Olha só, moreno…

Então, como andam suas cicatrizes de guerra? Hoje você comentou que até gosta de tê-las pelo corpo, e eu sinceramente sorri por dentro ao achar que elas até que caem bem em você. Não só as que remetem às imprudências na cozinha, mas aquelas que ficam depois de todas as tempestades que enfrentamos ao tentar proteger nosso amor. Eu sei que eu pedi as rédeas aqui, nesse mesmo lugar, dessa mesma forma, mas até Deus sabia que quando se trata de amor a gente não pode arrastar ou guiar ninguém. Nesse último ano, eu notei que não se trata de te conduzir, e sim de te fortalecer nas suas fraquezas. Olhar nos seus olhos nos piores dias e não desviar o olhar. Lutar pelo sorriso no fim da noite, pesquisar notícias engraçadas para evitar que a vida nos pese e nosso amor sufoque diante de tantas preocupações e frustrações. Afinal, nosso primeiro ano de namoro foi o ano em que o Brasil viu a pior face da crise, o ano em que meus sisos me maltrataram, o ano em que você quase ficou estéril e na sua fase mais difícil relacionada à vida profissional. Existiram situações complicadas que foram inalcançáveis ao nosso amor, mas hoje, refletindo, eu sei que nós tivemos a melhor estratégia possível e cá estamos graças a isso: nós mantivemos nosso amor inalcançável também.

Perdi as contas de tantas aventuras 0800, de tantas dr’s e reflexões complicadas na Praia Vermelha, desabafos incontáveis de madrugada, embates baseados em fragilidades que aos poucos fomos remendando e vencendo, juntos, sem deixar sequer uma baixa para trás. Nós superamos as nossas dificuldades e rimos, sorrimos, descobrimos, nos permitimos a felicidade de amar e sermos amados. Ultrapassamos limites que eu jamais cogitei nem mesmo chegar perto, vivemos cinco anos em um e eu nunca vou esquecer a sensação maravilhosa que foi dormir e acordar do seu lado todas as vezes em que nos foi possível. Nós inventamos um mundinho só nosso. Sempre que eu achava que tinha sido demais pra você, lá vinha o senhorito, batendo na porta e me olhando com aquele sorriso torto: “é só isso? você realmente estava achando que eu surtaria… com isso?”. É, eu achei. Achei que a essa altura eu já estaria desiludida em algum canto, e definitivamente nunca imaginei a chance de estar assistindo Mr and Mrs Smith e me identificar tanto com um casal que se ama a ponto de morrer um pelo outro. Aliás, melhor ainda: que se ama a ponto de tentar viver por esse sentimento, enfrentando o mundo e qualquer um que se oponha.

Nesse ano de 2016, eu sinceramente quero dizer que seus olhos continuam sendo as duas amêndoas mais incríveis que eu já vi. Sob suas grossas e alinhadas sobrancelhas, eles já me contaram segredos inesquecíveis e conseguiram matar incontáveis monstros que me aterrorizavam com frequência. Seu sorriso, apesar de termos vivido mais de 365 dias juntos, continua sendo o ingrediente mais certeiro para me proporcionar um frio doce e imprevisível no estômago. Seu cabelo, enroladinho e de cor castanha, continua sendo um rouba-suspiro. Você chega, passa a mão no cabelo, balança a cabeça e sei lá, eu sinto uma espécie de fraqueza. É tudo meu, Deus? Jura?

Eu sei que o mundo é um lugar hostil, sei que as pessoas não estão acostumadas a dar e a receber amor, e muito menos respeitar o amor alheio. Sei que sou falha. Sou extremamente falha. Dizem que em uma entrevista de emprego eu não posso apontar defeitos, e você também não gosta muito quando eu me coloco pra baixo, mas, meu amor, não se trata disso. Eu admito minha essência humana porque quero ser abraçada, cuidada, remendada e compreendida em todas as vezes que não for perfeita. Quero que a gente olhe para as nossas cicatrizes de guerra, da luta pelo nosso amor, como se fossem um tesouro. Todas as vezes em que você brigou comigo até hoje, eu digo e repito: foi pelo meu bem. Foi para que eu amadurecesse, e evoluísse, junto contigo, nisso que a gente chama de relacionamento. Obrigada por isso. Você não se esquivou em nenhum momento,  moreno. Nem de sentir, nem de me fazer sentir. Você me esquentou com o seu espírito inquieto, apaixonado, sonhador e obstinado. Você me protegeu da frieza do mundo, me encantou como em um feitiço. Sou atraída tanto pela sua forma de falar quando está realmente animado, quanto pelo seu olhar caído e vulnerável quando algo te perturba.

