Confiar.

Eu nunca consegui brincar daquele jogo de confiança, que se baseava em fechar os olhos e se jogar pra trás, acreditando fielmente que o seu amiguinho que estava logo após, na fila, te seguraria. Sabe o que é nunca? Em hipótese nenhuma. Eu sentia minhas pernas tremerem, mas meu corpo não me obedecia. A minha mais pura dificuldade sempre foi essa: confiar. De mim, não existiam dúvidas: jamais deixaria alguém cair, não daria sustos em ninguém que estivesse bebendo água no bebedouro(não queria quebrar o dente de ninguém), e honestamente não faria nada que pudesse colocar em risco outra pessoa, das coisas mais bobas às mais sérias. Chamem de senso de responsabilidade, eu chamo de trauma por crescer com tantas pessoas tão diferentes à minha volta.

Os garotos achavam tão engraçado, sabe? Quando alguém caía, quando a menina desmaiou – caiu pra frente – e quebrou os dois dentes, quando mentiam e alguém acabava com o estojo perdido durante o dia inteiro, ou a mochila.

Sei que soa ridículo, mas se desde pequena estou com os muros levantados e totalmente consciente de que confiar em desconhecidos é pura insanidade, como é que eu vou praticar esse hábito, do nada, em qualquer esfera da minha vida?

Já perdi celulares porque as pessoas disseram que iam ficar de olho enquanto eu ia na cantina, já me ferrei em trabalhos porque ninguém sabe o que é entregar algo pelo menos antes de 10 minutos. Já paguei rios de dinheiro de táxi porque, ao contrário do combinado, eu queria voltar pra casa no horário e as minhas amigas diziam que a noite só estava começando.

Falar a verdade, ou cumpri-la só pelo fato de ter uma promessa implícita, não foi o forte da maioria dos seres humanos que eu já conheci até hoje e isso obviamente se aplica a vida amorosa. Não tanto pelo lado de que ninguém tenha merecido essa  confiança, e sim porque eu acho a maior loucura de todas você aceitar que uma pessoa tem o poder de destruir o seu coração e agir com sangue frio.

A fase de se acostumar é mais do que intensa: o seu coração simplesmente é imprevisível. Ele vai do céu ao inferno em segundos, porque não existe uma cordinha de segurança para puxar quando as coisas ruins acontecem e as inseguranças aparecem. A tal cordinha, podemos chamar de “confiar no amor da pessoa”, é facultativa até uma fase do relacionamento de vocês.

Só que depois de tanto recorrer à astrologia, catar conselhos em textos, ouvir comentários de pessoas mais velhas – e mais novas -, e tentar achar sinais divinos até naquelas imagens aleatórias com frases de lição de moral, você desiste.

Não é para ser tão difícil assim, é?

Não é para traços negativos do Urano na Sétima te tirar o sono, muito menos para a falta de confiança em si própria te fazer ter certeza de que é inevitável cumprir promessas com alguém tão mimada, inconstante e sem pé nem cabeça na maior parte do tempo.

Não soa justo acreditar tanto no seu próprio amor e não confiar em você, pessoa que produziu e cultivou esse amor tão cuidadosamente, e muito menos amar tanto uma pessoa que não te passe a calma na alma. E se ele passa, eu te pergunto, por que diabos não aceitar que já não tem mais volta?

Seu inconsciente já confiou, você só não consegue admitir pra si mesma: eu estou bebendo água, eu sei que qualquer um pode me empurrar, mas a minha sede é maior do que qualquer neura. Você não consegue acreditar que abriu mão da voz interna que diz: saia imediatamente de uma posição tão vulnerável!

Só que você nunca viveu tanta felicidade, não mesmo, e consequentemente nunca esteve tão sensível às atitudes alheias. Coincidência?

Colocar cadeado no armário da educação física é precaução, não sair do vestiário enquanto todas as garotas não saem é paranoia. E sinceramente? Uma hora, te obrigam a sair, e a curiosidade vai motivar qualquer uma a tentar descobrir o que tem dentro do seu precioso armário. Seria tão mais normal, inteligente e praticamente invisível se você só fizesse suas coisas e saísse, só se misturasse na nuvem de tranquilidade e abrisse mão de ser essa gatinha escaldada.

