Cheeseburger sem molho.

Entre suspiros e devaneios, admito: já não sei ser tão comercial. Não sei fantasiar ao ponto de transformar meus sentimentos em algo que qualquer zé da esquina se identificaria. Deixei o ato de tentar encaixar o mundo em tudo que sentia, finalmente me vejo limitada somente à mim mesma. Meu próprio infinito se impôs e me fez rejeitar a ideia de abandonar minha singularidade.

Já faz tempo que eu não sei o que é ouvir que eles me entendem, ou que sabem exatamente o que eu estou sentindo. De alguma forma, eu sou a pessoa que consegue entender todos, inclusive a mim mesma, mas que é mal interpretada quase todos os dias. Aos poucos me vi desistindo de buscar alívio em conselhos, passei a me agarrar ao fato de que se eu pudesse ajudar, se eu pudesse estar ali pelo menos para que eles se sentissem menos sozinhos, eu me sentiria por tabela.

Mesmo que, no fundo, eu seja um cheeseburger sem molho do Mcdonalds. Mesmo que eu destoe da normalidade. Mesmo que eu sinta insatisfações do mais súbito nada, mesmo que eu precise ficar sozinha, mesmo que eu me canse de todos e de tudo com uma rapidez maior do que o saudável. Preciso cortar o cabelo, preciso pintar o cabelo, preciso ver lugares novos, preciso ler coisas diferentes, preciso estar em contato com o quanto o mundo é maior do que o meu cotidiano constantemente sufocante.

Com o tempo notei que não adianta eu escrever textos fofos e me parecer tanto com eles se eu terei essas noites em que eu não vou me distrair com nada, não vou querer ninguém, não vou estar pronta, e na verdade eu só vou querer encarar essas letras e desabafar sobre como é ser alguém que não tem o que é preciso para ser completamente normal. Não que eu não seja fofa, eu sou. Mas eu sou mais do que isso. Eu extrapolo barreiras. Eu ultrapasso os limites. Eu não quero uma história bonita, eu quero não me sentir sozinha quando estiver do lado de quem eu decidir estar. Eu quero o pacote completo da vida, inclusive as madrugadas românticas e jantares fofos, mas preciso com todas as forças dos olhares, aliás, daquele olhar. Do olhar que vai enxergar em mim o quão anormal eu sou, que nunca vai esperar que eu seja diferente do que sou, que vai respeitar meus medos, minhas frustrações, meus sonhos, meus desejos. Eu preciso do olhar que vai me proteger da maldade do mundo, do esquecimento, da ausência. Eu preciso do olhar que vai ver em mim mais do que uma garota potencialmente romântica e profunda, sabe? Eu sou um cheeseburger sem molho do Mcdonalds. Sou um pedido especial. Um ponto fora da curva. Algo não convencional, não tradicional, algo diferente. Eu não consigo engolir a vida muitas e muitas vezes. Eu quero mais do que as pessoas normais querem, e muito menos do que elas pedem também. Eu sou uma contradição. Sou um nó. Sou a garota que demora pra se achar quando se perde, e costuma se perder sempre que precisa. Não fujo de mim, mas as vezes me esqueço. Não consigo descomplicar.

Não consigo traduzir minha própria alma para desconhecidos. Ou você me lê, ou passa reto. Ou você tem o olhar, ou eu não me encaixo e talvez jamais me encaixe.

Eu já fui absurdamente comercial, já fui muito normal para atrair pessoas, não me sentir sozinha de madrugada, ter com quem conversar de vez em quando e etc. Só que hoje, de repente, eu notei como as únicas pessoas que estão na minha vida me chamam de doida desde que eu tenho 10 anos, invocam minhas diferenças com um sorriso no rosto, me fazem lembrar que eles não me entendem de jeito nenhum, mas que… Apesar disso… Por eu conseguir entende-los, por eles conseguirem me aceitar, eles estão aqui quando todos os que esperam meus movimentos robóticos se foram. Eu sorri me sentindo parte daquele grupo hoje. Eles me lembraram que eu posso ser totalmente diferente, mas isso nunca fez eles me amarem menos, pelo contrário. Eles tem o olhar. E de alguma forma, acho que foram eles que me mantiveram aqui dentro, intacta, por tanto tempo. Sem molho, não tradicional, sem tentar me encaixar – pelo menos com eles. E que delícia… Alguma coisa deu certo, e se foi assim, que eu continue tendo força para ser cada vez menos algo que não sou, e cada vez mais o que o mundo inteiro rejeita, mas uma minoria está disposta a abraçar.

