Fly.

Trinta e um de agosto de dois mil e quinze, segunda-feira, médico marcado para antes do almoço e corridinha agendada para as 8 da manhã. Estou viva. Ou não. Será que eu, logo eu, será que só “tenho” uma vida?

Viver tem a ver com respirar fundo e não sentir nem o peso do futuro, nem os grilhões do passado. Viver significa movimento. Sempre em frente, sem impedimentos, sem se preocupar com armadilhas que te sabotarão cedo ou tarde. Afinal, meu bem, não existe algo que vá, com certeza, acontecer cedo ou tarde. A imprevisibilidade da vida é tão mágica que você só sabe que vai continuar viva até o momento em que não estará, e definitivamente não terá uma segunda chance.

Então, será que vivo ou apenas existo? Senti vergonha da resposta quando a consciência da realidade me inundou. Sou só eu, ou essa geração inteira recebeu a tendência de andar por aí menos à flor da pele e perder mais tempo ao temer, fugir, se esconder embaixo da tonelada de matérias da faculdade, ou da cervejinha de sexta-sábado-e-todo-dia?

O grande problema de só existir é que geralmente não notamos que estamos inclusos nesse seleto grupo de não-viventes. Tanto que hoje de madrugada, aliás, sendo honesta, ontem a tarde, me peguei sem respostas quando me falaram uma das maiores verdades existentes: não existe rede de segurança.

Ou você vive, ou apenas existe. Ou entende que lá embaixo tem um breu enorme e depois um chão pontiagudo, lava quente e qualquer coisa bem dolorosa para completar o trio racha-a-cara-infeliz, ou se agarra a ideia de que tem uma rede bem fofinha com aquele ursinho do comercial te esperando. Não. Ninguém voa de verdade ao criar um mito próprio de sobrevivência caso dê tudo errado. Se der tudo errado, tudo explodirá e é exatamente por isso que nunca alcançar o chão é tão mágico, e que, ao ter consciência e se sentir caindo, aparece uma força surreal que te deixa prestes a dar o máximo de si para que volte a subir.

“Viver” acreditando na tal rede é ouvir o seu ego muito mais do que os sentimentos alheios, se expor menos e acreditar que está sempre por cima. Seja quando dá o número errado, desiste de ser quem sabe que precisa ser, ou quando avisa o seu namorado que já sabe que vai dar tudo errado. Afinal, você foi feita para isso. Não te preocupa que essa resignação te dê paz? O quão manipulada pelo simples ato de “existir” seu emocional tem sido?

Desde que me entendo por gente, saber que vai ter uma aterrissagem forçada não deixa ninguém mais calma quando o avião encosta bruscamente no chão. Imagine você, ser humano, que vai estar sem avião e sem para-quedas? Se desesperar quando a hora chegar é normal, mas isso não é motivo para se esquivar de emoções demonstradas, conversas e exposições, mesmo que a chance de se magoar seja grande. Mesmo que vá doer.

Quando você opta por viver, se joga do precipício sabendo que lá embaixo é o pior lugar de todos, o último em que gostaria de estar, e é exatamente por isso que suas asas batem como se não houvesse alternativa. Você arrisca, mas não só com metade do coração. Você se entrega, porque essa é a receita que faz com que o que quer que aconteça valha a pena. Ainda que você caia e se machuque muito feio, até o último segundo sua concentração será focada em alcançar a luz novamente, e isso te faz uma das pessoas mais legais e vivas do mundo. Não desistir é pra poucos.

Mas os desistentes não tem culpa, aliás, não pelo ato de chutar o balde. A ignorância os faz desavisados que acabam por acreditar em suas próprias mentiras. Uma mentira dita várias vezes vira verdade e é exatamente por isso que eles acreditam cegamente que não se envolver é a melhor forma de saírem ilesos, como se o fato de serem intocáveis fosse mais digerível nas madrugadas insones. A solidão só é estilosa quando são estampadas em personagens de filmes e livros, e sabe por que?

Porque eles não vivem. Nem por um segundo são capazes de sentir, imitar a vida, ou chegar 0,1% perto da nossa natureza. Mesmo que um autor renomado queira com todas as suas forças, um personagem que arrisca tudo em prol do amor é só um fulano que, caso venha a rachar a cara, nunca vai poder te descrever a sensação de ter batido as asas até o último segundo: ele só existe. E pior, só existe ali naquele roteiro.

