Follow the sun.

Eu costumava tentar fugir do que eu tinha medo. Como uma criança inocente, mesmo já tendo idade para me virar sozinha, eu evitava o que pudesse e conseguisse. De uma forma assustadora, fui encontrada por todos os meus maiores temores antes mesmo de completar 21 invernos. Não adiantou recusar a viagem ou usar repelente, muito menos ter ficado em casa naquela noite. Então, como nada mais do que uma singela colaboração, resolvi dividir o que eu aprendi empiricamente nos últimos anos.

Para começar, não há quem te proteja. Os melhores amigos, pais e seguranças são apenas pessoas, assim como você. E dessa forma, amiga, amigo, eles são tão vulneráveis quanto você. Essa jornada que trata de auto-conhecimento e superação é apenas sua.

Resolvido o fato de que você só vai precisar de um passaporte, acho de bom tom reforçar que não adianta se auto-sabotar. Digo, se você vai ter todo o trabalho do mundo de sofrer com o fracasso, por que diabos incentivar os que já se empenham em te detonar? Seja forte o suficiente para ficar no seu próprio time. Seja forte o suficiente para acreditar que você consegue, mesmo que esteja sozinha, mesmo que seja você contra o mundo. Definitivamente nada é um precedente para o fracasso. Na verdade, quando eu estava sozinha, me sentia finalmente segura. Só demorei para entender isso devido à minha incapacidade de achar que a minha própria companhia me bastaria.

A partir do momento em que você já entrou no avião e suspira com um leve sorriso, eu preciso ser a portadora de difíceis notícias: não vai ficar mais fácil só porque você se sente segura. Ao invés disso, a vida não vai pegar leve, nem será sempre justa. Mesmo depois que parei de fugir de alguns medos, enfrentei e fui absolutamente massacrada de vez em vez. Não foi uma caminhada de sucessos impactantes.

Só que a cada enfrentamento, cada vez que o chefão do último nível do desafio aparecia, eu estava menos e menos despreparada. A vida não vai parar de bater, certo? O que importa é o quanto você está disposto a apanhar e continuar levantando, continuar seguindo.

Acho que o fator mais assustador nas pessoas que convivem comigo é o quanto fogem sem nem raciocinar quanto aos seus motivos. Tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Talvez se eu tivesse me apegado mais às chances de algo bom acontecer naquela viagem, eu não teria ficado e experimentado meus medos aqui, na minha própria cidade. Seus medos mascaram, muitas vezes, o que você mais quer. Então por que diabos ceder e desistir dos seus verdadeiros sonhos só por causa deles?

O ponto mais engraçado em mim, e no texto, é que eu não sou imune ao medo. Não me tornei imune ao fato de que da próxima vez, na próxima batalha, posso não ser forte o suficiente; e só o simples raciocinar sobre isso já me faz tremer na base e postergar atitudes todo santo dia. Eu ainda me auto-saboto e tiro as pessoas do sério com o meu dom de desconfiar do meu taco. Mas sabe de uma coisa? Apesar dos pesares que existem em cada momento inseguro vivido, não tem nada de errado nisso. O que eu mais aprendi nesses últimos meses foi que não tem nada de ruim em não seguir regras ao pé da letra, porque ninguém nunca consegue segui-las sem se queimar de alguma forma.

Recebi conselhos terríveis para vencer a insegurança, nem queiram saber, e no final das contas decidi que a regra não é ser corajosa, foda, encarar de frente e não tremer na base nunca. A regra é seguir o seu próprio coração, e ninguém aqui disse que ouvi-lo é tomar atitudes imediatas, é aceitar tudo ou nada. Pondere. Esteja disposta a saber que está sozinha, esteja disposta a saber que você não é a fraca que as vezes se considera. Esteja disposta a apanhar pelo que acredita e levantar como quem não tem medo de continuar apanhando se isso significar continuar sonhadora, leve e viva.

Viver é isso, e faz parte do “não fugir”: as noites insones, as lágrimas, o medo. Já as risadas vazias, o sono pesado graças aos remédios, o desdém no olhar, isso tudo tem a ver com fugir.

A minha experiência empírica foi ser confundida com uma covarde todo santo dia e, mesmo assim, colocar meu coração no fogo como se ele não tivesse outra função. Como se ele tivesse nascido para aquele momento. Eu apanhei e chorei, sofri, tive crises e fui amplamente criticada por isso, mas todos os dias eu encaro uma garota no espelho que não está mais de joelhos. Eu encaro uma garota no espelho que mal pode esperar pela próxima aventura, pela próxima oportunidade de mostrar que se todos temos um propósito, o dela é de continuar.

Pr’onde? Nem eu sei. Mas definitivamente não perco mais nenhuma viagem ou noite, aventura ou sonho. Sentir medo é normal, e isso não deveria nos impedir de absolutamente nada. Fugir é sinônimo de ignorar o medo. Ficar, ir, fazer o que der na telha é o que a gente precisa para deixar a dormência e experimentar o que pode acontecer se decidirmos colocar a cara no sol.

As lágrimas? Garantidas. As porradas? Daqui a pouco chegam. O arrependimento? Espere por ele sentado. Como diz o ditado, ninguém se arrepende do que faz, e sim do que não faz.

 

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