(Ama)durecer.

Eu só queria confessar que eu não estava pronta para conhecer o amor da minha vida. Eu era a garota mais insegura, mais confusa, mais se-acha-forte-mas-não-sabe-da-missa-a-metade, mais pontapé em poça d’água possível. Eu não estava preparada nem pra escolher a profissão que decidiria o meu destino, mas quando você chegou, com aquele brilho e conforto, eu não pude negar.

Eu não pude provar do céu e dizer que, por ser uma má menina, merecia o purgatório. Aceitei, sem nem pestanejar, e passo todos os dias desde então notando como eu não sou nada do que deveria ser para realmente te fazer feliz. A cada crise de ciúmes, dúvida cruel sobre o futuro, instabilidade quanto aos assuntos mais bobos, eu só quero enfiar meu rosto num travesseiro e chorar, gritar, fazer qualquer coisa, menos dividir contigo esse turbilhão de despreparo. Eu deveria saber lidar comigo mesma para que você não tivesse que lidar por mim e por você.

Mas a vida nem sempre é tão simples, lógica e dentro do roteiro. A vida nem sempre segue o curso do ideal. E eu só quero que você saiba que apesar de eu dividir contigo tantos momentos difíceis, eu não me arrependo nem um segundo de ter me permitido. Eu faria tudo exatamente igual. Porque não faria o mínimo sentido ser uma menina centrada, confiante, segura, sem interrogações, se a pessoa que recebesse o prêmio por lidar com uma mulher tão completa não fosse você.

Eu não tenho certeza de quase nada, a cada segundo que passa meus possíveis destinos mudam, migram, mesclam-se e meu coração palpita com as incertezas. Entretanto, a que eu mais quero, a que eu mais preciso, a única que eu realmente faço questão é a nossa. A nossa certeza. Eu, você, o céu azul e um bilhete que faça a gente comer de graça em lugares bacanas pra sempre. Eu, você e nossas mordidas, beijos e segredos. Nossas confissões.

Viu? Voltei pra minha órbita onde não existem tantos medos e perigos. Mas aí as setinhas não ficam azuis e lá estou eu, criando um mundo irreal dentro da minha doce, agradável e maravilhosa realidade.

Eu só quero que você saiba que as vezes eu tenho vontade de explodir, mas não porque você fez algo ou me faz sentir coisas erradas. Eu já sentia antes de você, e isso tem a ver com a juventude e o vício de não se sentir suficiente, de não ter visto finais felizes que não pareçam utópicos, de não achar que tem salvação. Eu sou a garota que se identificava com o “broken smile” do Maroon 5, que vibrava quando as irmãs da Jane Austen terminavam bem e casadas, que imaginava fantasias e utopias pra poder dormir feliz. Agora, só um boa noite, uma piadinha e um “eu te amo” seu bastam.

Meu palpite, para finalizar, é de que ninguém está verdadeiramente pronto pro amor da sua própria vida. Nós estamos prontos pros amores alheios, brigamos e irritamos nossos amigos que são “burros” por perderem suas chances, mas a mais pura verdade é que nós nunca estamos preparados quando chega a nossa vez de provar do paraíso e viver sob as regras dele. A gente mescla, ama as partes boas e sofre com as ruins(por exemplo, se adaptar ao mundo onde o seu ciúme precisava ser controlado, afinal, a confiança precisa ser maior), mas no final boatos de que tudo dá certo. No final, se os dois tiverem muita fé, eles acabam juntos de alguma forma. Seja pelo destino, pela poesia ou pela força de vontade.

Eu espero que nós tenhamos a sorte de ter os três ao nosso favor, aliás, em outras palavras, eu espero ter a sorte de amadurecer a tempo de permanecer dentro do paraíso.

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Desabafo.

Antes de tudo, eu só queria dizer que não acho correto reprimir e ignorar reações/sentimentos alheios. Que venham o medo, a raiva e o carrossel acionado pela violência. Isso tudo eu entendo, e sinceramente? Sintam-se livres. Mas agora é a minha hora de reagir às suas frases, “motivadas” ou não, que surgiram no meu feed, nos meus ouvidos, na minha vida. Afinal, viver em sociedade é isso: pensar e deixar que pensem.