O que ele diz é fácil de ser dito, o que ele faz é fácil de ser feito. O difícil é repetir os atos em um plano onde nós somos julgados se espirramos alto, se gaguejamos e se temos um filho antes dos 22. Difícil é por a cara no sol e absorver o fato mais lindo e difícil de todos: lá embaixo não tem nenhuma espécie de suporte.

No fundo, acho mais digno se privar de tudo, inclusive do beijo naquele cara desconhecido, inclusive de viver ao lado dela, se no fundo nunca tiver coragem de ter as atitudes à flor da pele, de entregar seu coração sem reservas. Pelo menos, aí você não vive, nem existe, no tal contexto. Você se isola e certamente não vai ter que lidar com nada além do fato de que não pular no precipício é uma forma de se afundar no solo. Uma opção diferente e mais mórbida, mas não sejamos ingênuos de achar que fora da metáfora é diferente.

Eu enxergo adultos com doenças, físicas e emocionais, onde a única cura tem a ver com pular naquele breu e finalmente usar as asas que já estão quase destruídas com a falta de manutenção. Como cuidar de algo que eles já nem lembram que possuem? O jeito é viver. Sempre vai ser.

Ou você vive, ou vai ser mais um chato discursando sobre como os que vivem são incompreensíveis e incompreensivos, insuportavelmente incoerentes e incrivelmente intrusos no seu céu.

Mas ó, amigo, nós não temos culpa de estarmos aqui em cima. Você que optou ficar olhando aí debaixo. Pra chegar aqui e fazer do céu algo seu também, é só pular desse penhasco e descobrir um mundo inteirinho para abraçar, amar e se aventurar. É só acreditar que antes tentar se dar bem e se ferrar, do que continuar nessa vidinha de tentar não se ferrar e acabar ferrado ainda assim.

Todos nascemos para voar, todos temos asas. Não se engane, se você pular e não usá-las, estará tão mal quanto o cara que preferiu continuar na beirada, observando os que conseguem planar. Viver é o único caminho diferente, todos os outros são iguais e tão ruins quanto.

Boa sorte.

Nós: modo de usar.

Permita-me não conhecer a sua ausência, e nem mesmo em um milhão de anos entender os que disseram asneiras sobre a juventude e amor não combinarem. Voemos! Sempre mais alto, sempre com mais intensidade, sem medo da queda ou do que iremos encontrar. Dragões, pássaros, nuvens, verdades? Que exploremos o infinito das coisas finitas, provando que dá pra viver em um molde que não esteja viciado em tristeza, trabalho ou idealizações. Não sejamos limitados por nossas heranças ruins, e sim inspirados a nos libertar delas, com amor e sabedoria.

Continue roubando ao jogar cartas, prometo continuar perdendo e nunca, nem por um segundo, ficar brava contigo por isso. Em troca, preciso que assine o contrato na parte em que diz aturar minhas crises impacientes diante de deliverys e injustiças. Que a minha sede de justiça sempre te atraia, e não repila, assim como sua sensibilidade se mantenha como minha aliada, nunca inimiga. Se eu puder acrescentar algo inusitado, peço mais coragem. Seja para romper o silêncio em momentos difíceis, como pra aguentar minha tagarelice sem sentido quando tudo parecer incoerente aos seus olhos. Se eu fui entendida um dia pelo seu coração, a capacidade já está em você, basta  usarmos a chave perfeita para encontra-la: permanecermos juntos. Não só de presença, mas de alma. Não só de alma, mas de sonhos. Que, ao fechar os olhos, enxerguemos sempre a mesma constelação. O cruzeiro do sul, as três marias, a andrômeda, qualquer uma, contanto que nunca fiquemos cegos para as maravilhas que o universo nos reserva.

Você é vida, vivo, sorriso e surpresa. Nós somos sonhos e propósitos. Ilimitados e eternos.