Não sejamos paranoicos com os nossos amores.

Se ela te namora, você é quem ela escolheu e não tem pessoa na Terra que seja melhor, não agora, possivelmente não amanhã, porque se no hoje você preencher os requisitos de calma na alma, não tem como ela acordar subitamente sem a vontade de te ver. As coisas não são tão instáveis. Não mesmo.

Quando você já foi abandonado em alguma parte importante da vida, esse medo aparece como um fantasma, que te faz duvidar da sua sanidade, porque por mais tranquilo e sublime que você queira – e sinta que possa – ser, algo te impede de acreditar mesmo no que aparece diariamente, sejam nas atitudes dela, seja no olhar que ela te manda toda vez que se encontram.

Para você, eu só digo que te entendo. Te aceito, te entendo e honestamente sei muito bem como é precisar se livrar de pensamentos, sensações e medos, sei muito bem como é imaginar seu coração se partir em mil pedaços, sua cabeça se fechar e as esperanças, enfim, morrerem. Só que eu não desisti de me livrar disso tudo e respirar de novo, sem neuras, e só crendo que mais pessoas estão comigo nessa loucura que é se jogar de cabeça, mesmo que a qualquer momento você possa se machucar e atrair risadas – nunca compaixão -, que eu conseguirei cumprir essa meta.

Meta, sim, porque é uma questão de força de vontade, de força mental, de domínio próprio. O seu amor, aliás, o objeto do seu amor já te deu todas as razões possíveis pra você fechar os olhos e se jogar pra trás sabendo que, com certeza, ele te segura. Agora, é com o seu corpo, com a sua capacidade emocional e espiritual de saber que você sabe que pode confiar, só falta transformar essa intuição, as conversas extensas e pessoais, o seu próprio amor e um tantinho de loucura em uma única atitude: confiar.

Eu confiei em poucas pessoas até hoje. Quando o assunto é amor, o funil nem existe, nunca fui tão corajosa, exatamente por dar tanta importância pro sentimento que pra mim vai muito além de uma diversão adolescente; mas amar é confiar. E eu sinceramente já amo, então honestamente já confio. O que falta na maior parte das vezes é entender que você precisa se aceitar. Aceitar que você já fez isso. Já gostou da voz da pessoa, já mudou seus hábitos tão solitários, já se permitiu sorrir exatamente por tudo que ela faz – de igual ou de diferente -.

Se vocês se aceitaram em algum momento e já vivem juntos há um tempinho, não tem mais volta. Você já se jogou e ela já te segurou, só falta a consciência bater e o entendimento de que deu tudo certo te fazer acreditar que existe mesmo a tal cordinha de segurança. Mesmo quando seu cabelo estiver feio, ou vocês passarem dias sem se ver, ou ainda: quando suas crises emocionais baterem em cheio.

A partir daí, creio eu, o mundo vai continuar caindo de vez em quando, mas vocês vão estar mais protegidos que o resto. A Terra vai tremer, os cômodos talvez inundem, mas no fim de algum olhar as cordinhas estarão lá: uma promessa feita é mais do que dívida, é vida.

Loucura pensar assim, né?

Loucura é amar.

E se der tudo errado, a maior novidade de todas é que não tem como saber ou controlar. Jogue sua astrologia fora, pegue todos as suas crendices e se livre de tudo, vai poupar um espaço bom aí dentro. O amor é uma caminhada de duas pessoas. Se der errado, deu pras duas e você não vai estar sozinha na dor. Afinal, nunca esteve no amor.

Morte, amor e uma madrugada boa.