Bom, eu sou estágiária do NUSPEN. Convivo com fichas, histórias e estatísticas mentais bem interessantes sobre os presos por coisa tipo furto, roubo e tráfico de drogas. Sim, os migos que te revendem maconha e etc, eles mesmos. Mas relaxa, sempre que eles aparecem me vem à mente o rostinho da burguesia carioca. Eu vi um texto hoje, aplaudido por muitos, que foi duro e forte: roubar é errado e é uma questão de caráter, não de dinheiro. Afinal, se teve pai e mãe pra ensinar, não ouviu e obedeceu porque não quis.

O caso mostrado no jornal, em um dos arrastões, foi de um adolescente que tinha pai e mãe, né? Em todos os casos que eu li nos últimos dias, NENHUM tem pai e mãe. Dos 70, 80, nenhum tem pai. Aborto pra homem é legalizado, incentivado e propagado há séculos nessa terra, né? Mas, continuando, acho muito bacana vocês repetirem que a mídia é manipuladora quando é totalmente exposto e lógico, mas em coisas assim repetir, aplaudir e usar de exemplo. Só que o meu foco não é sobre isso não.

Meu foco é no ódio de vocês por ladrões.

Ui, roubou é diretamente um sem caráter e merece o sistema carcerário brasileiro. Valeu, juízes e juízas. Deixem o diploma de Direito de vocês na minha mesa depois, só pra dar uma checada nas credenciais. Afinal, desculpa, mas me enche a droga do saco ficar lendo um bando de comentaristas sobre leis e cadeias o tempo inteiro, quando nenhum chegou nem perto de entender uma sentença de verdade. Pô, dá uma olhadinha em como a Alemanha lida com furtos e roubos. Ou sei lá, tenta visitar um presídio, bater um papo com presidiários e ver que, sinceramente, são gente como a gente. Eu acho engraçado DEMAIS quando vocês ficam com nojo do mau caratismo desses “pivetes”, mas protegem mamãe e papai que sonegam, priminha(e a antiga você) que entra na balada sem 18 anos, titio que assina que trabalha 8 horas, mas fica por lá só umas 4 e no máximo 5. Afinal, ele precisa de outro emprego, né? A crise, galera, a crise!

Depois de um tempo vendo fichas, conversando com a galera que REALMENTE conhece os presos e que até mesmo já furtou alguma coisa, a gente nota que o mundo é meio ridículo. Nunca é por causa do mau caráter, e sim por questões que ninguém nunca admite. Te incomoda o funk alto que ele coloca no ônibus, né? Ou o jeito dele de te olhar, cobiçando suas coisas, como se estivesse morto de fome.

SIM! Eu ouvi EXATAMENTE isso de um pseudo-intectual-defensor-das-opressões… “Eu odeio esses pivetes malditos, olham pro meu rayban como se estivessem morrendo de fome”. Vontade de rir, de chorar, de pegar a cara desse infeliz e arrastar no asfalto. Viu, gente? Eu entendo vocês. A falta de caráter do outro incomoda demais. Só que se eu tô sendo seletiva, por que diabos vocês não caem na real de que também estão sendo e param de usar, PELO AMOR DE DEUS, esse argumento ridículo pra impedir que negros pobres frequentem as suas belíssimas praias?

Eu acho que o caminho de não relativizar, ou seja, se achar que se errou, tá errado e foi porque quis, é muito duro. Mas, namoral? Se quiserem, sigam! Peguem o barco, remem e só olha pra frente, mas ó: você deixou pra trás a mamãe, o papai, o titio, o namorado, e quase todo mundo. É difícil não ter teto de vidro, né? Mas ó, seu caráter maravilhoso é impecável e não pode se misturar na praia, que dirá no dia a dia. Eca!

Eu tô cansada de explicar que tanto faz se você aprendeu a não roubar e de fato não rouba. Você, fulana, ciclana e beltrano merecem uma estrelinha, afinal, se são brancos, classe média e nunca levaram um esculacho da vida só estão fazendo o que faz mais sentido. Agora, namoral? Eu não ouso virar pro preto, pobre, periférico, que ouve os playboys rindo do seu rayban falso, vê na novela que o jeito deles é ridicularizado e caricaturado, que vê a mãe limpar o teu chão dia e noite e você ainda virar e falar “pô, se eu não sujar, que trabalho ela vai ter?”, e que olha nos seus olhos e já te vê suar frio, trincar os dentes e agarrar o iphone, enfim, eu não ouso virar pra esse cara e dizer: “po, mano, não é nada ético você pegar o meu celular que eu suei tanto pra pagar”.

