Little Hell.

Eu não preciso de muita coisa, sabe? Ouvindo aquela música de novo eu notei uma coisa meio cômica, meio trágica. O difícil aqui dentro tem muito mais do que eu nem sequer tenho noção do que de coisas que eu poderia tentar te avisar.

Só não menospreza, viu? O alertável é bobo, mas ainda faz parte de mim. Por exemplo, odeio gente desanimada quando a noite está só começando, minha síndrome de adolescente eterna. Prefiro ficar de amorzinho do que qualquer outra coisa, mas não tenho muito jeito para gestos afetivos. Não tenho muito de jeitosa, aliás. Dois pés esquerdos, nem o waze me ajuda quanto estou em outro país/cidade, nunca sei se dou doisbeijinhos-umbeijinho-trêsbeijinhos-apertodemão quando conheço alguém. Eu odeio discutir com pessoas mais velhas, odeio discutir sem ter lugar objetivo saudável ou subjetivo doido para chegar. Tenho mania de cantar sozinha, se já cantei pra você, sinta-se especial. Se não, bom, você fica me devendo uma. Sei tocar violão, mas apreciei ontem a noite que mal consigo tocar Jota Quest no ritmo certo. Ah, odeio Jota Quest. Gosto de Guns, gosto de The Kooks, mas se quiser me dar paz, opte por Exaltassamba. Achei que nunca gostaria de FalaMansa, hoje eu escuto todo dia e sempre me faz sorrir. Só as melhores pessoas apreciam um bom xote. Falando em xote, passei da fase dos shots. Descobri isso na antepenúltima vez que saí. O fato de que saí para fazer a mesma coisa duas vezes após a descoberta diz muito sobre mim: dificilmente digo não se vai causar dor de cabeça. Mudar o roteiro de qualquer coisa por mim? Nem que me paguem pra ser chata desse jeito. Se bem que… Se o programa é São Salvador, me pula. Finge que não me viu. Cria de buxixo não tolera aquela fumaceira, desculpa. Desce mais uma torre, que aqui temos uma menina que aprendeu a gostar de cerveja como uma mulher aprende a gostar de vinhos. Sinto que serei uma menina eterna. Eu detesto a ideia de imortalidade tanto quanto detesto a ideia da mortalidade. Complexo? Espere para eu soltar minhas explicações sobre as anormalidades que surgem no dia a dia, tenho um ponto de vista muito abrangente sobre tudo. Minhas hipóteses raramente caem sobre o óbvio, a vida é menos previsível do que achamos.

E sim, apesar de tudo, me considero imprevisível e é exatamente essa característica que sempre me impediu de imaginar algum corajoso que ficasse mais de um aniversário do meu lado. Não adianta, eu sei no fundo do meu coração que nem o primeiro pedaço, nem o desejo ao soprar as velinhas, nem mesmo o sorriso-de-sempre da minha avó segurará alguém caso algo aqui dentro não mude.

Acho que sou imprevisível porque no fundo tenho medo de seguir o óbvio, mesmo inconscientemente, e ficar vulnerável. Se ninguém souber o que vou sentir e querer no mês que vem, quem sabe se torne mais difícil me magoar. Me pegar naquele momento mais apaixonada por ele do que os barrenses pela linha 4 do metrô, e créu! Oportunidade perfeita para me contar que os sonhos dele não se cruzam tanto assim com os meus, hora certa de me falar que conheceu o (outro) amor da vida, chance de me fazer ver que na realidade ele precisa de espaço de tudo e todos. Isso sempre acontece, né? Por que comigo seria diferente se eu não fosse diferente?

E me viciei nisso. Na quebra de expectativa. Mesmo que isso me privasse do verdadeiro amor, mesmo que isso me roubasse o ar em algumas crises de não ver sentido nenhum na existência. Que loucura, né? A gente prefere evitar “a mágoa de amar sozinhos”, mas sai com aqueles amigos de festa mais vazios que o nosso copo na metade da noite. A gente prefere evitar a ferida no coração e por isso enfeita e disfarça o vazio que fica bem mais feio do que uma cicatriz ficaria.

E pensando nisso… Eu engoli em seco no meio da madrugada. Eu sempre fui a adolescente a favor de cicatrizes, apaixonada e sonhadora com a possibilidade de viver um grande amor. Se tivesse cicatriz, e daí? Não tem nada mais bonito do que a prova de que você se arriscou em algo que a maioria das pessoas nunca vai ter nem chance de ver com os próprios olhos.

Eu era essa garota. Juro que era. Procura aí no blog, eu juro que era. Deve ter foto com os brilhin nos olhos.

Sinto muito, eu de 2012. Te decepcionei. Me tornei a ridícula imprevisível que mal se entende, mal se conhece, mal se entrega e é capaz de não conseguir enxergar um palmo a frente do rosto tamanha a falta de prática de parar e dar a cara a tapa. Aprendi a fugir, sei lá com quem, síndrome de personagem dramática. Que pena, porque justamente sempre fui muito mais a garota que olha feio pro babaca que me canta na Central do que a que corre. Sempre fui muito mais corajosa burra do que calculista precavida. Mas hoje… Pelo visto… Sou uma fraude. Minha metamorfose me trouxe aqui: uma garota que sonha em segredo com aquele amor inacreditável, mas que tem uma dificuldade absurda de se entregar.

Veja bem, meu bem, eu não sei exatamente se te ajudo ou te atraso te detalhando especificamente isso sobre mim. Deve dar a impressão de que sou amável, no fundo, quando na verdade eu sou quase impossível mesmo. Eu tenho um passado, tenho meus medos, tenho minhas convicções… Como ultrapassar tudo intacto? Não tem como. Aliás…

É quase impossível me amar de coração inteiro disposto e sonhador, mas é ao quase que eu me agarro todos os dias antes de dormir. Acho que o segredo é que intacto ninguém nasceu para ficar. A gente só precisa saber escolher por quem vai se meter na selva, por quem vai se arriscar a andar sem waze, por quem as cicatrizes valerão a pena quando chegar o tempo da cadeira de balanço no sol das 9h.

Não que eu saiba de alguma coisa. Eu só torço, do fundo do meu quebradiço coração, para que a minha teoria faça sentido e nos livre de um possível Little Hell.

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