Aqui, liberdade liberdade.

Eu não sei direito porque eu decidi vir aqui(de novo), mas eu costumava escrever praticamente todos os dias quando era mais nova e isso sempre me fez sentir como se meu mundo coubesse em algum lugar.

Bom…

A gente acha que trocar energias e conhecer pessoas diferentes desde a pré adolescência são atos completamente inocentes e tranquilos, né? Coisa mais normal é ter namoradinho aos 6 anos, 8 anos, 10 anos. Aí com 14, porque eu comecei tarde mesmo, a gente começa a se relacionar física e emocionalmente de verdade.

Parece tarde, mas eu acho que foi a coisa mais errada, precoce e idiota que eu fiz até hoje.

Afinal…

As coisas dão errado. Não interessa como ou o motivo, simplesmente dão. Aos 16 ou 18 você conhece outra pessoa, sendo realista mais de uma. Vai começar antes mesmo da maioridade o hábito de ficar, ficar, ficar e descobrir que a vida pode ser só isso se você quiser. F i c a r. Beija aqui, beija ali, aprende uns troço com o fulano que você nem sabe se tem aquele nome mesmo.

Você só nota que tem alguma coisa estranha quando bebe mais do que qualquer ser humano deveria, e não consegue entender porque se sente infeliz mesmo tendo tudo, absolutamente tudo para ser feliz. Talvez você não beba tanto, estamos juntos nessa. Mas você faz alguma coisa, não se engane. Todos fazemos.

Eu fico na defensiva.

Não só tenho uma postura, eu vivo nela. Quase o tempo todo. Eu não me desligo do mundo ao optar por beber, eu me ligo até demais.

A ansiedade me corrompe.

Mas por que? O que um beijo aos 14 fez comigo?

Bom, a questão nunca é o episódio limitado. Nunca. Não foi o beijo, mas o contexto do motivo pelo qual eu esperei tanto para finalmente beijar alguém. Aquele papo da vida ser só ficar e ser ficada? Não fazia IDEIA!

A questão que me traz uma ansiedade ferrada é que desde o primeiro namoradinho fui criada dentro de uma perspectiva onde seres humanos são universos especiais que precisam ser protegidos, amados e cuidados. Seja gentil, seja amável, não minta, não use, não brigue. Converse.

Aí eu descobri em determinado momento que 60% das pessoas não pensam assim. Adeus, primeiro namorado, segundo, terceiro.  E dentro do grupo de 40%, metade do povo é hipócrita/ fraco mental e espiritualmente. Eles conhecem o discurso, a dinâmica, acham que esse é o certo, mas agridem psicologicamente, agridem fisicamente, brigam por qualquer coisa, traem, são cruéis e te usam.

Pelos números, tem grandes probabilidades de eu nunca ter feito nada de errado com ninguém e acabar ferida quando eu mais precisar de amor e compreensão. Assim como você. Assim como um grupo de amigas minhas e o grupo de amigas delas.

Eu não estaria escrevendo isso se eu não fosse cercada de pessoas que se entopem de remédios para amortecer sentimentos difíceis de lidar, e que só tem esses sentimentos difíceis de lidar porque o mundo é repleto de pessoas irresponsáveis que só sabem usar umas às outras.

Amizades, namoros, familiares, conhecidos… A maioria das relações se dão por conveniência.

Como que se envolver com o maior número de pessoas possível, desde cedo, pode fazer bem? E quando eu digo se envolver, digo ficar. Porque mesmo quem fica só por ficar na inocência da vida mecânica, absorve uma objetificação inconsciente.

Eu realmente decidi ir no caminho contrário, não ceder, acreditar que relacionamentos são trocas de energias, experiências, expectativas e que eu quero demais acompanhar a jornada de outra pessoa sendo a melhor influência possível. Não acreditava na objetificação como escolha possível de vida. Se eu não faço, não passo por isso, valeu mantra! Isso tudo sem me ligar que apesar de ser tranquila, sou a defensiva em forma de gente.

Notei isso quando estávamos eu e uma amiga. Ela estava sofrendo porque chegou em uma fase, após tantos babacas, em que ela é incapaz de aceitar ou agir naturalmente quando encontra alguém que parece ser diferente.

Eu diagnostiquei bem canceriana: ela estava com buracos emocionais. Ferida, com medo de ser usada, com medo de acreditar e ser a famosa “trouxa”, sofrendo de verdade porque apesar da normalidade que o garoto trazia, ele ainda era um cara e ela ainda era ela. E nos últimos anos, essa combinação foi suficiente para trazer sofrimento.

Então, o ascendente em capricórnio controlou a situação e eu obviamente defendi que se ela quisesse, ela ia vencer essa fase de lutar contra os efeitos colaterais dessa sociedade líquida.

Aí bateu o Saturno em Peixes.

Eu sou ela. Assim como ela representa todas as minhas outras amigas e amigos. Nós todos estamos a todo momento tentando lutar contra os efeitos colaterais de se viver em uma sociedade que objetifica TODOS e TUDO. Meu jeitinho na defensiva? Não é coincidência e se eu não controlar, vou acabar limitada seriamente pelos meus medos e bobeiras.

Tudo bem que eu sempre soube desse lado negativo e inseguro que vem com o pensamento do mundo ser um lugar hostil com pessoas que se acham donas de objetos…

Taaaanto sei que tento ser perfeita em quase tudo, tento compensar minhas inseguranças com carinho e dedicação. Tento ser um ser humano que valha a pena por 3839 motivos, já que internamente sinto que não mereço mais do que 5 minutos de ninguém. E sendo bem honesta, esse plano parecia perfeito até outro dia.