 

Little Hell.

Eu não preciso de muita coisa, sabe? Ouvindo aquela música de novo eu notei uma coisa meio cômica, meio trágica. O difícil aqui dentro tem muito mais do que eu nem sequer tenho noção do que de coisas que eu poderia tentar te avisar.

Só não menospreza, viu? O alertável é bobo, mas ainda faz parte de mim. Por exemplo, odeio gente desanimada quando a noite está só começando, minha síndrome de adolescente eterna. Prefiro ficar de amorzinho do que qualquer outra coisa, mas não tenho muito jeito para gestos afetivos. Não tenho muito de jeitosa, aliás. Dois pés esquerdos, nem o waze me ajuda quanto estou em outro país/cidade, nunca sei se dou doisbeijinhos-umbeijinho-trêsbeijinhos-apertodemão quando conheço alguém. Eu odeio discutir com pessoas mais velhas, odeio discutir sem ter lugar objetivo saudável ou subjetivo doido para chegar. Tenho mania de cantar sozinha, se já cantei pra você, sinta-se especial. Se não, bom, você fica me devendo uma. Sei tocar violão, mas apreciei ontem a noite que mal consigo tocar Jota Quest no ritmo certo. Ah, odeio Jota Quest. Gosto de Guns, gosto de The Kooks, mas se quiser me dar paz, opte por Exaltassamba. Achei que nunca gostaria de FalaMansa, hoje eu escuto todo dia e sempre me faz sorrir. Só as melhores pessoas apreciam um bom xote. Falando em xote, passei da fase dos shots. Descobri isso na antepenúltima vez que saí. O fato de que saí para fazer a mesma coisa duas vezes após a descoberta diz muito sobre mim: dificilmente digo não se vai causar dor de cabeça. Mudar o roteiro de qualquer coisa por mim? Nem que me paguem pra ser chata desse jeito. Se bem que… Se o programa é São Salvador, me pula. Finge que não me viu. Cria de buxixo não tolera aquela fumaceira, desculpa. Desce mais uma torre, que aqui temos uma menina que aprendeu a gostar de cerveja como uma mulher aprende a gostar de vinhos. Sinto que serei uma menina eterna. Eu detesto a ideia de imortalidade tanto quanto detesto a ideia da mortalidade. Complexo? Espere para eu soltar minhas explicações sobre as anormalidades que surgem no dia a dia, tenho um ponto de vista muito abrangente sobre tudo. Minhas hipóteses raramente caem sobre o óbvio, a vida é menos previsível do que achamos.

E sim, apesar de tudo, me considero imprevisível e é exatamente essa característica que sempre me impediu de imaginar algum corajoso que ficasse mais de um aniversário do meu lado. Não adianta, eu sei no fundo do meu coração que nem o primeiro pedaço, nem o desejo ao soprar as velinhas, nem mesmo o sorriso-de-sempre da minha avó segurará alguém caso algo aqui dentro não mude.

Acho que sou imprevisível porque no fundo tenho medo de seguir o óbvio, mesmo inconscientemente, e ficar vulnerável. Se ninguém souber o que vou sentir e querer no mês que vem, quem sabe se torne mais difícil me magoar. Me pegar naquele momento mais apaixonada por ele do que os barrenses pela linha 4 do metrô, e créu! Oportunidade perfeita para me contar que os sonhos dele não se cruzam tanto assim com os meus, hora certa de me falar que conheceu o (outro) amor da vida, chance de me fazer ver que na realidade ele precisa de espaço de tudo e todos. Isso sempre acontece, né? Por que comigo seria diferente se eu não fosse diferente?

E me viciei nisso. Na quebra de expectativa. Mesmo que isso me privasse do verdadeiro amor, mesmo que isso me roubasse o ar em algumas crises de não ver sentido nenhum na existência. Que loucura, né? A gente prefere evitar “a mágoa de amar sozinhos”, mas sai com aqueles amigos de festa mais vazios que o nosso copo na metade da noite. A gente prefere evitar a ferida no coração e por isso enfeita e disfarça o vazio que fica bem mais feio do que uma cicatriz ficaria.

