Nó.

Imaginem só: um cordão prateado com um coraçãozinho como pingente. Aparentemente normal, né? Mas esse foi o meu presente de aniversário de namoro mais espontâneo, que veio quando eu estava prestes a surtar ao achar que tudo estava caindo na rotina, afinal, pelo dia cheio nós não íamos nos ver. Na teoria. De repente, lá pras 20h, como se pudesse enxergar meu bico lá de Laranjeiras, ele apareceu aqui com esse cordão.

A surpresa ficou eternizada no momento e é inevitável sorrir ao lembrar de como é fácil viver ao lado dele quando nós nos propomos à espontaneidade de simplesmente ser. Mesmo que sejamos ciumentos incorrigíveis, competitivos, teimosos, facilmente entediáveis, lá estamos nós… Sempre capturando a essência do que queremos e podemos ser, disponibilizando nosso melhor um ao outro.

Afinal, amar é isso, né? É dar o nosso melhor, mesmo que a pessoa cedo ou tarde possa se assustar com o nosso pior e ir embora. Mesmo que não seja tão lucrativo dependendo da nossa quantidade de defeitos, amar é pegar aquela partezinha boa e deixar a pessoa experimentar todos os dias, sem exceção. Mesmo quando erramos e claramente corremos o risco de perdê-la, a mágica está em tentar dar aquele sorriso e pescar o brilho no olhar do outro, com medos – somos humanos -, mas sem hesitações.

Esse tal cordãozinho enrolou todinho, pela milésima vez, na sexta-feira. Lá fui eu, pessimista do jeito que sou, me desesperar ao encarar aquele nó pequenino e complicado. Sinceramente, admito logo, pensei: “desisto, de repente se comprar outro é melhor e menos estressante”. De repente, um sopro de vida me foi dado e eu resolvi tentar desfazer o nó como quem tenta melhorar um relacionamento que não funciona.

Respirei. Tentei ver onde começava ou terminava o problema, e me surpreendi com a certeza de que eu não sabia absolutamente nada e a melhor opção era futucar. Fucei, fucei, fucei, fiquei puxando quando que infantilmente até que descobri que o nó só tinha a ver com uma parte do cordão. Difícil explicar, mas acreditem, ele era inteiramente do lado esquerdo. Ri sozinha, fazendo o cara sentado do meu lado ficar curioso com a situação.

Quantas vezes a gente não se dá conta que o nó dentro do nosso relacionamento tem a ver com um nó dentro da gente, que não tem nadinha a ver com o outro? Acho que o John Mayer até já se apropriou dessa iluminação: “And I’ve done all I can to stand on her steps with my heart in my hands. Now I’m starting to see, maybe it’s got nothing to do with me”. Com essa ilustração, iluminadíssima, eu me pus a refletir como as vezes, na maior parte dos casos, as relações à minha volta tem brigas enormes porque, no fundo, a menina nunca superou os defeitos do pai, ou ainda, porque o garoto não se resolveu com sua própria sensibilidade interna, seus medos emocionais e etc. Vê se isso tem a ver um com o outro? Não tem! Aliás, até tem, a partir do momento em que a exposição é feita e um se compromete a entender, e respeitar, o espaço do outro para avançar e progredir até alcançarem terra firme e sadia.

Bom, continuei futucando só esse nó, né, tendo cuidado para não tocar de jeito nenhum na outra parte. Ela não tinha nada a ver com isso, e até onde eu vi, estava pacientemente esperando a operação acabar. Quando fui futucando, sem querer esbarrei no cara e ele aproveitou a brecha: “Nossa, você tem muita paciência, hein? Eu já tinha jogado o cordão fora”. Eu ri em resposta, concordei e voltei ao árduo trabalhinho que já estava por quebrar minha unha mais fraquinha(e que mais demora pra crescer). Quantos de vocês conhecem algum senhor dos palpites que já fez igualzinho esse desconhecido e te desmotivou quando o seu relacionamento precisava da sua dedicação?