Mas aí você nota que tudo que as pessoas precisam de você é justamente o que é tão difícil fazer; e se você quer ter uma amizade de verdade, um namoro real, uma relação plena com qualquer ser humano, você PRECISA acreditar que não está sendo objetificado.

Elas até aceitam cuidados, sua linguagem do amor, sorrisos, mas isso tudo é bônus. O que realmente querem e precisam é que você enfrente seus demônios. Você precisa acreditar nessa relação e deixar os efeitos colaterais do lixo que a humanidade se tornou lá fora.

Loucura.

Loucura também é amar e se permitir ser amado, acreditar que é amado. E magoado.

Porque dói, viu? Superar efeitos colaterais de todas as merdas que você já viu e continua vendo, é foda. E quando tem a pressão de outra pessoa precisar que você faça isso… Desiste. Vai doer muito.

MAS essa ferida sara. Você amadurece. E ainda por cima fica devendo um picolé de chocolate para esse indivíduo do bem que queria que você fosse livre. Livre de todo mal que tem por aí e que não é sua culpa. Doeu ouvir? Nhé, dói todos os dias.

Mas amar alguém não é só falar o que é fácil de escutar.

E com isso… todo mundo se magoa. Você magoa alguém com toda certeza, afinal, até o ato de ficar na defensiva por questão de sobrevivência machuca. Eu devo magoar um bando inteiro, sem dó nem piedade, porque honestamente eu até outro dia preferi não conhecer ninguém do que acabar magoada.

Mas isso é errado.

Isso é entender tudo errado.

Nós seremos destroçados. É verdade, nenhum conhecimento mágico pode te salvar de ser magoado pelo menos umas duas vezes ao ano. Momentos de energia em baixa existem para que nós aprendamos alguma coisa, para que nós nos tornemos pessoas melhores.

Isso não significa que você vai ser objetificada. Quando um cara transa contigo e não lembra nem o seu nome, ou não fala contigo como se você fosse… ALÔ? Algo além da vulva do dia anterior… Aí ele te objetificou. E isso traumatiza mesmo, chuta que você pode chutar e sofrer. É normal ter medo de que isso aconteça de novo, é normal ter efeitos colaterais.

Mas você precisa aceitar que vai ser magoada porque todas as relações humanas se dão entre seres completamente falhos, que amarão com todas as forças e ainda assim terão uma dificuldade imensa de não transbordar e acabarão por ferir alguém quando estiverem sob pressão. Isso não significa que vai ser traída, porque trair é objetificar. Nem significa que ele vai te esconder coisas, jogar o famoso “joguinho”, afinal, isso é objetificar também.

Mas apesar de enxergar a gente como ser humano, nossas sensibilidades, vulnerabilidades e facetas diversas, vai ter o dia do esporro porque você precisa crescer. Precisa gastar menos dinheiro. Precisa se alimentar melhor. Precisa parar de ser tão grossa. Precisa respeitar mais os seres humanos que te cercam. Precisa ser forte. Precisa entender a diferença entre amor e posse. Precisa dar espaço.

Isso tudo gera desconforto, dói, se o cara não for delicado pode até ferir de verdade. Auto-estima é a coisa mais frágil depois do ego, e olha, ambos vão junto no pacote “tocou na minha imperfeição”.

Não vai ser nada anormal, prejudicial ou cruel. Isso é viver, trocar experiências, evoluir com a ajuda do outro e, as vezes, pela dor. Porque se você cismar de chamar de sensibilidade o que é ser uma garota mimada, você vai sofrer o dobro.

Apesar da linha tênue, porque tudo que magoa é colocado no mesmo pacote, ser objetificada é algo bem menos comum de acontecer se você manter o amor próprio como primeiro amor. E eu falo no feminino, mas serve pros homens também. Já vivi de amigos inseguros que sofriam com namoradas que, sinceramente, precisavam falar tudo que falavam. E também já vi os que eram feitos de idiotas e aceitavam, porque achavam que se eles também fizessem a garota de corna, estavam combinados.

Bom, não. Se você entrar pro bonde que objetifica, o karma cobra e você vai acordar sem absolutamente nada um dia. Infelizmente vai descobrir que se você não tiver sua honra e dignidade, você não é ninguém, e nem tem ninguém.

Eu só queria desabafar e dividir comigo mesma aqui nesse lugar que me acompanha há 2 anos que eu não sou perfeita e sou alguém que PRECISA sair da defensiva. Precisa entender que não vai ser objetificada, mas que pode ter medo disso. O que não pode é exigir não ser magoada, e agir como se a mágoa fosse o fim do relacionamento, e não uma prova de que vocês finalmente estão se lapidando e crescendo juntos.

Eu odeio essas séries de drama onde a galera só observa a realidade e critica sem nada além do choque. Eu escrevo para além da exposição. Quero me ajudar.

Então, primeiro eu reli o texto e senti orgulho de abrir mão de ser uma garota mimada para aceitar que mereço mais liberdade do que o medo pode oferecer. E em seguida lembrei do melhor conselho que eu já recebi: “se feche para o que for ruim. seja forte”.

Se a objetificação e a possibilidade de você ser usada te faz mal, deixa o mês passado e todas as dores que vieram com ele lá no passado. Se fecha para toda influência negativa do trauma. Seja forte. Hoje é outro dia, esse é outro cara. Essa é você, mas uma versão muito mais plena e corajosa. Fecha a porta e dá a chave só para os que valerem a pena. Mas para esse grupo aí, você relaxa e tenta – cada dia mais – agir naturalmente. Ou você confia e dá a chave, ou não.

Deu a chave?

Enfrente seus demônios. Cresça. Deixe os efeitos colaterais do trauma no passado. Aqui é amor. Aqui é futuro. Aqui é liberdade.

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