Shake it out!

Sobre ser forte.

Eu sei como é querer fugir de todas as responsabilidades e expectativas alheias, mas nunca achei que isso pudesse ser tão forte como realmente é. Nós, mulheres, temos a triste mania de apelidar tudo de TPM… Só que isso é uma verdadeira ingenuidade. A simples poluição sonora já causa estresse e dificuldade de lidar com situações difíceis, imagina as outras milhões de coisas facilmente acrescentadas? A questão é que temos que parar de achar que as coisas são o que são. Parece TPM? A chance de não ser é enorme. Sim, é difícil catar motivos… Mas, sem isso eu não teria chegado aqui.
Se eu ousasse culpar somente os hormônios por estar chata, estressada e com uma crise enorme para lidar com esse mundo retratado como inseguro e cruel, eu não estaria mais respirando. Teria explodido, juro. É como se você cortasse o fio errado, porque ao invés de buscar uma solução, eu apenas esperaria. O que resolve TPM? Chocolate? Mito no meu caso, já que sou toda ruim do estômago.
Entretanto, parei para pensar e visualizei minha situação no contexto geral. Desenhei mentalmente o que poderia estar me sugando, me tirando todas as forças e deu certo. Entendi que, de todos os problemas, o possível estresse feminino era o menorzinho.
As expectativas alheias, e até mesmo as pessoais, que se colocavam sobre mim há uns dias atrás e que ainda se encontram em meu pescoço, inegavelmente tem um peso significativo no fato de ser difícil lidar com passar um dia inteiro simplesmente sendo leve do jeito que manda o tutorial. Ao contrário, é pesado, eu dificilmente fico em um mesmo ambiente mais de algumas horinhas e minha mente está sempre agitada. Só uma ou duas pessoas tem conseguido me dar paz. Você sabe o que é isso? Falta de paz… Isso geralmente dá aquela agonia que te faz responder feio alguém que você ama e que só cometeu o deslize de falar qualquer coisa enquanto você estava no meio de um raciocínio.
Agora, outro ponto importante. As preocupações que plantamos e colhemos, todos os dias, sem nem perceber. Talvez seja sua mania de ser controladora, talvez seja amor em excesso, talvez seja essa dupla. Eu tenho medo, medo por todos que eu amo, e talvez expresse isso resmungando ou tentando deixar tudo perfeitamente esclarecido com sinceridades que vão além do necessário. Me afasto, ou me mantenho perto até demais, nos dois pontos nota-se um esforço forçado, mas não em um sentido pejorativo e sim me fazendo cair na real. Se tem um esforço anormal, você precisa notar se está incomodando, se está exagerando, se está piorando as coisas. Pois sim, a humanidade se baseia na comunicação. Aliás, do jeito que as coisas estão ruins eu diria que é na falta de comunicação. Então, quando eu explodo com a pessoa errada, caio no choro, sinto meu estômago ficar comprimido, perco noites de sono acordada com insônia, durmo nas aulas porque lá estou longe das possíveis preocupações e dos alvos, isso tudo só mostra como não tem absolutamente nada a ver com hormônios e sim com falta de esperança. Ou também com a síndrome de super herói. Se eu não salvar, se eu não ajudar, se eu não encontrar alguma forma, tudo que já está ruim, vai dar mais errado. Você sabe o que é isso? Bem vindo ao clube.
Eu poderia citar também como os jornais, as revistas e as próprias pessoas costumam desesperar todos retratando o mundo da pior maneira possível. Isso é um saco! Se você faz isso, PARA! Sério, uma mulher sentou do meu lado no médico e só sabia falar “A vida é muito dura, muito difícil. Ah, como eu não gosto de viver”. Ok, você pode até ter motivos, mas se decidiu estacionar nessa mentalidade, NÃO contamine os outros! Não se sinta no poder de espalhar esse vírus, não busque pena, pois você a encontrará e atormentará pessoas como eu. Fiquei dias pensando, inconscientemente, como eu queria ajudar aquela moça ou fazer com que ninguém que eu conheça seja daquele jeito, chegue naquele estado.
Como meu pai fala e repete: a vida é bela. Não adianta, tem muita coisa ruim, tem momentos difíceis, mas a vida é bela. A vida, sozinha, nua e crua, é bela. Sendo realista, quando você entra no jogo a possibilidade de ser feliz é 50%. Entretanto, também tem os outros 50% que só existem porque o ser humano é muito besta. Se você é infeliz, controlador, super preocupado, incapaz de lidar com expectativas, a culpa é toda sua. Você não nasceu assim, se transformou nisso. Porque a falta de fé na felicidade está aí dentro, a ansiedade que justifica muitas coisas está aí dentro, a própria máquina de expectativas também está por aí. Então, ou quebre tudo e se refaça, ou empurre isso para o quarto jamais tocado, lide com isso em um dia mais vago, mas viva. Uma vez que não enxergará mais tanto entulho dentro de ti, encha de coisas melhores, de coisas mais leves. Um ambiente limpo e simples, um ambiente novo. Deixo então, uma das minhas músicas prediletas.

