Referencial.

A vida passa correndo. Nós passamos correndo uns pelos outros. O ônibus corre pelas ruas e tudo, absolutamente tudo, depende de um bom referencial. O meu tem sido muito mais introspectivo do que eu gostaria, tenho medo de me tornar chata ou sentimental, mas a vontade de ficar mais reservada me mantém sã e salva. É como se eu fosse a mesma, sem tirar nem por, mas ao mesmo tempo estivesse completamente diferente. Como superar um fim e enfrentar um novo começo?
Acho que, acima de tudo, tendo fé. Se algo acabou, este final teve uma razão. Seja uma fase, uma personalidade, um relacionamento, um amor unilateral. Não há nada que possamos fazer, essa sensação virá de vez em sempre. A vida é um ciclo. Lembro de duas ou mais aulas de filosofia, história, literatura que poderiam se encaixar perfeitamente nos créditos por eu me sentir tão forte em todas as convicções que escrevo tão mediocremente. Sou só uma jovem adulta, ou um projeto de ser humano, que sonha e quer muito mais do que o lado objetivo de um momento.
Entretanto, exatamente por isso, escrevo com propriedade quando digo que apesar de não podermos fazer nada, ao identificarmo-nos nessa situação(o querido novo começo e o temido fim) podemos decidir encará-la da melhor forma possível. Ninguém aqui está dizendo que será fácil, adianto que é uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. Não fugir quando se sente tão pronta para voar sozinha é um desafio. Só que uma das coisas mais sinceras que eu posso dizer é que cheguei a conclusão que o tal do crescer não é algo tão contraditório assim. A síndrome de Peter Pan vem do sentimentalismo, mas no fundo nós nos sentimos prontos e sedentos por novas experiências. Nós queremos sair do ninho assim como ele próprio já está ficando pequeno para o tamanho dos nossos sonhos e desejos. Mesmo que seja tão querido, quentinho, conhecido, nada é forte o suficiente para o tornar ideal. E de fato, não é para ser. A vida é um ciclo onde nós crescemos e temos a necessidade de procurar outro. O medo vem, mas ele no final das contas dificilmente é maior do que a curiosidade. Pelo menos aos meus olhos, é assustador pensar que eu estou sendo tratada como alguém que pode escolher tudo que vai por no prato no self service, mas é divertido poder traçar meus planos conforme a minha plena vontade. E por mais que reclamemos, basta um corte de liberdade que a revolta aflora. Nós nascemos para ser livres e a partir do momento que estamos prontos para isso, nada é tão forte que vença essa sina. A beleza da liberdade é a luz. Você pode decidir tratá-la feito o sol e voar iluminado por ela, ou ser um daqueles bichinhos irritantes e burros viciados nas lâmpadas. O primeiro é sublime, o outro só te dá dor de cabeça no verão. O primeiro prova da luz e a transforma em algo bom para a sua sobrevivência, o outro passa a sua vida inteira tentando alcançá-la e acaba morrendo no final(quando descobre que ela é falsa e no fundo nunca valeu a pena). Creio que apesar do medo, optei pela única coisa que faz sentido nessa vida.
Bom, como eu disse… Tudo depende de um bom referencial.