E pensando nisso… Eu engoli em seco no meio da madrugada. Eu sempre fui a adolescente a favor de cicatrizes, apaixonada e sonhadora com a possibilidade de viver um grande amor. Se tivesse cicatriz, e daí? Não tem nada mais bonito do que a prova de que você se arriscou em algo que a maioria das pessoas nunca vai ter nem chance de ver com os próprios olhos.

Eu era essa garota. Juro que era. Procura aí no blog, eu juro que era. Deve ter foto com os brilhin nos olhos.

Sinto muito, eu de 2012. Te decepcionei. Me tornei a ridícula imprevisível que mal se entende, mal se conhece, mal se entrega e é capaz de não conseguir enxergar um palmo a frente do rosto tamanha a falta de prática de parar e dar a cara a tapa. Aprendi a fugir, sei lá com quem, síndrome de personagem dramática. Que pena, porque justamente sempre fui muito mais a garota que olha feio pro babaca que me canta na Central do que a que corre. Sempre fui muito mais corajosa burra do que calculista precavida. Mas hoje… Pelo visto… Sou uma fraude. Minha metamorfose me trouxe aqui: uma garota que sonha em segredo com aquele amor inacreditável, mas que tem uma dificuldade absurda de se entregar.

Veja bem, meu bem, eu não sei exatamente se te ajudo ou te atraso te detalhando especificamente isso sobre mim. Deve dar a impressão de que sou amável, no fundo, quando na verdade eu sou quase impossível mesmo. Eu tenho um passado, tenho meus medos, tenho minhas convicções… Como ultrapassar tudo intacto? Não tem como. Aliás…

É quase impossível me amar de coração inteiro disposto e sonhador, mas é ao quase que eu me agarro todos os dias antes de dormir. Acho que o segredo é que intacto ninguém nasceu para ficar. A gente só precisa saber escolher por quem vai se meter na selva, por quem vai se arriscar a andar sem waze, por quem as cicatrizes valerão a pena quando chegar o tempo da cadeira de balanço no sol das 9h.

Não que eu saiba de alguma coisa. Eu só torço, do fundo do meu quebradiço coração, para que a minha teoria faça sentido e nos livre de um possível Little Hell.

Top 10 momentos em que eu notei que eu te amo nos últimos 2 meses.

