Bicho apaixonado.

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Bicho apaixonado costuma se achar bicho medroso, né? A gente se perde em pensamentos, umas mil vezes por dia, sobre as milhares de possibilidades que o mundo traça e que beiram ao infinito se cairmos na real de que cada um carrega seu coração para onde bem entender. Se duvidar, você leva o seu coração para outra história e o meu fica nessa aqui mesmo. O meu fica, o seu vai, tudo que é “nosso” vira passado e a sensação vai ser a de que te perdi na última piscadela que dei ao passar o rímel.

Rápido, definitivo e que resulta em milhares de danos que talvez nunca cicatrizem.

Só que aí a ficha cai e não, nada acaba tão rápido, tão definitivamente, nada causa tantos danos eternos. Na verdade, vai ser lento, doloroso, ter várias fases confusas e a cicatrização vai ocorrer ao longo da dor, o processo é a própria cura.

De repente, uma nova piscadela e você se dá conta de que essa é você de novo planejando o fim, caindo numa real que nem mesmo chegou perto de acontecer, desacreditando no melhor projeto da sua vida só por ter acordado insatisfeita com o reflexo no espelho.

Te soa mais fácil premeditar a desesperança, porque nem em um milhão de anos você imaginou ser tão amada por alguém além de você mesma, afinal, quem é que conseguiria entender seus dramas, medos, seu senso de humor, sua vontade de ficar em casa em detrimento da agitação do mundo, a vontade de sair nos momentos mais imprevisíveis, sua indecisão que nunca te deixou em paz, ou aquela estúpida mania de acreditar no amor verdadeiro – romântico, bobo, leve e eterno?

E ele me pede para acreditar que estou segura. Doce e gentil, como aquele beijo de despedida onde os lábios dele pareciam tão despretensiosos, mas conseguiram ficar com metade do meu coração após o contato. É isso que acontece toda vez em que ele me pede para acreditar fielmente na segurança que o amor nos dá. Metade de mim, inteiramente calma e confiante.

Mas o quão seguro é se sentir seguro?

O quão seguro é abaixar a guarda, definitivamente, e esquecer que em uma piscadela a vida pode prestar contas de ter me feito a menina mais feliz do mundo nos últimos meses?

Metade de mim, mesmo apaixonada, sofre com a certeza de que sobram motivos para que ele decida partir, devagar, sem nem notar, descuidar do nosso amor como quem esquece de regar uma plantinha.

Isso é síndrome de quem acha que não nasceu para ser feliz. Isso é o velho sentimento de não merecimento, é a voz que te envenena e estraga qualquer momento se você não for esperta o suficiente para dosar sua introspecção. Nesses momentos, qualquer lugar é mais benéfico do que aí dentro, mas você releva.

Você releva porque quando ele sorri junto contigo, inicia-se uma sinfonia que nada, nem ninguém, deveria ter coragem de interromper.

A metade que carrega a adrenalina de fazer tudo o que for possível e impossível por vocês, reage como uma medicação e te faz ter cor, vontade, sonhos e garra novamente. Nada vai ser mais forte do que vocês, nunca existirá força – do mal ou do bem – que se compare com o poder do que vocês sentem quando estão juntos, contra tudo e todos, contra quem nunca entendeu direito essa história – do começo ao fim.

É, rapaz. Bicho apaixonado é bicho medroso, mas verdade seja dita: nem só de medo vive esse serzinho, porque precisa ter coragem para viver dia após dia nessa montanha russa de sentimentos, escrever tanta bipolaridade e acordar rotineiramente com o amor intocável e forte, com a vontade de ver a pessoa, conversar, se entregar mais uma vez, tirar aquela foto e colocar de plano de fundo. Rir até cansar, acreditar, de novo, no potencial que vocês tem de serem finalmente o amor que você sempre pensou, sonhou, quis e perseguiu.

 

 

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