Será que é ético a gente aceitar essa desigualdade social, essa falta de infraestrutura dada às favelas, essa omissão do Estado dentro dos presídios e dentro de qualquer lugar onde existam pobres precisando de ajuda? Aí, se liga, tem uma criança morrendo a cada três dias no Alemão. Eu não vou virar e falar pro pivete que ele tá errado em sentir ódio, não vou mesmo. Me obriguem. Ele tá é reagindo. Assim como vocês reagem. Só que ele reage porque é pisado, cuspido, esquecido e no mínimo escorregão, toma logo uns meses ou anos no inferno. Você reage porque ele existe e tem ódio de você. Quer uma mudancinha básica? Tenta fazer ele não ter que ter ódio de você. Pede aí o bom caráter dos seus governantes que nunca cumprem metade das drogas de promessas pros que habitam as favelas e precisam do serviço público. Mas pelo amor de Deus, não faça isso com outros objetivos. Ahh! Para de falar mal do SUS só pra ter uma desculpinha pra pedir o Impeatchment. Você nunca foi e nunca vai precisar do SUS, mas se quer mesmo ajudar e mostrar compaixão por essa galera, vê se dá uma moral comprando o amendoim no ônibus, parando de fingir que os pretos jogando no chão da praça Saes Pena não existem, e principalmente: enfraquecendo essa corrente atual que quer trazer o tal do “bom caratismo” ao Brasil por isso ser sinônimo de “fora PT”. Se você quer falar de bom caráter, pelo amor de Deus, começa parando de mentir pros seus pais, pro seu namorado, pra sua namorada, parando de ser um inútil pra sociedade mesmo estudando em faculdade pública, argumentando com seus pais porque eles tem apoiado pessoas como o Bolsonaro, e sei lá, sendo a droga da diferença. Tenho nem dúvidas de que falta bom caratismo no Brasil, só que eu prefiro focar nos que me cercam. Afinal, a vidinha de vocês eu conheço, os passos que vocês deram, as imagens que propagam…

Tudo.

Vocês nunca pararam pra olhar pra periferia. Nunca. Não parem pra olhar agora só pra bancar a polícia do bom caráter. Ou vocês olham definitivamente, ou meias olhadas não são bem vindas.

Nó.

Imaginem só: um cordão prateado com um coraçãozinho como pingente. Aparentemente normal, né? Mas esse foi o meu presente de aniversário de namoro mais espontâneo, que veio quando eu estava prestes a surtar ao achar que tudo estava caindo na rotina, afinal, pelo dia cheio nós não íamos nos ver. Na teoria. De repente, lá pras 20h, como se pudesse enxergar meu bico lá de Laranjeiras, ele apareceu aqui com esse cordão.

A surpresa ficou eternizada no momento e é inevitável sorrir ao lembrar de como é fácil viver ao lado dele quando nós nos propomos à espontaneidade de simplesmente ser. Mesmo que sejamos ciumentos incorrigíveis, competitivos, teimosos, facilmente entediáveis, lá estamos nós… Sempre capturando a essência do que queremos e podemos ser, disponibilizando nosso melhor um ao outro.

Afinal, amar é isso, né? É dar o nosso melhor, mesmo que a pessoa cedo ou tarde possa se assustar com o nosso pior e ir embora. Mesmo que não seja tão lucrativo dependendo da nossa quantidade de defeitos, amar é pegar aquela partezinha boa e deixar a pessoa experimentar todos os dias, sem exceção. Mesmo quando erramos e claramente corremos o risco de perdê-la, a mágica está em tentar dar aquele sorriso e pescar o brilho no olhar do outro, com medos – somos humanos -, mas sem hesitações.

Esse tal cordãozinho enrolou todinho, pela milésima vez, na sexta-feira. Lá fui eu, pessimista do jeito que sou, me desesperar ao encarar aquele nó pequenino e complicado. Sinceramente, admito logo, pensei: “desisto, de repente se comprar outro é melhor e menos estressante”. De repente, um sopro de vida me foi dado e eu resolvi tentar desfazer o nó como quem tenta melhorar um relacionamento que não funciona.