Eu só queria pedir, se não for muito, para lembrar que eu sou a menina que te ama a ponto de sentir o coração ficar menor do que uma noz, de tão comprimido, ao cogitar abrir mão de você. Me furta o ar, a tal possibilidade. Eu sei que sempre vou te dar trabalho quanto a andar em lugares quentes ou desconfortáveis sem chinelo. Sempre vou te irritar sendo mandona quando estou com a cabeça em outro lugar, e também não conseguirei abrir mão de toda a sensibilidade que me foi investida pela lua. Entretanto, eu prometo sempre ser seu porto seguro. Mesmo dentro de uma tempestade. Prometo sempre estar em condições de te dar amor. Prometo morder seus lábios quando as aftas sumirem, mas beijar carinhosamente quando elas voltarem. Prometo fazer cafuné independente do momento, lugar ou circunstância. Prometo te ouvir, e te achar o cara mais legal do mundo, porque você realmente é.

Quando eu era pequena, visualizava o amor de uma forma muito mais simples, mas muito mais superficial também. Com você, eu notei o quão maravilhosa pode ser a experiência de ser totalmente honesto com alguém quanto a sentimentos e receber de volta na mesma moeda. E pode parecer loucura, mas as vezes eu realmente acredito em milagres. As vezes eu realmente acredito que você é o meu. Em um mundo abarrotado de gente que só sabe pensar dentro de uma caixa escura e mal cheirosa, apareceu você, com havaianas, short e um par de mãos tão delicadas quanto prontas para serem usadas de todas as formas possíveis. Eu sei, esquisita, né? Mas eu amo as suas mãos. E os seus pés. E a sua barriga, e a sua costela esquerda e também a direita. Eu amo cada centímetro do seu corpo e é por isso que eu digo e repito: me perdoa por ser uma doida ciumenta? No fundo, eu só sou uma gatinha escaldada que se acha pior do que qualquer garota que esbarra em você, mas que, por outro lado, sabe que é a única capaz de te amar de corpo e alma. A única capaz de te olhar como se você fosse realmente um super herói e ao mesmo tempo só um garoto indefeso; e, do fundo do coração, ninguém que te enxerga diferente disso é capaz de ser tão apaixonada. Portanto, por favor, pelo meu dedinho torto, pelas minhas meias roxas, pelo meu umbigo, pelo seu número dois intocável-falável-e-imaginável, não me troca não. Por mais que você seja uma caixinha de bombom’s-surpresa, mantém o ritmo de 2015 e continua vendo sei lá o quê em mim, mas continua. Eu preciso de você. De toda a sua mansidão que me ensina tanto, tanto, da sua voz baixinha no meu ouvido que tem o dom de me deixar maluca e em outras horas me fazer a pessoa mais segura do mundo. Dos seus olhares preciosos e profundos. Das suas ondas, sempre enormes e assustadoras, mas apaixonantes e cheias de cheiro de destino e aventura.

Nesse próximo ano, meu amor, eu acho que devemos viver um dia de cada vez no que diz respeito aos nossos momentos difíceis. Sabe por que? Porque a gente decidiu que vai morar como franceses numa casinha em Paris, e vai fazer dela o nosso lar, mais um, dos nossos tantos. E pra gente chegar lá, no mínimo temos que nos ajustar à ideia de que não tem pra onde fugir com nossos monstros e medos. Não dá para usá-los um contra o outro, muito menos usá-los para esconder nossos sentimentos verdadeiros. Não dá para desistirmos quando ainda nem enfrentamos o chefão lá na fase final! E mesmo que venhamos a enfrentar, nunca se sabe, eu só quero deixar bem explícito que já venci uns 893 chefões jogando Mário e a dificuldade – que se dizia aumentar – com o tempo só estabilizou e se tornou completamente derrotável. Enfim, com tudo isso, não vamos cobrar demais de nossos sortudos corações. Vamos tomar água de cocô, ou coca-cola, e simplesmente apreciar mais um pôr-do-sol. Vamos rir e jogar areia um no outro, sem medo de ter que reencontrar os grãos só quando você finalmente deixar eu raspar sua cabeça enquanto estiver dormindo. Vamos aceitar que as vezes a gente não pode fugir das cicatrizes, e sim se orgulhar de tê-las e continuar respirando. Continuar sorrindo. Vamos continuar nossas partidas de buraco, nossas peladas na sua garagem e idas na lagoa. Vamos fugir pra Praia Vermelha, pro Aterro, pra Terê. Vamos nos encontrar no meio do caminho quando não for possível correr até o outro. Literalmente e não literalmente falando.