  • Quando você estava doente, com febre alta, na véspera da viagem, e eu notei que realmente preferia estar doente no seu lugar. Tipo, mas não da boca para fora, e não apenas em um gesto de altruísmo por não querer te ver fraquinho e doentinho. Eu só tinha em mente que você era a pessoa que eu mais queria ver animada correndo de um lado pro outro na Europa, independente de eu estar com febre de 39º, eu só queria que você pudesse se divertir cheio de energia e me levar com você. Eu queria você pulando de um lado pro outro, comendo tudo que pudesse ver e me puxando pelo braço para ver tudo e todos. Os raios de sol, os raios de alegria e animação combinam contigo, sabe?
  • Quando a gente estava no meio da rua em Amsterdã, ouvindo aquele cara tocar e você queria tirar fotos minhas lá. Meu Deus, se eu fechar os olhos consigo sentir aquele ar frio entrando pelo meu nariz e um sorriso escapa pelos meus lábios. A certeza de que nós éramos invencíveis, intocáveis, insuperáveis, aquilo dali quase que foi demais pro meu coraçãozinho. Sorte a minha que já estava acostumada a te amar e sentir meu corpo se arrepiar/levar choques só de te ver sorrir.
  • Quando você estava me mostrando o Jordaan, todo feliz e a única coisa que eu conseguia fazer era ficar tão animada quanto você, curtindo cada centímetro daquele bairro maravilhoso. É tão bom viver esses momentos raros(que em Amsterdã não foram tão raros) de me sentir livre, leve e solta. Ali eu me senti livre, leve e solta do seu lado, sabe? Feito dois passarinhos, voando, em plena tarde. Ahh!! Naquele dia você ganhou uma toquinha, que na real era minha, mas tudo bem, ficou muito melhor em você.
  • Quando você esquentou aquela pizza com o secador de cabelo. Meu Deus, eu fiquei muito apaixonada por você naquele momento e acho que vou contar até pros meus bisnetos. Era a coisa que eu esperava vir de você, sabe? Acho que prefiro nem ter a ideia, metade das loucuras e bobeiras dessa relação precisam vir de você, assim eu posso morrer de amores e me derreter de novo, e de novo, e de novo.
  • Quando a gente foi na Torre Eiffel a noite e eu chorei de emoção pela imagem da cidade das luzes na minha frente. Acho que naquele momento eu vi Paris com os seus olhos apaixonados e te amei ainda mais porque você queria estar ali comigo, logo comigo. Eu, toda errada, podendo dividir aquela cena – uma das mais maravilhosas do mundo – contigo. Foi um sonho se tornando realidade. Eu vendo Paris pelos seus olhos, só que com você do meu lado, e realmente sentir o que você sente o tempo todo por lá. Foi especial pra mim. Eu precisava viver aquilo, e você sabia. Te amo por isso.
  • Quando a gente bebeu cerveja com limão, e eu tava morrendo morrendo morrrreeeeennnndoooo de cansaço, e você tava todo feliz tentando me animar. Eu amei aqueles artistas, amor. Voltaremos lá em breve, ok? Eu juro que aquela praça ficou na minha cabeça, aquelas pessoas todas reunidas fazendo arte e comprando arte, no meio de Paris. Aliás, num lugar bem altinho por sinal… Mas encantador. As mesas viradas pra praça… A conta assim que pedimos a cerveja… Seus olhos aproveitando aquele lugar e apreciando, como só você consegue apreciar. Eu te amo por isso.
  • Quando a gente estava em Colônia e colocamos o cadeado nos trilhos. Eu soube que te amava porque jamais faria isso com qualquer pessoa. Jamais jamais jamais colocaria um cadeado representando o meu amor com outra pessoa se não realmente a amasse. Eu te amo por ter tido aquela ideia. E também porque aguentou pedalar pra cacete aquele dia!!!! Eu lembro que te olhava mais atrás e meu coração transbordava com o sentimento de que sei lá, você era uma das minhas pessoas preferidas no mundo.
  • Quando a gente estava voltando pra casa e eu comecei a ser doida no avião, nervosa e agoniada, e você escreveu aquele textinho pra mim enquanto eu estava dormindo, todo cheio de doçura e amor. Mesmo que minhas doideiras com gravidez fossem te dar no saco depois, você aguentou firme o quanto conseguiu e foi muito importante pra mim você ter se preocupado em me dar um feedback do que você sentiu durante a viagem. Digo, a gente se conhece tanto, sabe? Mas você sempre me surpreende quanto eu noto que realmente me conhece. Aquele textinho, aquele raio-x luiz eduardo, foi especial. Senti meu coração derreter antes mesmo de ler, e eu demorei mesmo pra ler, viu? Queria escrever primeiro pra não copiar nada seu. Sou teimosa.
  • Quando a gente estava na cervejaria em Brugges e você não parava de sorrir e apreciar cada segundo, cada ml de cerveja que a gente provava. Você lendo os rótulos?????? Eu só conseguia pensar: cara, eu preciso casar com ele. Eu preciso dele pra sempre. Eu preciso dessa energia, dessa empolgação, desse jeitinho tão autêntico, pra sempre.
  • E hoje, quando você me olhou com aqueles olhos de Shrek, pedindo massagem. Ali eu tive certeza que te amava de novo. Foi assim: em um momento, estava no seu quarto, te encarando. No momento seguinte, eu estava num lugar escuro, sentindo um pulsar estranho, um ritmo constante. Era quente, mas confortável, como se eu estivesse finalmente longe de uma nevasca que era meu pesadelo nos últimos dias. Olhar nos seus olhos foi me teletransportar pra dentro do seu coração e ter certeza de que eu não queria sair dali nunca mais. O ritmo são as suas batidas, o escuro é sinônimo de conforto, como se finalmente eu já não estivesse no meio da neve, no meio do frio. E mesmo com tanta escuridão, eu podia me sentir em casa, saber onde estava e como me movimentar. Em um segundo, olhando nos seus olhos, eu me senti confortável, feliz, saudável e segura. Já não estava mais congelando sem conseguir enxergar. Estava descansando os olhos, os pulmões, o próprio coração, dentro do seu.