Respirei. Tentei ver onde começava ou terminava o problema, e me surpreendi com a certeza de que eu não sabia absolutamente nada e a melhor opção era futucar. Fucei, fucei, fucei, fiquei puxando quando que infantilmente até que descobri que o nó só tinha a ver com uma parte do cordão. Difícil explicar, mas acreditem, ele era inteiramente do lado esquerdo. Ri sozinha, fazendo o cara sentado do meu lado ficar curioso com a situação.

Quantas vezes a gente não se dá conta que o nó dentro do nosso relacionamento tem a ver com um nó dentro da gente, que não tem nadinha a ver com o outro? Acho que o John Mayer até já se apropriou dessa iluminação: “And I’ve done all I can to stand on her steps with my heart in my hands. Now I’m starting to see, maybe it’s got nothing to do with me”. Com essa ilustração, iluminadíssima, eu me pus a refletir como as vezes, na maior parte dos casos, as relações à minha volta tem brigas enormes porque, no fundo, a menina nunca superou os defeitos do pai, ou ainda, porque o garoto não se resolveu com sua própria sensibilidade interna, seus medos emocionais e etc. Vê se isso tem a ver um com o outro? Não tem! Aliás, até tem, a partir do momento em que a exposição é feita e um se compromete a entender, e respeitar, o espaço do outro para avançar e progredir até alcançarem terra firme e sadia.

Bom, continuei futucando só esse nó, né, tendo cuidado para não tocar de jeito nenhum na outra parte. Ela não tinha nada a ver com isso, e até onde eu vi, estava pacientemente esperando a operação acabar. Quando fui futucando, sem querer esbarrei no cara e ele aproveitou a brecha: “Nossa, você tem muita paciência, hein? Eu já tinha jogado o cordão fora”. Eu ri em resposta, concordei e voltei ao árduo trabalhinho que já estava por quebrar minha unha mais fraquinha(e que mais demora pra crescer). Quantos de vocês conhecem algum senhor dos palpites que já fez igualzinho esse desconhecido e te desmotivou quando o seu relacionamento precisava da sua dedicação?

Amigos ou não, eles sempre estão lá pra botar defeito em todos os nossos pensamentos. Desde um “nossa, ele não te merece”, até um “po, cara, namorar pra que?”, lá estão os comentários que, segundo váááários psiquiatras, destroem o psicológico e logo em seguida a vontade de persistir. Eu fico irritadíssima com essa situação, entretanto, muitos desses só tem boas intenções e realmente acham que qualquer coisa é melhor do que ficar futucando o cordão até ele acabar machucando seu dedo de vez. Bom, com um coração bonito ou não, infelizmente na maior parte do tempo essas frases sem sentido ou fundamento acabam desmotivando quando o trabalho está quase terminando, quando a recompensa de tanta dor de cabeça já pode ser sentida aos poucos. Tomem cuidado com esses pitacos, afinal, na maior parte das histórias que eu ouço a pessoa que “aconselha” é sempre a última pessoa que você deveria ouvir. Seja pela parcialidade, ou pela indiferença quanto aos sentimentos envolvidos.

O tempo passava, meu destino quase chegava, ou seja, apesar de tudo valer a pena quando a alma não é pequena, nós temos sim uma vida que precisa ser vivida fora daquele nó. Obviamente, eu já fui logo cogitando continuar assim que sentasse em algum lugar melhor, mas insisti e – de surpresa – o nó cedeu assim que o ponto final chegou. Meu sorriso foi de ponta a ponta, meu coração chegou a bater mais forte. Deu certo, e em dois segundos coloquei o cordãozinho com um suspiro de paz. Nada é melhor do que a certeza de que fez bem em persistir, em enxergar a possibilidade de sucesso antes dele chegar e, por isso mesmo, se sentir tão bem quando desfila por aí com o problema exterminado.

Isso acontece todos os dias, de formas diferentes, sem que nós percebamos. Seja o namoro que passa por poucas e boas, a amizade que tem suas faltas de comunicações mais frequentes, ou os relacionamentos com familiares que estão por um fio.

Eu diria que vale a pena.

PS:

Porque olha, eu sei que a gente não deve botar defeito em nós mesmos quando a intenção é fazer a pessoa nos contratar, mas preciso ser sincera com uma pessoa que sem dúvidas está lendo esse texto. Indo direto ao ponto, meus nós são frequentes, difíceis e assustadores. Mais do que uma dor que começa no meio da noite, não reage aos remédios e acaba tirando a nossa tranquilidade. Eu, com minha sensibilidade sem limites, faço furacões e te tiro do sério. Eu sou mimada, impaciente e insegura. Acordo toda bagunçada e não sei chorar bonito. Não sei tirar selfie que fique ~estilo~.

