Adiós, correntes.

Impreterível é a arte de ir longe com uma boa música. Subitamente já não estou lá, senão estaria morta. Estaria arrasada. Estaria quebrada. Quando aprisionam sua alma, não te resta mais nada além da resignação até o dia em que deixar de enxergar o sol quadrado, e por isso me intitulo artista.

Pouquíssimas coisas até hoje trouxeram uma sensação de liberdade. Todas as outras me soaram tão mortíferas quanto um acidente de carro. Se por um acaso eu não me senti mal e acabei destruída, foi sorte. Foi benção e livramento. Foi imprevisível.

Então, eu ouço essa música como quem aproveita os últimos seis minutos no céu. Eu aproveito essa paz como quem sabe que há muito o que enfrentar daqui pra frente. Irônico, não? No meu único momento de paz em tanto tempo, eu desabafo. Eu reflito sobre o inferno que é a convivência com pessoas tóxicas e insuportavelmente vazias. Eu desabafo toda podridão recolhida nos últimos cinco meses.

Nunca tive medo de desafios, mas sempre guardei arrepios pela ideia de conhecer pessoas conformadas, desiludidas e frias. Alguns me chamam de utópica, de sonhadora, de maluca… Eu só sorrio.

Se tais características são exatamente o oposto de tudo que eu descobri nos últimos cinco meses, eu reservo apenas uma palavra: obrigada.

Sem enxergar o sol quadrado, eu jamais teria dado valor para a liberdade que é ter seus limites respeitados, sua vida tranquilamente reguardada e seus sonhos conservados.

Sem ter vivido essa experiência, ainda seria a menina sonhadora cheia de dúvidas. Com orgulho e fé, hoje posso dizer que eu sou apenas sonhadora.

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