E eu sei que não sou expert nisso. Em saber exatamente onde mexer dentro do seu coração, ou o que fazer quando encontro algo que parece fora do lugar. As vezes sou mais estrangeira do que de casa, sabe? Afinal, foram 19 anos longe, 2 anos perto. Mas juro, a sensação é de que estou no melhor lugar do mundo, no lugar certo pra mim, no único lugar em que o meu amor faz sentido e ganha ritmo, ganha vida. Por mais que eu tenha que tatear para achar algumas coisinhas, te consultar para saber se é mesmo pra algumas coisas ficarem do jeito que estão, levar uns esporros quando estiver muito mandona, tudo que eu quero é ser bem vinda e uma hóspede pelo maior tempo possível. Su casa, Mi casa? Eu espero que sim. Porque eu te amo. Muito.

Bicho apaixonado.

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Bicho apaixonado costuma se achar bicho medroso, né? A gente se perde em pensamentos, umas mil vezes por dia, sobre as milhares de possibilidades que o mundo traça e que beiram ao infinito se cairmos na real de que cada um carrega seu coração para onde bem entender. Se duvidar, você leva o seu coração para outra história e o meu fica nessa aqui mesmo. O meu fica, o seu vai, tudo que é “nosso” vira passado e a sensação vai ser a de que te perdi na última piscadela que dei ao passar o rímel.

Rápido, definitivo e que resulta em milhares de danos que talvez nunca cicatrizem.

Só que aí a ficha cai e não, nada acaba tão rápido, tão definitivamente, nada causa tantos danos eternos. Na verdade, vai ser lento, doloroso, ter várias fases confusas e a cicatrização vai ocorrer ao longo da dor, o processo é a própria cura.

De repente, uma nova piscadela e você se dá conta de que essa é você de novo planejando o fim, caindo numa real que nem mesmo chegou perto de acontecer, desacreditando no melhor projeto da sua vida só por ter acordado insatisfeita com o reflexo no espelho.

Te soa mais fácil premeditar a desesperança, porque nem em um milhão de anos você imaginou ser tão amada por alguém além de você mesma, afinal, quem é que conseguiria entender seus dramas, medos, seu senso de humor, sua vontade de ficar em casa em detrimento da agitação do mundo, a vontade de sair nos momentos mais imprevisíveis, sua indecisão que nunca te deixou em paz, ou aquela estúpida mania de acreditar no amor verdadeiro – romântico, bobo, leve e eterno?

E ele me pede para acreditar que estou segura. Doce e gentil, como aquele beijo de despedida onde os lábios dele pareciam tão despretensiosos, mas conseguiram ficar com metade do meu coração após o contato. É isso que acontece toda vez em que ele me pede para acreditar fielmente na segurança que o amor nos dá. Metade de mim, inteiramente calma e confiante.

Mas o quão seguro é se sentir seguro?

O quão seguro é abaixar a guarda, definitivamente, e esquecer que em uma piscadela a vida pode prestar contas de ter me feito a menina mais feliz do mundo nos últimos meses?

Metade de mim, mesmo apaixonada, sofre com a certeza de que sobram motivos para que ele decida partir, devagar, sem nem notar, descuidar do nosso amor como quem esquece de regar uma plantinha.

Isso é síndrome de quem acha que não nasceu para ser feliz. Isso é o velho sentimento de não merecimento, é a voz que te envenena e estraga qualquer momento se você não for esperta o suficiente para dosar sua introspecção. Nesses momentos, qualquer lugar é mais benéfico do que aí dentro, mas você releva.

Você releva porque quando ele sorri junto contigo, inicia-se uma sinfonia que nada, nem ninguém, deveria ter coragem de interromper.

A metade que carrega a adrenalina de fazer tudo o que for possível e impossível por vocês, reage como uma medicação e te faz ter cor, vontade, sonhos e garra novamente. Nada vai ser mais forte do que vocês, nunca existirá força – do mal ou do bem – que se compare com o poder do que vocês sentem quando estão juntos, contra tudo e todos, contra quem nunca entendeu direito essa história – do começo ao fim.