Que nós nunca esqueçamos de recomeçarmos antes do fim, e sempre estejamos dispostos a encontrar luz dentro do outro, mesmo que as esperanças sejam escassas ou a fé esteja abalada. O amor sempre vence e sempre venceu, desde o primeiro dia. Afinal, foi o calor dele que nos atraiu ao segundo, terceiro e quarto encontro. Depois de um primeiro beijo atrapalhado, das pressões externas e internas acalentarem as dúvidas, das cicatrizes anteriores lembrarem o risco da frustração, cá estamos nós: juntos. Vencemos, e a cada dia temos uma nova vitória. Seja pelo “banoiti”, seja pelas torradinhas oferecidas pelo Whatsapp. E claro, não há como deixar de pedir: tente me perdoar sempre, porque de mágoas a gente não se recupera nunca, e sejamos sinceros: pra que afetar nossa evolução diária com traços tão ruins e definitivos? Não há creme rejuvenescedor que resolva.

Em meu coração, peço antes de dormir que a juventude seja sempre nossa marca, mas não o vício em eletrônica e “nights doidonas”, mas a vontade de viver o hoje como se não houvesse amanhã, sem medos e receios. Viajar, se aventurar, chorar, rir, amar e acima de tudo: sonhar. Que os nossos sonhos permaneçam intocados, abençoados e maravilhosamente prontos para serem colocados em prática. Afinal, viver platonicamente para quem ama de forma tão recíproca soa um baita desperdício!

Eu sou grata, e espero que você também lembre de ser. A gratidão é o que nos move para frente, para cima, e de vento em popa. Agradecer por nós dois, por você, e até pelo trânsito que nos fez viver mais capítulos para o nosso livro, eu sinceramente agradeço. O maior erro dos idealizadores é nunca terem plena consciência de sua própria situação, tornando-se cegos e invejosos, mesmo quando estão muito melhor do que sonham. Bom, eu admito que um dos meus maiores erros era nunca ter uma visão verdadeira sobre o que eu era e o que eu tinha, mas depois de alguns anos sem entender, cá estou, admirando e agradecendo por tudo que conquistei e me foi dado pela vida. Até mesmo essa curiosidade que me faz perder alguns minutos lendo sobre surfistas e religiões do interior da Alemanha. Sem ela, eu não teria você e sem você, eu não teria nós.

Que a gente sempre se tenha, se mantenha e se abstenha de tudo que for ruim, de tudo que for prática dos “idealizadores do século XXI”. Sonhemos, mas sejamos conscientes: o melhor do futuro é ser a consequência do hoje, da gente.

Pulem esse.

Ele tinha mãos grandes, voz alta até falando baixo e uns olhos marcantes, que falavam por si só. Lembro deles felizes, tristes, zangados, emocionados, neutros e preocupados. Eu fico me perguntando, sabe? Então, a gente vai se ver de novo? E eu vou conseguir chegar até lá? Eu vou ser forte, crescer e dar o máximo de mim?

Eu tento ser a neta que ele iria querer ter, sabe? Querendo ou não, foi ele que me mostrou o outro lado da história sempre que eu trazia algo novo nas caronas de volta da escola. Ele que me deu um livro aos 12 tentando me ajudar a ser uma mocinha boazinha e certinha. Ele só queria o meu bem, e assim o fez para todas as netas e netos. Ele foi incrível.

Tantas vezes brigamos, tantas vezes gritamos, tantas vezes nos ajeitamos da nossa maneira. Eu sinto tanta falta. Isso nem sequer é um texto, sabe?

É tudo que eu sinto. Tudo que eu penso. Tudo que me vem a mente ao não ter comemorado o aniversário dele.

Ele era tudo pra ela, sabe? Ela era tudo pra ele. Mas e agora? O que dizer além de sorrir e abraça-la? O que fazer? Eu não sei.

Eu só queria que os casais que verdadeiramente se amassem fossem embora juntos. De mãos dadas. Com força, fé e amor. Pela última vez, ou apenas mais uma.

Mas não.

Não é assim.

Ela ficou.

Com todas as lembranças, lugares, cômodos, marcas, sonhos, segredos, heranças, saudades e dor.

Ela ficou com todo o amor.

E eu me pergunto, o que fazer? Vó? Perdoar.

A gente precisa perdoar.

Ele podia ter se cuidado mais, ele podia ter se metido em menos encrencas, ele podia ter esperado.

