sendo assim, vim atestar que não sou perfeita e me lembrar disso. Deixo as roupas jogadas pelo quarto, grito com as pessoas erradas e sinto um mau humor terrível quando fico inquieta. Toco violão mesmo sabendo que o vizinho pode reclamar, não suporto a prisão em que me noto as vezes e sei que sou culpada por todos os pensamentos negativos que minha membrana mental deixa passar. Meu verde musgo me faz imperfeita, mas eu juro que tento melhorar. Juro que tento reservar esses dias para os de estresse mais profundo. Tento sentir-me dessa forma apenas quando é isso ou um buraco ainda mais embaixo.

Sim, porque mesmo sendo da nossa natureza, a vida é tão curta que acaba sendo uma desvantagem deixar o arco íris ficar tão escuro. A claridade te faz enxergar melhor, então, as cores mais suaves te ajudam a ver detalhes que o musgo jamais te permitiria. Queira ver os detalhes. Não tem a mínima graça passar e não perceber os sorrisos, os olhares e as gentilezas. Não tem a mínima graça não ouvir as risadas mais sinceras e os suspiros inesperados.

Faz parte de não ser perfeita o tal do “tentar melhorar”. É impossível chegar lá, mas por que não tentar o seu máximo? A vida é como uma prova do ENEM. Acerte tudo e não tirará mil, mas que beleza é essa de gabaritar, hein? Atesto então, que hoje foi um dia complicado. O musgo ganhou, mas já começo sentir a claridade da nova manhã – junto com um rosa bebê e um amarelo girassol – me mostrando que pelo menos um texto novo eu já fiz. Um detalhe por passo, um passo por vez,  não só dessa vez.