É, rapaz. Bicho apaixonado é bicho medroso, mas verdade seja dita: nem só de medo vive esse serzinho, porque precisa ter coragem para viver dia após dia nessa montanha russa de sentimentos, escrever tanta bipolaridade e acordar rotineiramente com o amor intocável e forte, com a vontade de ver a pessoa, conversar, se entregar mais uma vez, tirar aquela foto e colocar de plano de fundo. Rir até cansar, acreditar, de novo, no potencial que vocês tem de serem finalmente o amor que você sempre pensou, sonhou, quis e perseguiu.

 

 

Home is wherever your heart is.

Eu costumava ser uma gatinha escaldada que se julgava um felino selvagem, costumava me sentir armada com as minhas ironias, meus preconceitos e minha intuição que se resumia a tudo que eu lia em revistas e via em séries/vidas de amigas. Eu era trágica, mas me disfarçava de cômica, sendo o motivo de riso de quase todos que me conheciam e amavam.

Eu só me dei conta de que o que eu vivia era uma mentira quando te conheci e não vi mais o mínimo sentido em me proteger. Mesmo que eu me sinta vulnerável todos os dias, mesmo que você tenha seus defeitos, do seu lado eu sei o que é ter paz porque ao menos no seu caráter, no seu colo e no seu coração eu posso confiar.

E eu sei que isso soa contraditório, porque os resquícios de quem eu costumava ser ainda surgem aleatoriamente, como por exemplo quando eu preciso checar se, por um acaso, isso tudo não é uma grande farsa e foi um equívoco da sua parte ver algo aqui além de uma garota mimada. Entretanto, eu só preciso de mais alguns segundos para comprovar o meu ponto.

Outro dia, você sumiu. Aliás, quando os problemas surgem, você fica sumido. É difícil o ato de equilibrar tragédias gregas, e você, como um bom ser humano, desequilibra tudo e some da órbita. Como um satélite, seu coração se afasta. Por questões de saúde, ótica, necessidade e etc, você se afasta, mesmo estando do meu lado. Olhos distantes, sabe?

Eu respirei fundo. Nós tínhamos conversado sobre isso há pouco tempo, era só uma reação alérgica aos problemas inesperados que surgiram aos montes nos últimos meses, e eu não podia mais pressionar por uma luz, por uma atitude diferente. Então, do nada, pensei em mim. Pensei no que eu faria se fosse você.

Eu sumiria. Aliás, eu sumi. Todas as vezes em que eu precisei, sumi, e acho que qualquer ser humano que precise vai fazer exatamente isso. Então, respirei fundo de novo, mas sem tentar fugir de uma crise dessa vez. Respirei sinceramente e comecei a prestar atenção no carinho que sua mão fazia na minha, mesmo com a distância mental e emocional. Mesmo com a sua necessidade de não estar ali presencialmente, você estava. Sorri e agradeci, cada célula do meu corpo agradeceu, por aquele carinhozinho tão bobo, mas tão significativo.

Tudo é significativo para os que amam, e eu aprendi isso com você. Aprendi que nem tudo seria do meu jeito, mas que nem por isso seria algo pior. Aprendi que te respeitar envolvia me apaixonar por você de novo, só que de maneiras diferentes. Outro dia me apaixonei pela sua forma de me querer mesmo quando você não tem como fazer nada além de me ter. Você me quer mesmo que seja só para me ter, para me guardar, para estar comigo. Sem fogos de artifício, sem luxo, sem nada demais, só eu e você, e você e eu, e a sensação maravilhosa de estarmos juntos. A sensação que de repente nem você percebe que dá tanto valor, mas você dá, você dá absurdamente. É a tal paz de tudo estar errado, mas pelo menos nós já termos encontrado alguém que vai achar graça nas nossas piadinhas e caras, vai gostar do nosso jeito de fazer – ou pelo menos que vai achar um charme a diferença entre hábitos, e que vai ser um lar mesmo quando nosso lar estiver pegando fogo.

O ser humano tem muito disso de lar, sabe? De se sentir em casa porque isso é sinônimo de se sentir seguro. Eu tinha é medo de chamar de lar uma oca que pegaria fogo dois dias depois, moreno. Eu tinha é medo de não me sentir em casa, mesmo tecnicamente tendo alguém para estar comigo. E do nada, aliás, depois de um beijo atrapalhado e M&M’s desperdiçados, eu notei que não podia ter caído nos braços de alguém melhor. Meu melhor amigo, meu gatinho, meu tudo e meu seguro e aconchegante lar.