Mas não.

Ele não fez e não é por isso que não nos roubou risadas, carinho, admiração e uma dedicação praticamente eterna. O que quer que eu faça, lá está o pensamento subentendido: meu avô adoraria.

Ou: meu avô não entenderia.

Mas sempre: meu avô ainda assim me amaria.

Essa sensação é tão boa e ruim, Senhor.

Tão boa e ruim.

Porque, cá entre nós, quem é que nos ama independente de tudo? Quem é que nos abre seu coração a ponto de queimarmos todas as expectativas, plantarmos frustrações e, ainda assim, disponibiliza-nos um amor incompreensível?

That’s my grandpa!

E eu fico aqui… Admirando, sentindo saudade e tendo medo.

Por que diabos que o amor incondicional, e tão seguro, parece aos poucos estar se esgotando da face da Terra?

Por que… é tão difícil amar do jeito que ele amou? Do jeito que ele cuidou de todos? Tantas caronas, tantos conselhos, tantas interrupções em sua rotina cheia para fazer algo bobo pra ele, mas de enorme importância pra todos os outros?

Ele foi o melhor, e mais ciumento, marido do mundo.

Ele foi o melhor, e mais justo, pai do mundo.

Ele foi o melhor, e mais presente, avô do mundo todo.

Ele me chamava pra conversar e eu ia… Sem muito ter o que falar, sem nem saber direito o quão único era aquele momento.

Ele só… era ele.

E eu lembro até hoje de quando eu corri na biblioteca dele e peguei uns livros de Direito Administrativo, correndo, com uns 4/5 anos, disposta a me tornar uma advogada logo. Quem diria, né? Eu, hoje, aqui. Quem diria?

Ele.

Ele diria.

Que saudade, vô.

Que o meu amor transborde nessas lágrimas e de alguma forma seja sentido, seja contado, seja a diferença nesse mundo tão frio, tão diferente da gente, tão… perdido.

É difícil amar, vô. Mas se você fez isso, eu me sinto pronta pra tentar e dar o máximo de mim. Sem desistências, sem furos, sem… quedas sem pulos pra levantar. Nada de moleza, não! Acordar as 3 pra escrever algo que veio a mente, ir dormir as 5 porque nada é mais importante do que terminar o que quer que nós tivermos em mente.

Que saudade.

Que a sua força, a sua fé, e o seu amor, me segurem, me conduzam e me ajudem. Eu não sou perfeita, mas só de ser sua neta me sinto suficientemente preparada.

Eu te amo!

Um quebra-cabeça nunca é formado por peças iguais.

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As diferenças sempre me assustaram. Quando eu tinha unhas curtas e as garotas sempre conseguiam mante-las enormes, quando todas eram festeiras de carteirinha e eu não saía de casa direito, quando todo mundo beijava na boca e eu ainda era a famosa boca virgem. Sem pecar no exagero, eu sempre fui uma pessoa insegura até demais. Irônico, mas o que me tornava a figurinha brilhante do álbum, causava também um desconforto terrível. Se todos eram felizes sendo do jeito x, como que eu ia conseguir um final feliz sendo y?

Eu lembro quando alisei meu cabelo aos 12. Faz um tempão, mas eu nunca esqueci da sensação de me achar bonita pela primeira vez. Triste, mas entrar pro padrão era tudo que eu sonhava na época. No que diz respeito a tentar me padronizar, fui longe e tenho boas histórias. Aliás, boas não. Só engraçadas. Por exemplo: eu queria muito ter a franja de uma menina da minha sala na 4ª série, mas meus pais nunca deixaram, então acabei me ferrando demais tentando fazer sozinha no espelho do banheiro. Aquele cabelo indefinido e pra cima ficou uma bela d’uma porcaria quando a minha mãe decidiu não me levar no salão para consertar, afinal, eu tinha uma lição para aprender. Foram alguns aninhos de fotos constrangedoras que espero nunca mais ver. Dói lembrar o quanto eu era meio boba com as tais diferenças.

