22 anos no dia 22 de junho.

Tenho andado sumida daqui. Notei quando resolvi lembrar das minhas primeiras entrevistas de estágio. Sempre que perguntavam meus hobbies, um sorriso ocupava meu rosto ao admitir que tinha como hábito escrever aqui ao invés de simplesmente deixar meus dias passarem de forma descompromissada. Como uma boa pseudo-escritora, sempre desfrutei uma paz inevitável ao despejar meus sentimentos aqui.

Não sei quando isso mudou, ou quando me perdi entre o que era, o que queria ser e o que nunca aceitaria para mim.

Com isso, eu resolvi trazer de presente uma reflexão para a futura Raquel, a de 22 anos, que virá no dia 22 de junho. Todo ano reflito metaforicamente e emocionalmente sobre anos novos, perspectivas e aprendizados. Pois bem, dessa vez não virão somente aprendizados simbólicos e retirados de metáforas, em 2016-2017 tudo que aconteceu foi extremamente claro, extremamente real e exatamente por isso me faltou a vontade de escrever, de refletir… Afinal, quando a situação ruim está óbvia e estampada, dói quase fisicamente sublinhar, reforçar, pensar sobre tudo.  Por isso sumi. Eu queria me livrar e sabia exatamente do que, sabia exatamente quais eram as perdas, sabia exatamente o que ganharia se superasse. Eu até tentei… Mas a consciência de tudo inviabilizou qualquer tentativa de respirar fundo e escrever. Entrei em pânico. Constantemente em pânico.

Fica bem claro pra mim se ilustrar da seguinte forma: encarava o espelho, odiava o meu reflexo e tentava fazer de absolutamente tudo para me desfazer da confusão que era não ser quem eu queria.

Quando as coisas saíam do controle e eu acabava sendo a minha versão de merda, de novo, começava a surtar. Fisicamente, emocional e mentalmente. Era uma merda ser grossa, ou agressiva, ser pessimista, ou cheia de mágoas.

Eu era a pessoa extremamente emocional que era positiva?

Então aprendi a lição mais importante que tive até hoje: minha sensibilidade só é bem vinda quando fizer bem aos outros e à mim. Quando começar a me fazer mal ou a agredir os que convivem comigo, preciso respirar fundo e procurar em mim toda racionalidade e todo o pragmatismo que puder encontrar.

Não acho que tenha me tornado mais fria. Pelo contrário…

A frieza era justamente consequência da minha sensibilidade. Toda vez que me sentia mal, atacada, sozinha, eu me esfriava e dificilmente cedia. Dificilmente tentava entender os outros.

Olha, o que eu realmente queria dizer é que se você quer ser uma pessoa boa, precisa admitir quando você é uma pessoa ruim. Se você quer ser uma pessoa confiante, precisa assumir que seus momentos de insegurança não são momentos bons. Se você quer ser amada, precisa aprender a amar o outro e a se amar primeiro. Precisa refletir se você sabe o que é se amar.

Eu não sabia, ainda não sei direito. Por isso minha preocupação com a futura Raquel, a Raquel de amanhã.

Você ainda tem centenas de defeitos, mas não pode se afundar na existência deles. O que aconteceu, meramente como revelação de fatos, foi que você acordava todos os dias se sentindo um lixo, totalmente consciente de como não era perfeita e de como estava deixando a desejar, e aí, na defensiva sensibilidade, você decidiu não aceitar críticas, se ressentir com os que as faziam, não esquecer ou levar tudo pro pessoal. Não foi sua culpa, a vida foi bem filha da puta e ninguém conseguiu equilibrar a bandeja das relações sociais. Mesmo quando você tentava acreditar que você ia conseguir melhorar, as pessoas esqueciam de demonstrar fé, esqueciam de superar momentos ruins. Ninguém superava nada, e você, muito menos. Você se sufocava com a auto crítica e ao mesmo tempo sufocava os outros com a dificuldade de superar as críticas que eles teciam.

Um

inferno

do

caralho.

Mas a verdade é que você precisa admitir diariamente que não é uma pessoa perfeita e tem muito o que melhorar. Não para se sentir um lixo, mas para conseguir, com a consciência da evolução necessária, não se aborrecer com críticas alheias. Entende-las, enxerga-las, e de certa forma, se amar apesar de tudo. Eles te amam apesar de tudo.

Você não se sentiu verdadeiramente amada no último ano, e aí correu, fugiu, chorou e abraçou a insegurança. Então, assim, a segunda dica é não se afastar e sempre lembrar da importância do amor nas relações que você tem. Se eles não te escutarem, errados são eles, mas aí você lembra da primeira lição e respira-fundo, seja pragmática. Leia algo diferente, escreva algo diferente, insista em mostrar que sem amor ninguém evolui, ninguém muda.

A sequência pesada de sentimentos horríveis passou. A consciência de que, no fundo, todos que você ama são recíprocos contigo foi finalmente restaurada. Os erros agora parecem um tanto distantes, cada dia mais, e cada dia é importante mesmo. O progresso é lento, mas é real. Tão real quanto a sua dor ao perder o controle de novo e de novo. Realidade por realidade… Abrace a que te faz bem.

Se outros momentos difíceis vierem, lembre-se: respira fundo, balanceia a sensibilidade, busque dar e receber amor. Com isso, você vai conseguir fazer qualquer coisa.

Hoje seu maior desafio é ser uma pessoa melhor. Com sua família, na faculdade, com seu namorado e até com seus amigos.

Que o próximo ano seja focado em resultados, em avanços e não só na dor que é descobrir que, talvez, apesar de tanto amor, você não faça nem 10% do que deveria por eles.

Tome como nota: esse ano você caiu no chão e demorou para levantar pelo choque que é tentar dar o seu melhor e descobrir que ele não é o seu suficiente. E aí você finalmente levantou quando entendeu que não ia morrer se admitisse, e sim iria descobrir que DE FATO… Aquele não era o seu melhor.

O seu melhor é aprimorado diariamente, e é bem mais foda do que você consegue imaginar. Espero que no fim desse novo ciclo que ainda nem começou você possa me contar um pouco mais disso.

Até!

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