It’s hard to dance with a devil on your back,
So shake him off.
And I am done with my graceless heart,
So tonight I’m gonna cut it out and then restart,
‘Cause I like to keep my issues strong,
It’s always darkest before the dawn.

Shake it out, folks.

Referencial.

A vida passa correndo. Nós passamos correndo uns pelos outros. O ônibus corre pelas ruas e tudo, absolutamente tudo, depende de um bom referencial. O meu tem sido muito mais introspectivo do que eu gostaria, tenho medo de me tornar chata ou sentimental, mas a vontade de ficar mais reservada me mantém sã e salva. É como se eu fosse a mesma, sem tirar nem por, mas ao mesmo tempo estivesse completamente diferente. Como superar um fim e enfrentar um novo começo?
Acho que, acima de tudo, tendo fé. Se algo acabou, este final teve uma razão. Seja uma fase, uma personalidade, um relacionamento, um amor unilateral. Não há nada que possamos fazer, essa sensação virá de vez em sempre. A vida é um ciclo. Lembro de duas ou mais aulas de filosofia, história, literatura que poderiam se encaixar perfeitamente nos créditos por eu me sentir tão forte em todas as convicções que escrevo tão mediocremente. Sou só uma jovem adulta, ou um projeto de ser humano, que sonha e quer muito mais do que o lado objetivo de um momento.
Entretanto, exatamente por isso, escrevo com propriedade quando digo que apesar de não podermos fazer nada, ao identificarmo-nos nessa situação(o querido novo começo e o temido fim) podemos decidir encará-la da melhor forma possível. Ninguém aqui está dizendo que será fácil, adianto que é uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. Não fugir quando se sente tão pronta para voar sozinha é um desafio. Só que uma das coisas mais sinceras que eu posso dizer é que cheguei a conclusão que o tal do crescer não é algo tão contraditório assim. A síndrome de Peter Pan vem do sentimentalismo, mas no fundo nós nos sentimos prontos e sedentos por novas experiências. Nós queremos sair do ninho assim como ele próprio já está ficando pequeno para o tamanho dos nossos sonhos e desejos. Mesmo que seja tão querido, quentinho, conhecido, nada é forte o suficiente para o tornar ideal. E de fato, não é para ser. A vida é um ciclo onde nós crescemos e temos a necessidade de procurar outro. O medo vem, mas ele no final das contas dificilmente é maior do que a curiosidade. Pelo menos aos meus olhos, é assustador pensar que eu estou sendo tratada como alguém que pode escolher tudo que vai por no prato no self service, mas é divertido poder traçar meus planos conforme a minha plena vontade. E por mais que reclamemos, basta um corte de liberdade que a revolta aflora. Nós nascemos para ser livres e a partir do momento que estamos prontos para isso, nada é tão forte que vença essa sina. A beleza da liberdade é a luz. Você pode decidir tratá-la feito o sol e voar iluminado por ela, ou ser um daqueles bichinhos irritantes e burros viciados nas lâmpadas. O primeiro é sublime, o outro só te dá dor de cabeça no verão. O primeiro prova da luz e a transforma em algo bom para a sua sobrevivência, o outro passa a sua vida inteira tentando alcançá-la e acaba morrendo no final(quando descobre que ela é falsa e no fundo nunca valeu a pena). Creio que apesar do medo, optei pela única coisa que faz sentido nessa vida.
Bom, como eu disse… Tudo depende de um bom referencial.