Home is wherever i’m with you. Sempre foi meu lema, sempre vai ser. Obrigada por me fazer tão completa, por me fazer exercitar minha capacidade de reflexão, por me fazer a menina mais apaixonada do mundo. Por detalhes, sim, mas pelo geral também. Cada centímetro do meu corpo sente falta de cada centímetro do seu quando estamos separados. Não tem doença que me impeça de ficar pertinho, nem período difícil que me afaste mais do que umas horas.

Eu te amo! Dou trabalho, mas se fosse muito simples você ia ficar entediado e isso seria mais um problema, ok?

<3

 

O poder de uma 3/4.

Hoje eu achei duas fotos 3/4 na minha carteira. Na primeira, você estava com os cachinhos que eu tanto amo e uma cara de sério que não engana ninguém. Sorri, suspirei e continuei mexendo naquele buraco negro de documentos, papéis, comprovantes de pagamento e cupons do BurgerKing. Então, escondida de uma forma sutil, achei a segunda. Seu cabelo curto, como está agora, e um rostinho menos sério. Não consegui conter o segundo suspiro, muito menos os pensamentos que vieram com ele.

Lembrei do primeiro jantar que você me fez, do buquê de flores, da gente conversando e eu tentando lembrar de respirar e continuar vivendo normalmente. A surpresa foi surreal naquele dia, e não porque eu não esperava romantismo, e sim porque eu nunca me senti tão especial para alguém tão bonito, tão gentil, tão inteligente e tão divertido. Ou seja, eu nunca tinha me sentido especial para alguém que é um sonho meu realizado.

E parando nessa frase, eu peguei o notebook correndo e resolvi vir dividir minha abstração com você. Se um sonho é aquilo que nós fazemos de tudo para conseguir, realmente, você é o meu sonho diário, o sonho que nunca se esgota, nunca se limita. Porque não tem como parar de fazer tudo, absolutamente tudo, pensando em ser alguém melhor para te merecer um cadinho mais.

Não tem como não me enfrentar todos os dias, não tem como não lutar grosseiramente contra todos os meus defeitos. O que eu sinto por você é o que me faz cortar todas as ervas daninhas em mim e respirar fundo antes de cometer os mesmos erros.

Obrigada. Sério, obrigada! Eu amo você, e eu simplesmente adoro isso de te abraçar e dizer que vai ficar tudo bem. Que se algo entrar no nosso caminho, eu resolvo, principalmente se esse algo for eu ou alguma característica minha.

Sabe, tem alguma coisa nos seus olhos que faz isso comigo, que desperta o melhor de mim se eu simplesmente me permito, e eu quero me permitir cada vez mais e mais. Olhando para a sua foto, eu só consegui sorrir e pensar que vale a pena me desconstruir e construir diariamente, vale a pena olhar de 8 pontos de vista diferentes, vale a pena conversar comigo mesma e tentar ser mais humilde, tentar ser mais humana, tentar evoluir. Já dizia nosso mapa astral que seria infinitamente mais fácil crescer tendo a companhia um do outro, e eu acredito nisso de todo o meu coração.

Você faz com que eu me faça sentir muito mais forte, muito mais preparada, muito mais pronta para tudo que vier por aí.

Obrigada.

 

Follow the sun.

Eu costumava tentar fugir do que eu tinha medo. Como uma criança inocente, mesmo já tendo idade para me virar sozinha, eu evitava o que pudesse e conseguisse. De uma forma assustadora, fui encontrada por todos os meus maiores temores antes mesmo de completar 21 invernos. Não adiantou recusar a viagem ou usar repelente, muito menos ter ficado em casa naquela noite. Então, como nada mais do que uma singela colaboração, resolvi dividir o que eu aprendi empiricamente nos últimos anos.

Para começar, não há quem te proteja. Os melhores amigos, pais e seguranças são apenas pessoas, assim como você. E dessa forma, amiga, amigo, eles são tão vulneráveis quanto você. Essa jornada que trata de auto-conhecimento e superação é apenas sua.

