2 years.

É engraçado tentar colocar em palavras pelo menos alguns meses de histórias tão complicadas quanto nós mesmos somos. Só que eu não consigo evitar, e se você me conhece deveria entender que é assim que eu absorvo e supero tudo que acontece no mundo.

Quando uma garotinha que eu conhecia morreu uns dois meses antes da Copa, assassinada e estuprada pelo padrasto, escrevi para lidar com a dor. De alguma forma precisei desabafar para superar o quanto me senti amargurada por ter que encontrar a família da garota, as irmãs, e perceber que o Estado era tão ausente para aquelas pessoas e tão presente para as que frequentaram o Maracanã na época.

Quando eu terminei com o Victor, escrevi também. Eu fui tão decidida e forte na frente dele, me senti tão aliviada, mas naquela noite eu não consegui superar o quanto tinha sido fácil me desfazer dele e precisei desabafar para deixar aquilo para trás. Para deixar o medo de nunca me envolver verdadeiramente com alguém.

E por último, quando finalmente veio a saudade aparentemente insuperável, escrevi sobre o meu avô. Sobre a minha bisa. Escrevi e me senti esclarecida, me senti bem resolvida.

Eu funciono assim.

A questão é: por que eu demorei tanto para conseguir vir aqui?

E a resposta talvez seja porque eu não acreditei que poderia superar até hoje. De alguma forma, ainda não tinha respostas ou soluções para a tremenda dor que me dava ao encarar você e não te ver ser 100% do garoto que eu me apaixonei. Eu não sabia o que fazer. Porque por um lado, eu entendia tudo que você dizia e queria te fazer feliz, mudar, e por outro me sentia completamente impotente. Como sair de um buraco que eu nem entendia onde estava, ou do que era composto?

Insegurança é um termo perigosamente genérico.

Você se sente um bosta por não me fazer sentir segura, eu sei disso. Mas nem eu entendia como você conseguiria essa façanha até hoje.

Eu percebi duas coisas: a primeira, eu comecei a sentir que tinha direitos sobre você. E a segunda, que você passou de namorado livre e apaixonante para uma “coisa” que eu amava mais do que qualquer coisa. Eu realmente te amei com tudo que tinha aqui dentro e aí dentro, com as coisas boas e as ruins. Entretanto esse amor foi fraco para me impedir de ser egoísta, até hoje.

Iludidos, achamos que encontraríamos a segurança que tanto queríamos em direitos sobre o outro. Eu sei que não fui só eu que fiz isso. Quando a gente tem medo, se apega de acordo com o laço mais forte que nos cerca: o familiar. E o que é o laço familiar senão direitos e deveres perante o Estado? Meus pais devem me proteger, eu tenho direito a isso até os 18 anos, quando me torno emancipada por lei. Eles tem direito de me dizer quando sair, quando entrar, e aqui em casa até mesmo quando falar.

Eu nunca quis reproduzir algo tão doentio quanto achar que eu tinha algum direito ao te manipular com o meu amor. Com te prender, te limitar, te colocar numa bolha. Só que em alguma situações, principalmente no começo, fui dormir me sentindo segura. Quem nunca?

A partir daí, ladeira foi o que não faltou para que nos jogássemos no abismo que é o desencontro. Você queria voar, e eu também queria, mas tinha medo de com isso me tornar alguém ainda mais insegura. Me magoar. Ser abandonada ou algo do tipo.

Eu te amo, e não estaria escrevendo com tanta honestidade se não amasse. Me desculpa? Porque eu honestamente não acho mais que encontrarei segurança em limitações e cercos, mas um dia eu achei.

O momento em que a ficha caiu foi quando eu li o “Olha só, Moreno” e notei quanto sentimento eu tinha quando disse que me senti segura no seu abraço. É isso. Eu só preciso de você do meu lado, seja no dia seguinte, seja na mesma noite, seja pelo menos na mesma semana. Eu só preciso olhar nos seus olhos e te encontrar. Sentir que estou no meu lar, no conforto do meu amor, do cara que jamais me machucaria ou faria algo que pudesse me quebrar em mil pedaços.

Desculpe por me irritar tanto com as garotas. Eu acho que tudo tenha se intensificado porque nesse ano foram tantos estresses, internos e externos, que nós mesmos ficamos ausentes um do outro.

Eu garanto, Lui, com tudo que tem aqui dentro, que eu só preciso me encontrar aí dentro de novo e preciso demais que você se encontre aqui dentro também. Preciso dos nossos abraços, dos nossos suspiros, da nossa vontade de viver juntos. Só preciso me sentir conectada. Essa foi a segurança que me fez entrar de cabeça nessa paixão, nesse amor, e sinceramente é o que tem faltado e nós dois sabemos disso.

Tente ser tão racional e emocional quanto eu. Você não é uma pedra, muito menos alguém muito diferente de mim. Nós somos complementares e compatíveis. Nós somos um oasis no meio do deserto um pro outro e eu só preciso que você fale na mesma língua que eu para sentir o quebra-cabeça finalmente se encaixando.

Nós somos peças de quebra-cabeça, sempre fomos. Tem textos sobre isso, né? E é por isso que eu digo: eu só preciso do seu abraço, do nosso encaixe. Não preciso te limitar, não preciso ficar zangada por saber ou ver você falando com garotas, não preciso ter medo de novas amigas. Se nós formos mesmo conectados, a minha segurança vai estar no seu abraço e não no fato de que você não fala com garotas por minha causa, sabe?

Eu me enganei. Eu achei que o ciúme podia ser causa da minha dor, e não a consequência. Mas quando a gente se perdeu, ele só aumentou e eu sinceramente acho que eu só preciso que você acorde. Que a faculdade vai ser difícil, que o estágio um dia vai ser impossível de conciliar, mas você vai dar um jeito porque nada é impossível para os que tentam e mesmo que seja, você vai ter um ombro amigo (oi) para te ajudar a levantar e tentar de novo no dia seguinte. Eu te amo. Eu quero estar do seu lado, e não me sentir incrivelmente sozinha só porque você está preocupado. Eu sei que você é tão novo quanto eu, então, o que eu peço nesses 2 anos de namoro é que você acredite na força do seu abraço e do seu olhar compreensivo, do seu olhar que me fez gostar mais de mim, e não dos seus gritos que só me fizeram ficar na defensiva e te atacar de diversas formas.

Juro. Meus erros, são meus e eu não vou mais fugir deles, por nós. Porque eu faço isso NA VIDA, e não só com você. É um crescimento pessoal. Mas que a gente entenda que essa não é a causa nem de longe, nem de perto do que aconteceu para acordarmos aqui. A causa nunca é tão óbvia, simples ou unitária.

A gente se perdeu porque viver e equilibrar a faculdade, os amigos, as expectativas, as famílias, as desilusões e o nosso amor, tão rebelde e tão intenso, é uma loucura. A gente só aprende respirando fundo e não desistindo. A gente só aprende quando para de tentar resolver e só observa.

Eu senti falta da segurança que eu tinha no seu abraço, ainda estou sentindo na realidade. Mas a cada dia que passa, tenho mais e mais esperanças. Sinal disso é eu estar escrevendo antes de te dar banoite. Ritual de dias, de meses… E que seja de anos. Porque eu te amo e não quero desistir. Nem de você, nem de mim, nem do nosso amor.

Obrigada por ler. Que esse seja o adubo que o seu coração precisa. O meu só vai andar quando o seu também se mover.

Tinhamo.

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