Oh Captain, my Captain…

 

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A gente não escolhe o tal do “ser”. Nós simplesmente somos. Interpretamos papéis que variam desde a naturalidade mais impessoal ao teatro mais pessoal, e torcemos, com todas as forças, para que nos aceitem exatamente como nos enxergamos no espelho.

Eu nunca tive facilidade para acreditar na possibilidade de ser amada. O amor é sinônimo de aceitação. De enxergar a alma da pessoa com todos os buracos e não menosprezar nem sequer a erosão básica causada pela chuva, de acreditar na possibilidade de preencher os vazios, mas não se frustrar com as limitações relacionadas ao tempo ou ao contexto. Aos amantes cabe a fé e a compreensão. O olhar além do que nos reservam os dias vividos no cotidiano.

Então, ao notar como eu sou tão hiperativa, assustada, frágil e impaciente, eu tomei como verdade absoluta que jamais aconteceria. Ninguém iria olhar para a minha inconstância de sonhos e preguiça com vontade de entender, sem julgamentos e com pré-disposição ao amor.

Mas eu olhei. Demorou, mas eu olhei.

Respeitei minha vontade de ficar sozinha em shoppings e terraços. Minha completa intolerância à maldade e às mágoas alheias. Meu coração confuso e assustado. Minha falta de ritmo e tom desafinado. Respeitei desde o fato de não saber andar de bicicleta sem quase ter um ataque do coração a cada novo obstáculo, até mesmo minha falta de destreza tanto para me amar quanto para amar os outros. Me aceitei. Sonhadora espontânea e preguiçosa com uma tendência pesada para a culpa. Adulta com uma saudade enorme de ser criança. Sinto mesmo, ironicamente sem nem lembrar de como era ser tão livre e corajosa, eu simplesmente sinto. Sentimental e fria, fervendo e constantemente em outro mundo, intocável. Uma contradição, apenas pelo hobbie de ter um paradoxo existencial para desenhar e chamar de meu, ou não. Ou Deus disse: desce e se inventa, reinventa e tenta. Tenta todo dia, sem exceção, encontrar uma forma de ser só quem você admite gostar de ser, sem pinta ou cara de ilusão.

Sou a que corta o cabelo sozinha em um domingo a noite por pura necessidade de completar o dia matando a saudade de si mesma, a que cuida muito mais do que aceita ser cuidada; a que acredita muito mais do que transparece acreditar. Sou a última chama acesa no meu interior. Minha última esperança. Descobri que meus heróis são mortais, meus céus limitados, minhas estrelas falecidas. Descobri que só posso te oferecer a minha vida. Com um sorriso leve ou uma lágrima pesada, com um abraço quente ou um coração de lata. Com a promessa do “para sempre” em um reino em que só o que dura é o tal do nada. Então, nademos. Com a certeza de que não me falta vontade ou coragem, por você e por mim, por nós e por eles. A gente é muito mais do que disseram que seríamos, e sabemos que somos muito menos do que um dia de fato seremos. Amaremos. Ao mar iremos e ancoraremos em um mar azul, com o céu e nossas almas entrelaçadas. Desafiaremos as verdades absolutas e os segredos mal guardados, lutaremos até o último grão de areia cair. Nad’amaremos. Sem inseguranças ou defeitos relembrados diariamente pelos que ainda não se olharam, sem nós, só laços. Só amassos, risadas e paz.

Dez mil anos de paz pra gente. Vida com gosto de fruta mordida, eternidade com tom de suspiro após declaração com direito à beijinhos no olho, no nariz, na bochecha e no queixo. Intimidade com gosto de satisfação. Dez mil anos de paz pra gente, com vontade de se entender, se enxergar como somos e de ter sempre esperança no que seremos. Dez mil anos de paz pra gente, e uma rede com sapatos de dança gastos deixados na porta da sala. Que dancemos a vida, e descansemos os dias.  Que nunca nos esqueçamos do poder do olhar, de sentir a chama viva dentro do outro, do segredo que faz o outro reviver toda vez que o vento sopra. Amor. Aceitação. Eu, você e o para sempre. Nada. Muito. Comigo. Nad’amaremos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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