Amigos ou não, eles sempre estão lá pra botar defeito em todos os nossos pensamentos. Desde um “nossa, ele não te merece”, até um “po, cara, namorar pra que?”, lá estão os comentários que, segundo váááários psiquiatras, destroem o psicológico e logo em seguida a vontade de persistir. Eu fico irritadíssima com essa situação, entretanto, muitos desses só tem boas intenções e realmente acham que qualquer coisa é melhor do que ficar futucando o cordão até ele acabar machucando seu dedo de vez. Bom, com um coração bonito ou não, infelizmente na maior parte do tempo essas frases sem sentido ou fundamento acabam desmotivando quando o trabalho está quase terminando, quando a recompensa de tanta dor de cabeça já pode ser sentida aos poucos. Tomem cuidado com esses pitacos, afinal, na maior parte das histórias que eu ouço a pessoa que “aconselha” é sempre a última pessoa que você deveria ouvir. Seja pela parcialidade, ou pela indiferença quanto aos sentimentos envolvidos.

O tempo passava, meu destino quase chegava, ou seja, apesar de tudo valer a pena quando a alma não é pequena, nós temos sim uma vida que precisa ser vivida fora daquele nó. Obviamente, eu já fui logo cogitando continuar assim que sentasse em algum lugar melhor, mas insisti e – de surpresa – o nó cedeu assim que o ponto final chegou. Meu sorriso foi de ponta a ponta, meu coração chegou a bater mais forte. Deu certo, e em dois segundos coloquei o cordãozinho com um suspiro de paz. Nada é melhor do que a certeza de que fez bem em persistir, em enxergar a possibilidade de sucesso antes dele chegar e, por isso mesmo, se sentir tão bem quando desfila por aí com o problema exterminado.

Isso acontece todos os dias, de formas diferentes, sem que nós percebamos. Seja o namoro que passa por poucas e boas, a amizade que tem suas faltas de comunicações mais frequentes, ou os relacionamentos com familiares que estão por um fio.

Eu diria que vale a pena.

PS:

Porque olha, eu sei que a gente não deve botar defeito em nós mesmos quando a intenção é fazer a pessoa nos contratar, mas preciso ser sincera com uma pessoa que sem dúvidas está lendo esse texto. Indo direto ao ponto, meus nós são frequentes, difíceis e assustadores. Mais do que uma dor que começa no meio da noite, não reage aos remédios e acaba tirando a nossa tranquilidade. Eu, com minha sensibilidade sem limites, faço furacões e te tiro do sério. Eu sou mimada, impaciente e insegura. Acordo toda bagunçada e não sei chorar bonito. Não sei tirar selfie que fique ~estilo~.

Mas eu te amo, e te amo muito. Eu quero jogar buraco até chegar o dia em que eu saiba perder, assim como qualquer outro esporte ou jogo de tabuleiro/cartas. Quero assistir seus filmes sem reclamar, assim como engolir as pizzas gourmets que você tenta me fazer comer só pra experimentar. Quero aprender a lutar, a cozinhar, a te encaixar comigo nos meus sonhos e não ter tanto medo. Quero me jogar cada vez mais de cabeça nesse céu azul que é a vida do seu lado.

E que eu saiba, juro, da última vez que eu chequei aqui, o “querer” é o mais novo “poder”. Tudo que eu quis até hoje eu fiz. Assim como você. Basta persistir, dar atenção, carinho e fé. Basta ter fé. Esperança e amor obviamente contam muito também. Pegar esse nó e futucar, com caras e bocas, suspiros e lágrimas, pode até não ser confortável, mas é a típica atitude de quem sabe que, independente do tempo que leve pra resolver, é a única opção digna de uma história tão linda e indescritível.

É a única opção pro casal que já sabia, desde a segunda conversa, que o mundo nunca seria o suficiente para separá-los. Uma vez que o “click” aí dentro tenha acontecido, ihhh, aí já era, é tipo quando o Pará tocou pro Kayke e o Cavalieri tentou, mas não teve nem chance: o gol é inevitável. Cedo ou tarde.

Antes tarde do que nunca. Antes nós do que um nó <3

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