A morte é uma coisa engraçada, né? Quase ridícula. Alguns nascem e evitam crer nela durante a vida inteira, até que em algum momento, seja por doenças ou vias naturais, se encontram frente a frente e são obrigados a aceita-la de bom grado. Outros, passam a vida inteira se preparando para o momento final. Nesse grupo, eu me encaixo. Desde que me dei conta da minha finitude, perco um significativo tempo com dores de estômago e uma agonia interna que me faz ficar silenciosamente escandalosa. Não fujo do fato: morrerei. Entretanto, não tenho a menor ideia do que fazer com essa informação. Não hoje. Em dias normais, penso que a melhor forma de me adaptar à mortalidade é entende-la e absorver lições que me farão calma e sublime diante desse assunto. Mas hoje… Hoje eu olho para dentro e penso: por que faz sentido viver uma vida na preparação para o fim dela? Não. Nós deveríamos nos preocupar em aproveitar a vida, sim, mas não porque ela tem um fim e sim porque ela começou com um propósito. Ela teve seu início para que cumpríssemos uma jornada que não poderá ser completada por ninguém além de nós.

Eu fico com essa ideia engasgada na garganta: you only live once. Ironicamente, não me vem a vontade de dar a louca, repetir os clichês, me divertir com os panos já usados por milhares de outras pessoas que, no fundo, isso tudo aos meus olhos soam mais como jovens eternamente iludidos. Medrosos. E se tem uma coisa que eu não acho que engrandeça um ser humano é se tornar covarde. Quando crianças, perguntamos o que ninguém com mais de um metro e meio tem coragem de trazer a tona. Falamos com desconhecidos sem julgamentos, sorrimos com a alma, enxergamos além da casca e nos permitimos. Nós sentimos o que tiver que ser sentido, choramos em quantidades astronômicas e rimos também. Nós fazemos birra por coisas pequenas, e nem sequer cogitamos a impossibilidade ser algo real. O que sonhamos é completamente possível, absurdamente cabível de se pedir ao papai noel no natal e ponto final, sem vírgulas.

É inevitável, não? Voltar a alma à infância para conseguir escrever algumas linhas sobre a morte. Afinal, lá, quando nós não tínhamos consciência ou não costumávamos ter tanto medo, as respostas apareciam e nossas noites de sono eram tranquilas. Não precisávamos de remédios, manias ou artificialidades. Uma história, uma oração, um carinho nas costas ou um cafuné, a fórmula era orgânica e extremamente satisfatória. O segredo basicamente era ser sincero.

Sinceramente, tento procurar em mim a garotinha corajosa que costumava ser, desbravadora de mundos e fundos, e só consigo rir. Fato ridículo ou não, hoje choro com insetos e gaguejo ao falar no microfone. Hoje ainda não consigo impor minha vontade acima dos achismos alheios, não me libertei das inseguranças que a pré adolescência me reservou.

Quem me dera, eu penso todo santo dia, que um dia eu acorde e encontre no reflexo do espelho 50% da força e da pré disposição para aventuras que a gordinha de cabelos cacheados tinha. Quem me dera, eu penso, que a ponte entre ela e eu, textos como esse, nunca deixem de existir. Porque traçando essas linhas, eu enxergo toda disponibilidade e coragem que eu tinha e só consigo dizer uma coisa: que a jornada aconteça. Mesmo com tudo que ela possa oferecer, mesmo que nem sempre eu sorria no fim da noite, eu acredito nas manhãs ensolaradas. Acredito que, assim como a mini eu, esquecerei as dores assim que acordar com um “bom dia” amoroso e tomar um café da manhã reforçado. Afinal, se uma criança enfrentou as vacinas, e a convivência com dezenas de adultos que juravam saber mais do que ela, sem desistir em nenhum momento, por que eu, adulta, tenho que achar impossível passar por isso?

Não, se a mini eu conseguiu absorver o alfabeto, os cadernos de caligrafia, as críticas nem sempre construtivas e as discussões sem eira nem beira dos mais velhos, eu só posso dizer que jamais recusaria um convite para continuar recusando todos os rastros de covardia que tantos seres humanos aceitam como perfume.

Comigo, o orgânico sempre vai vencer o artificial. O sentimento vai guiar o racional. Os sorrisos preencherão as lacunas.