Aos 20, admito que achei que tinha superado. Gosto do meu cabelo curto em contraste com a moda dos cabelos compridos, admiro meu jeito extremamente emocional perto da galera meio vazia que me cerca, adoro não ter muitos objetivos definidos – e sim sonhos. Mas no meio das férias, me deparei com uma situação difícil de lidar. Apaixonada, livre, amada, eu estava perfeitamente acomodada no meu potinho de amor, porém a vida nunca é calmaria o tempo inteiro. A onda que veio me pegou em cheio: eu e ele não somos iguais.

Eu sei, isso é completamente normal e não existem pessoas idênticas por aí, aliás, a graça da vida é exatamente essa. Ok. Só que eu não visualizei dessa forma. Uma coisa é ele gostar de sorvete de alpiste e você detestar, mas e quando características diferentes um tanto mais profundas saltam ao seu rosto? E quando uma parte sua caminha para a direção contrária dele?
Quando ele sonha com o amanhã, e você só quer a certeza da noite bem dormida. Quando ele é religioso fervoroso e você é a ateia mais descrente do mundo. Quando ele é aventureiro e você tem medo de quase tudo fora dos muros da cidade.

Amar alguém distinto dessa forma é a melhor experiência que nós poderíamos ter para crescer, definitivamente, mas só se você tiver uma certeza aí dentro: desistir não é uma possibilidade. Veja bem, nesse caso nenhum dos dois é potencialmente perigoso para o outro, aqui só existe um casal que se dá bem em quase tudo. Quase. A beleza dessa palavra é que os seus limites serão testados, ultrapassados e expandidos. A escolha será clara: sua zona de conforto ou os braços dela? Seus medos incoerentes ou o sorriso dele?

Sendo quem sou, não reagi muito bem ao enfrentar a realidade de que, apesar das nossas maravilhosas semelhanças, tinha um lado dele incompatível com tudo que eu já tinha sido até hoje. A insegurança bateu. Será que eu serei sempre o suficiente, ou vou perde-lo aos poucos por não acompanha-lo nisso também? Parece bobeira, mas quem já passou por isso pode confirmar: divergências podem ligar qualquer alarme mais sensível ao caos.

Entretanto, a situação foi resolvida e eu entendi mais uma vez como não teria a mínima graça se eu já tivesse nascido exatamente como ele. Meu lado controlador de ascendente em capricórnio suspirou. Se a gente é amado por alguém, não adianta, podemos até não entender, mas se foi o seu dedinho torto, simplesmente foi e apesar de diferente, foi perfeito.

Mesmo que a voz fraquinha soe forte na sua cabeça e te convença de que os afastamentos emocionais nascem em discordâncias, tente não esquecer do preceito mais básico da vida: diversidade é o que há de melhor. Sejamos fiéis ao amor e tenhamos fé no fato de que tudo se encaixa. O tempo passa calmo e sábio, os sonhos se alinham, os gostos se complementam, os medos se vão e a certeza só fica maior: se a gente ama pelo que a pessoa é(e não pelo que ela poderia ser), nós somos amados exatamente nessa mesma linha de raciocínio.

E só pra relembrar, hein? O amor tudo espera, tudo suporta, tudo sofre e tudo crê.

Agora, fica como presente de mês-aniversário um soneto-poema-treco que eu fiz mesmo sabendo que iria ficar um lixo. O motivo continua interno, mas a essência fica explícita o suficiente.

NÃO TE AMO pelas centenas de livros que leu, filmes estrangeiros que gostou
ou por adorar falar no celular,
te amo pelo Pequeno Vampiro, pelo American Pie e
por nunca ao livre e espontâneo acaso me ligar.

Te amo como todas as mocinhas amam seus respectivos pares,
trocando a dependência cega pela doce cumplicidade,
abrindo mão da tediosa fantasia pela mais emocionante realidade.

Te amo porque se não amasse não sei quem seria,
muito menos o que faria,
aliás, certamente viajaria,
tentando te achar em alguma sorveteria.

Te amo porque contigo posso chorar,
insetos odiar,
meu pé na trilha machucar,
e sem censura ou freios: reclamar.

Te amo porque seus braços são meu abrigo quando preciso me refugiar,
Seus pés meus guias quando não consigo andar,
Seus olhos minha luz quando não posso enxergar,
Seu sorriso minha melhor inspiração mesmo em uma noite de luar.