Mas eu te amo, e te amo muito. Eu quero jogar buraco até chegar o dia em que eu saiba perder, assim como qualquer outro esporte ou jogo de tabuleiro/cartas. Quero assistir seus filmes sem reclamar, assim como engolir as pizzas gourmets que você tenta me fazer comer só pra experimentar. Quero aprender a lutar, a cozinhar, a te encaixar comigo nos meus sonhos e não ter tanto medo. Quero me jogar cada vez mais de cabeça nesse céu azul que é a vida do seu lado.

E que eu saiba, juro, da última vez que eu chequei aqui, o “querer” é o mais novo “poder”. Tudo que eu quis até hoje eu fiz. Assim como você. Basta persistir, dar atenção, carinho e fé. Basta ter fé. Esperança e amor obviamente contam muito também. Pegar esse nó e futucar, com caras e bocas, suspiros e lágrimas, pode até não ser confortável, mas é a típica atitude de quem sabe que, independente do tempo que leve pra resolver, é a única opção digna de uma história tão linda e indescritível.

É a única opção pro casal que já sabia, desde a segunda conversa, que o mundo nunca seria o suficiente para separá-los. Uma vez que o “click” aí dentro tenha acontecido, ihhh, aí já era, é tipo quando o Pará tocou pro Kayke e o Cavalieri tentou, mas não teve nem chance: o gol é inevitável. Cedo ou tarde.

Antes tarde do que nunca. Antes nós do que um nó <3

Pulem esse 2.

O amor é aquilo que deixa minha alma quentinha antes de dormir, sem medo do que vem depois da vida, ou do que veio antes. Com esse sentimento, eu só consigo sorrir, só consigo agradecer, e tudo isso vem tão naturalmente ao me lembrar de como ninguém no universo me olhou uma única vez da forma que ele faz todos os dias. O medo vem, mas não é forte, aliás, nada que já foi inventado ou ainda esteja por ser criado é tão forte como o que me faz entende-lo, aceita-lo e respeita-lo. Eu aprendi, juro que aprendi, a não desistir.

Ao lado dele, não estou blindada. Os dias ruins me atropelam, os problemas me acertam em cheio. O caos me preenche. Entretanto, nada disso parece ser motivo o suficiente para abrir mão do único cara no planeta Terra que me enxergou embaixo de todos os meus defeitos, ideologias e sutilezas. De alguma forma, tentar decorar a escalação do flamengo inteirinha, aprender a dar uns socos no muay thai e, principalmente, abrir mão de joguinhos baseados em orgulho, me mostram diariamente meus próprios sinais de que isso não é qualquer coisa. Isso não é por acaso.

Eu te amava antes de te amar. Mesmo antes de saber que amaria verdadeiramente algum dia. E, mesmo com todo esse tempo e tudo que a gente ainda vai passar, sinto que vou te amar para sempre. Eu sempre soube que seria assim, atemporal, então tive medo de me abrir com qualquer um, de colocar meu coração no fogo para vê-lo queimar à toa.

Desde aquele primeiro texto, vejo cada pedacinho meu renovar-se todos os dias, como uma chama que nunca apaga, como uma lareira eterna que me esquenta, me fascina, e me protege. O meu amor é a nossa maior proteção, sei disso, e espero que você saiba. O senso de humor pode falhar, a distância afetar, os trabalhos atrapalharem, a comunicação ficar pelo meio de caminho, mas, eu simplesmente sinto, enquanto o seu olhar me arrepiar por inteira, estarei aqui insistindo e persistindo na única coisa que me deixa calma antes de dormir.

Te amar foi a minha salvação, e você é a personificação da minha esperança nas coisas boas, no amor, na fé e na existência de um sentido para a vida.

Você é tudo pra mim, e que se danem os menos intensos, menos verdadeiros, menos dispostos. Eles não vão estar aqui me ajudando a dormir e a tolerar meus medos.

Sei nem porque escrevi isso aqui, só queria te dizer isso faz um tempo e não sabia como. Bloqueio de autora, algo assim. Vai passar, sei que vai. Tudo passa, menos o nosso amor.