É normal não saber o que sentir quanto a morrer, afinal, é difícil pensar no que fazer com todo o amor que a gente guarda uma vida inteira. Entretanto, sentir medo desse momento ou ter a impressão de que iremos sozinhos, não, isso nós podemos evitar. Meu avô levou um pedaço do meu coração, invisível aos olhos assim como a maravilhosa alma que ele tinha, e onde quer que ele esteja, eu sei que não foi em vão e ele também sabe. Mesmo que acabe ali, naquele último suspiro, ele sabia e eu sei que o amor é o começo e o fim, e se a gente se amava, então não tinha problema nenhum. Apenas mais um fim de jornada, apenas mais uma continuação de outra, apenas… Amor. Porque o amor não acaba, mas pode começar e a gente precisa entender que, se ele é a única coisa que faz sentido nesse mundo, devemos ser gratos só pelo fato de existirmos para senti-lo e vê-lo em ação.

Enquanto tudo que não é amor destrói ou corrói, ele surge e nos ensina, nos corrige, nos adapta, nos dá coragem, nos inspira, nos motiva e nos capacita. O amor é tudo, e eu ouso dizer que tudo que não o é, seja nada.

Pelo menos é isso que o meu coração disse hoje.

Calma na alma.

Perder o ônibus é como perder cinco ou quarenta minutos. Se ele for raro, lá se vão quase sessenta minutos se odiando e esperando pelo próximo. Se for mais comum, pelo menos você vai ter um tempo mínimo para refletir e não necessariamente desperdiça-lo, afinal, pra que exagerar? São só 3-5 minutos.

É exatamente assim que eu me sinto quando perco os trilhos em determinadas áreas da minha vida. Nas mais complexas, demoro tanto tempo pra resolver que são pelo menos cinco crises existenciais antes de finalmente me reconhecer no espelho. Nas simples, até gosto de ter que parar e avaliar a vida sob outra perspectiva, por hobbie ou necessidade, tudo é tão leve que me soa um exercício emocional pra lá de agradável.

Sobre essa última, eu só posso dizer que não sei se o problema é simples ou se eu, por acaso, estou cismando de esperar o ônibus certo no ponto errado, ou o ônibus errado no ponto certo. As vezes é tão explícito, né? Mas as vezes não. E nessas, você acha que resolveu pelo menos três vezes e se depara com a sensação esquisita dois segundos depois. É fácil de se enganar, porque no fundo, ninguém aguenta sessenta minutos esperando um ônibus, ninguém aguenta dias seguidos se questionando; se sentindo o corpo estranho no próprio corpo.

Geralmente eu diria que é a TPM, e não é a toa: sem dúvidas, pode ser a TPM. Mas não dá pra negar que pode ser, por exemplo, a conclusão sincera de que eu estou inserida em um meio completamente diferente do que eu quero ser quando crescer. Não quero ter a profissão que meus amados tem, muito menos ter as manias que as pessoas que eu mais amo costumam distribuir por aí.

Não quero repetir os erros dos meus pais. Nem comigo, nem com os que me rodeiam, nem com os que futuramente me serão íntimos. Não quero ser agressiva, grosseira, nem ter complicações para me expressar. Não quero me trancar, literalmente ou não, sempre que tiver um problema. Não quero desmerecer os sentimentos ruins, quero disseca-los e transforma-los. Quero enfrenta-los.

Não quero deixar de acreditar e lembrar da minha essência que outrora foi-me a única bandeira que defendi com unhas e dentes. Não quero ser volúvel, tampouco flexível, no que diz respeito aos meus pensamentos e atitudes. Não quero sentir que estou me perdendo por medo de me perder. Não quero me desperdiçar para dar vazão à cultura alheia. Não quero ter medo de ser julgada. Não quero sequer os holofotes que todos cismam de se interessar. Só quero sombra e água fresca. Quero paz.

Não quero perder o amor da minha vida por ter um medo ofensivo ou sem razão. Não quero abandoná-lo, desprezá-lo, transformá-lo ou assisti-lo acabar. Eu só quero a calma que vem da calma daquele pescador que esconde mistérios inesquecíveis sob o chapéu, sob o olhar perdido no horizonte. Se existe algo que nunca terei por completo demonstrado ou desvendado, esse é o meu amor. O mesmo daquele senhor que muito sabe do mar, pouco sabe da vida. Muito sabe de sonhos, pouco se manifesta com os ganhos. Amar é me considerar apaixonada e deixar o assunto quieto no meu peito, até notar que, sem esse sentimento, eu não estaria na noite de domingo reavaliando tudo e todos, tentando a mínima chance de melhorar e não me perder por qualquer coisa.