Resolvido o fato de que você só vai precisar de um passaporte, acho de bom tom reforçar que não adianta se auto-sabotar. Digo, se você vai ter todo o trabalho do mundo de sofrer com o fracasso, por que diabos incentivar os que já se empenham em te detonar? Seja forte o suficiente para ficar no seu próprio time. Seja forte o suficiente para acreditar que você consegue, mesmo que esteja sozinha, mesmo que seja você contra o mundo. Definitivamente nada é um precedente para o fracasso. Na verdade, quando eu estava sozinha, me sentia finalmente segura. Só demorei para entender isso devido à minha incapacidade de achar que a minha própria companhia me bastaria.

A partir do momento em que você já entrou no avião e suspira com um leve sorriso, eu preciso ser a portadora de difíceis notícias: não vai ficar mais fácil só porque você se sente segura. Ao invés disso, a vida não vai pegar leve, nem será sempre justa. Mesmo depois que parei de fugir de alguns medos, enfrentei e fui absolutamente massacrada de vez em vez. Não foi uma caminhada de sucessos impactantes.

Só que a cada enfrentamento, cada vez que o chefão do último nível do desafio aparecia, eu estava menos e menos despreparada. A vida não vai parar de bater, certo? O que importa é o quanto você está disposto a apanhar e continuar levantando, continuar seguindo.

Acho que o fator mais assustador nas pessoas que convivem comigo é o quanto fogem sem nem raciocinar quanto aos seus motivos. Tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Talvez se eu tivesse me apegado mais às chances de algo bom acontecer naquela viagem, eu não teria ficado e experimentado meus medos aqui, na minha própria cidade. Seus medos mascaram, muitas vezes, o que você mais quer. Então por que diabos ceder e desistir dos seus verdadeiros sonhos só por causa deles?

O ponto mais engraçado em mim, e no texto, é que eu não sou imune ao medo. Não me tornei imune ao fato de que da próxima vez, na próxima batalha, posso não ser forte o suficiente; e só o simples raciocinar sobre isso já me faz tremer na base e postergar atitudes todo santo dia. Eu ainda me auto-saboto e tiro as pessoas do sério com o meu dom de desconfiar do meu taco. Mas sabe de uma coisa? Apesar dos pesares que existem em cada momento inseguro vivido, não tem nada de errado nisso. O que eu mais aprendi nesses últimos meses foi que não tem nada de ruim em não seguir regras ao pé da letra, porque ninguém nunca consegue segui-las sem se queimar de alguma forma.

Recebi conselhos terríveis para vencer a insegurança, nem queiram saber, e no final das contas decidi que a regra não é ser corajosa, foda, encarar de frente e não tremer na base nunca. A regra é seguir o seu próprio coração, e ninguém aqui disse que ouvi-lo é tomar atitudes imediatas, é aceitar tudo ou nada. Pondere. Esteja disposta a saber que está sozinha, esteja disposta a saber que você não é a fraca que as vezes se considera. Esteja disposta a apanhar pelo que acredita e levantar como quem não tem medo de continuar apanhando se isso significar continuar sonhadora, leve e viva.

Viver é isso, e faz parte do “não fugir”: as noites insones, as lágrimas, o medo. Já as risadas vazias, o sono pesado graças aos remédios, o desdém no olhar, isso tudo tem a ver com fugir.

A minha experiência empírica foi ser confundida com uma covarde todo santo dia e, mesmo assim, colocar meu coração no fogo como se ele não tivesse outra função. Como se ele tivesse nascido para aquele momento. Eu apanhei e chorei, sofri, tive crises e fui amplamente criticada por isso, mas todos os dias eu encaro uma garota no espelho que não está mais de joelhos. Eu encaro uma garota no espelho que mal pode esperar pela próxima aventura, pela próxima oportunidade de mostrar que se todos temos um propósito, o dela é de continuar.

Pr’onde? Nem eu sei. Mas definitivamente não perco mais nenhuma viagem ou noite, aventura ou sonho. Sentir medo é normal, e isso não deveria nos impedir de absolutamente nada. Fugir é sinônimo de ignorar o medo. Ficar, ir, fazer o que der na telha é o que a gente precisa para deixar a dormência e experimentar o que pode acontecer se decidirmos colocar a cara no sol.

As lágrimas? Garantidas. As porradas? Daqui a pouco chegam. O arrependimento? Espere por ele sentado. Como diz o ditado, ninguém se arrepende do que faz, e sim do que não faz.