Pulem esse.

Ele tinha mãos grandes, voz alta até falando baixo e uns olhos marcantes, que falavam por si só. Lembro deles felizes, tristes, zangados, emocionados, neutros e preocupados. Eu fico me perguntando, sabe? Então, a gente vai se ver de novo? E eu vou conseguir chegar até lá? Eu vou ser forte, crescer e dar o máximo de mim?

Eu tento ser a neta que ele iria querer ter, sabe? Querendo ou não, foi ele que me mostrou o outro lado da história sempre que eu trazia algo novo nas caronas de volta da escola. Ele que me deu um livro aos 12 tentando me ajudar a ser uma mocinha boazinha e certinha. Ele só queria o meu bem, e assim o fez para todas as netas e netos. Ele foi incrível.

Tantas vezes brigamos, tantas vezes gritamos, tantas vezes nos ajeitamos da nossa maneira. Eu sinto tanta falta. Isso nem sequer é um texto, sabe?

É tudo que eu sinto. Tudo que eu penso. Tudo que me vem a mente ao não ter comemorado o aniversário dele.

Ele era tudo pra ela, sabe? Ela era tudo pra ele. Mas e agora? O que dizer além de sorrir e abraça-la? O que fazer? Eu não sei.

Eu só queria que os casais que verdadeiramente se amassem fossem embora juntos. De mãos dadas. Com força, fé e amor. Pela última vez, ou apenas mais uma.

Mas não.

Não é assim.

Ela ficou.

Com todas as lembranças, lugares, cômodos, marcas, sonhos, segredos, heranças, saudades e dor.

Ela ficou com todo o amor.

E eu me pergunto, o que fazer? Vó? Perdoar.

A gente precisa perdoar.

Ele podia ter se cuidado mais, ele podia ter se metido em menos encrencas, ele podia ter esperado.

Mas não.

Ele não fez e não é por isso que não nos roubou risadas, carinho, admiração e uma dedicação praticamente eterna. O que quer que eu faça, lá está o pensamento subentendido: meu avô adoraria.

Ou: meu avô não entenderia.

Mas sempre: meu avô ainda assim me amaria.

Essa sensação é tão boa e ruim, Senhor.

Tão boa e ruim.

Porque, cá entre nós, quem é que nos ama independente de tudo? Quem é que nos abre seu coração a ponto de queimarmos todas as expectativas, plantarmos frustrações e, ainda assim, disponibiliza-nos um amor incompreensível?

That’s my grandpa!

E eu fico aqui… Admirando, sentindo saudade e tendo medo.

Por que diabos que o amor incondicional, e tão seguro, parece aos poucos estar se esgotando da face da Terra?

Por que… é tão difícil amar do jeito que ele amou? Do jeito que ele cuidou de todos? Tantas caronas, tantos conselhos, tantas interrupções em sua rotina cheia para fazer algo bobo pra ele, mas de enorme importância pra todos os outros?

Ele foi o melhor, e mais ciumento, marido do mundo.

Ele foi o melhor, e mais justo, pai do mundo.

Ele foi o melhor, e mais presente, avô do mundo todo.

Ele me chamava pra conversar e eu ia… Sem muito ter o que falar, sem nem saber direito o quão único era aquele momento.

Ele só… era ele.

E eu lembro até hoje de quando eu corri na biblioteca dele e peguei uns livros de Direito Administrativo, correndo, com uns 4/5 anos, disposta a me tornar uma advogada logo. Quem diria, né? Eu, hoje, aqui. Quem diria?

Ele.

Ele diria.

Que saudade, vô.

Que o meu amor transborde nessas lágrimas e de alguma forma seja sentido, seja contado, seja a diferença nesse mundo tão frio, tão diferente da gente, tão… perdido.

É difícil amar, vô. Mas se você fez isso, eu me sinto pronta pra tentar e dar o máximo de mim. Sem desistências, sem furos, sem… quedas sem pulos pra levantar. Nada de moleza, não! Acordar as 3 pra escrever algo que veio a mente, ir dormir as 5 porque nada é mais importante do que terminar o que quer que nós tivermos em mente.

Que saudade.

Que a sua força, a sua fé, e o seu amor, me segurem, me conduzam e me ajudem. Eu não sou perfeita, mas só de ser sua neta me sinto suficientemente preparada.

Eu te amo!

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