Amar é se surpreender com o quanto a vida pode ser boa. Porque os muros desmoronam. Os conceitos se reformam. Os medos te sufocam. Mas aí está você, tendo uma razão pra dormir sorrindo todos os dias antes de dormir: enquanto ele for ele, e você for você, estão seguros da imensidão de piadas sem graças que soa o mundo sem o outro.

Eu não sei se falta dez minutos, se preciso trocar de ponto, ou escolher outro ônibus. Eu sei que de duas coisas eu tenho certeza: eu estou bem acompanhada, e nesse calor, tomara que o ônibus que for, seja de ar condicionado.

Amar é isso: calma na alma mesmo sentada no olho do furacão.

Amar é re(amar).

Luzes baixas, uma música tocando e o baixo se sobressaindo. A batida dominando o ambiente e disputando apenas com o cheiro da comida, mais uma de suas invenções e experiências misturando culturas. O cachorro deitado na sala, aproveitando a ventania de mais uma noite de outono. Você na cozinha, eu no quarto, provando mais um vestido que comprei secretamente para momentos como esse. Nós dois em casa, num sábado a noite. Sem problemas até aí. Tirando a bagunça que arrumaremos no domingo a tarde, antes de irmos no mercado reabastecer a geladeira pra semana que vai começar.

Depois de uns vinte minutos, eu e você degustando aquele vinho que provamos pela primeira vez na nossa última viagem, nossos sorrisos se resumindo ao presente e à satisfação pela certeza do futuro. Longe de tudo que já deu errado, longe de todas as expectativas alheias, ali a gente vai fazer só o que sabe: aproveitar a companhia um do outro.

Porque sinceramente não tem nada que eu goste mais do que a sua companhia. Seja de manhã cedinho com a sua cara de sono, no almoço, no jantar, antes de dormir. Você é aquela alma gêmea que faz valer todo o resto. E quando eu falo isso, quero dizer que é difícil pra cacete crescer e envelhecer. Lidar com pessoas que pensam diferente de mim, que esperam atitudes diferentes, que me observam e me julgam a todo momento. Que nunca vão me achar boa o suficiente pra você. Mas não tem nem mesmo uma parte desse pacote que eu não considere absolutamente possível carregar se puder conviver contigo pro resto da minha existência. Não tem nada que me desanime se eu tiver você do meu lado.

Você é sinônimo de sorrisos sinceros, risadas espontâneas e desabafos bem vindos. Diferente do que você cogitou, eu não simplesmente me acostumei a amar você e sigo fazendo. Não. Eu amo você porque você é a alma mais linda, doce, especial e misteriosa que eu conheci. Minha eterna caixa de bombom surpresa, meu livro interminável e cheio de desfechos completamente diferentes dos que eu estava acostumada. Tudo aqui dentro ama tudo aí de dentro. E esse amor se renova diariamente.

Esse amor não foi um acontecimento que me marcou. Ele acontece. Ele me marca. Ele deixa meus dias melhores, minha vida mais completa. Ele é a certeza de que eu tenho um lugar que eu queira voltar. Eu tenho um lar.

Você é o meu lar. Minha dupla de todas as horas.

Já faz um ano… Ou quase um ano… E quando nossos olhos se cruzam e a gente conversa, com risadas e viagens doidas, eu sinto exatamente a mesma mágica que senti no botafogo praia shopping. Aquela que me faz dormir sorrindo todos os dias, não só com o rosto, mas com a alma, com a… satisfação.

Satisfação de existir para alguém. De fazer sentido dentro do universo de alguém. De pertencer ao universo de alguém. Segurança, paz e felicidade.

Obrigada. Pelos futuros jantares, por aquele de dois meses, por me fazer ir dormir tranquila todos os dias por me amar de corpo e alma. Você é meu herói.

Por mais oldfashion que sejamos, por mais anacronicamente que gostemos de viver… O que importa é que a gente está juntos nessa, né?

Remando nosso barquinho…

Re (amando) todos os dias… <3