Só me abraça, moreno. Porque você não é sinônimo de problema, nem de confusão. Você é meu raio de sol, meu edredon no frio, minha caixa de bombom’s no meio da chatice que é ganhar barra de chocolate. Você é sempre meu disque-surpresas, meu alicerce mais bonito.

E mesmo que as coisas mudem, os gritos apareçam e a dor tome conta da cena, eu só te peço para entender que a vida nunca foi dita fácil, mas também nunca foi considerada impossível. A vida vai fazer tudo aquilo que o discurso de Rocky Balboa disse, mas depois que eu te conheci, eu entendi porque mesmo sendo uma garotinha mimada e medrosa iria conseguir superar. Tudo. Absolutamente tudo é superável por você. Os medos, os ciúmes, a dor, a raiva, os mimos e os erros.

Então, segura e deixa o cinto colocadinho. Nós estamos indo a 200 km/h, mas estamos bem. Cortaram nossos freios, temos 20 anos e o mundo mal pode se conter para ver nosso sucesso; ou seja, é agora ou nunca. Nós estamos investindo tudo que temos em projetos e sinceramente nada me dá mais orgulho do que ver nossas almas trabalhando juntas, nossos cérebros se alinhando e nossos sonhos se firmando. Eu sei que independente do resultado o que importa é que eu poderia estar em qualquer lugar do mundo, verdade, mas o único canto que eu deveria e iria querer, é do seu lado.

Eu tinha tanto pra falar, sabe? Tanto pra te contar! Meu coração tem explodido diariamente. A vida me deixa assustada, excitada, emocionada e um tantinho confusa. Mas você tem sido a peça essencial para que eu sinta que independente de onde me mandem, eu tenho pra quem voltar. Seja pro interior do Direito Constitucional em uma tarde difícil, seja para uma mesa de escritório com responsabilidades e deveres. Eu sei que você tá logo ali, é só eu clicar 0371 e te achar com aquela foto tocando guitarra e com os cachinhos predominando. Você vai estar de braços abertos, sorriso manso e coração disponível, você vai estar comigo.

Não fique ansioso sobre tudo que eu tinha pra te contar. Eu já contei. Todas as emoções de estar do seu lado há um ano, todo o sentimento multiplicado por mil ao passar a virada nos seus braços, toda a segurança que eu tenho ao te ver caminhar na minha direção. Eu te amo, é simples, leve e certeiro. Não tem quem negue, não tem quem me dê uma ocupação melhor. Viver a vida ao seu lado tem sido mais do que um sonho; e sim um privilégio. Toda vez que eu chego em Laranjeiras, juro que sinto o bairro sorrir e só falta o seu porteiro me bater, mas deixa ele com aquela cara de bunda. Eu só preciso entrar no elevador, apertar o 3 e me preparar pras unhadas do Snow. Eu só preciso te abraçar assim que passar pela porta e me sentir em casa.

Eu não sabia que eu podia me sentir tão bem do lado de alguém, Lui. Mas eu me sinto. Obrigada por isso. Obrigada por cada momento vivido e costurado na minha mantinha abstrata que me faz dormir quentinha toda noite. Porque mesmo que os pesadelos me perturbem, a realidade é doce: eu sou sua.

As coisas ruins tem sido menores do que as boas, certo? Deve ser por isso que me sinto tão alimentada e disposta a te amar todos os dias de manhã. Vai saber!

Que a gente tenha o espírito guiado pelo amor, sempre, para que independente de tudo, continuemos juntinhos cheirando o pum do outro. E digo mesmo: que você continue do jeito que está, me amando, cuidando, beijando, entrando nas minhas ondas e me fazendo rir das coisas mais idiotas possíveis. Você é bobo, amor, e eu agradeço todos os dias papai do céu por isso. Quem seria eu sem as suas bobices? Alguém menos irritada, certeza, meu suvaquinho que sabe bem, mas também seria bem infeliz. Bem vazia.

Você me deu cores. Eu sinceramente espero que eu ainda consiga te deixar colorido, leve e solto. Que eu ainda seja o combustível para a sua alma ser contemplada e maravilhada com a vida. Que eu sempre consiga conter suas lágrimas, amaciar sua raiva e sarar suas feridas. Porque se eu não for a menina que vai transformar te cuidar, ah, não quero ser menina nenhuma. Virei trans. Brinks. Te amo.

Eu te amo de verdade, tá? Verdade verdadeira.

Que esse ano eu me transforme um pouquinho mais na mulher que um dia eu serei completamente, mas não esqueça o quão perdidamente apaixonada por você a garota de pijama era e prometeu para sempre ser.

Você me rouba suspiros, Lui. Acredita na gente, põe fé na gente, pede pro papai do céu cuidar da gente… E rema. Tudo nosso, nada deles.

Obrigada.

12/01/2016.

Raquel.