Vale a pena?

Será que vale a pena sentir?

Digo, estamos acostumados, pelo menos eu estou, a julgar tantos e tantas que aos meus olhos são extremamente desinteressantes porque descaradamente mostram que não sentem a mínima necessidade de algo mais profundo do que um flerte mal dado. Eu sempre me preocupei em criar uma lista sobre os defeitos que essas pessoas carregam. Afinal, não é para menos: eu nunca vou entender as garotas que não só gostam, como veneram caras que tem como prioridade causar por aí com o boné pro lado, cigarro na mão direita, copo de cerveja na mão esquerda e um andar de quem é mais do que qualquer um no recinto. Mais o que? Mais qualquer coisa. E eu não posso negar: no quesito de ser “qualquer um” ele é mais do que qualquer outro.

Só que não dá para ficar de um lado do campo eternamente, nós precisamos de mudanças e é exatamente por isso que resolvi questionar o outro lado: por que diabos se propor a conhecer alguém, invadi-lo, deixar-se ser invadida e, subitamente, estar vulnerável às casualidades que, realmente, podem acontecer em um belo dia de sol e destruir seu castelo, te deixando soterrada e violada? É uma insanidade.

Eu conheço garotas absurdamente apaixonadas e algumas são tão humilhadas, aliás, elas chegam a ser esquecidas por si mesmas ao viver às custas de um “amor” que é maior do que elas podem suportar. Obviamente, não é toda relação profunda que resulta nesse beco que não tem saída e nem amor próprio, mas uma boa porcentagem pode servir de justificativa para as que fogem e preferem relacionamentos onde o término só vai ser sinônimo de uma caixa de lenços e uma noitada com as melhores amigas.
Depois do momento frio e impessoal do “não dá mais, não é você, sou eu”, lá está ela, toda linda, toda sexy, dançando e sendo feliz com a galera. Enquanto isso, o time das profundas que se envolveram com caras que as exploraram e sumiram está se empanturrando de comida, ou cigarros, ou dando PT em algum canto.

Sem querer parecer pessimista, mas diante da probabilidade enorme de um relacionamento aos 20 terminar antes dos 22, eu te pergunto: por que investir e por sua alma nisso? Por que investir, dentro da melhor fase da sua vida, em algo que dará vontade de esquece-la permanentemente? Quer dizer, eu tenho um amigo que está destruído. A culpa não foi dele, nem dela, mas a consequência foi triste: sofrimento e desilusão. Independente do futuro, o passado está intocado e o presente impossibilitado. É inegável: o “amor” não basta. E se o “amor” não basta, por que diabos colocá-lo na conta, afinal, ao faltar qualquer outro elemento necessário você vai pra sarjeta diferentemente dos que preferiram não arriscar.

Bom, após uma imersão total em defesa aos que preferem ser rasos e superficiais, eu volto à mim e te digo: vale a pena sentir.

15 minutos com amor, e todos os outros elementos, valem muito mais do que uma vida daquela solidão acompanhada. Pode dar errado, mas você também pode morrer hoje e não é por isso que você prefere deitar em posição fetal na cama e desistir de viver. Aliás, eu ouso dizer que, se você descobrir que morrerá hoje as 18h, aí que está comprovadíssimo: vai viver como se não houvesse amanhã, porque de fato não tem.

Então, o seu “amor” pode não ser o suficiente para fazer dos seus sonhos realidade, mas esse argumento não é o suficiente para qualquer fuga. O destino, nesse caso, é você quem decide e o velho pensamento de que existem 90 chances em 100 da felicidade duradoura não ser alcançada é balela. Mesmo que tudo não passe de uma utopia juvenil, ao olhar dentro dos olhos de alguém e se apaixonar por sua alma, é impossível resistir ao ato de tentar. Tentar parece e de fato é a única escolha válida.

Uma vez que o casal se disponha a tentar, sabendo que o “amor” nunca será o suficiente, eu me dispus a pensar sobre isso. É difícil, eu sei, ouvir essa afirmação. Afinal, o “amor” é tudo, por que diabos ele não supre qualquer necessidade dentro do relacionamento?
Longe de tentar parecer arrogante e dona da verdade, eu apenas sugiro que enxerguem por esse lado: esse “amor” que cabe até entre essas duas aspas foi mais compactado e simplificado do que deveria. Essa compactação faz com que que hoje em dia esse sentimento tão maravilhoso não consiga com que um namoro dure mais do que seis meses.
Nós estamos acostumados a achar que não cabem reflexões dentro do irracional, da intuição, dos sentimentos; mas é exatamente pela falta de atenção às letras pequenas do contrato de se verdadeiramente amar alguém que acabamos soterrados em sonhos e expectativas.

O amor que as pessoas dizem que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, não é instantâneo. Não é um bolo de cinco minutos, e sim aquele de vinte camadas com uma cobertura difícil pra cacete de ficar “no ponto”. É tão simples quanto detalhado. Precisa de tanta atenção quanto o seu ego, ou até mais, e é um trabalho contínuo – e talvez eterno – de aperfeiçoamento.

Não sou a rainha dos conhecimentos amorosos, infelizmente, e mesmo que fosse… Ainda assim estaria tão vulnerável quanto todos, porque o amor é algo que nunca será unilateral. Se é, não é amor, é admiração, carinho, maluquice, paixão platônica, emoção, tesão, qualquer coisa que não comece com “a” e termine com “mor”. E depois, pode ter certeza, vira ódio, raiva, indiferença, qualquer coisa que não tenha um pingo de paz. Quando a gente faz parte de algo que teve amor, dificilmente teremos espaço para mágoas. Quem ama não cobra, na verdade, quem ama entende. Entretanto, a gente tem se dado muito mais amor do que aos nossos respectivos “parceiros”.

Então, nos compreendemos constantemente, sem deixar espaço para enxergar qualquer coerência no atraso dele, no bico dela após aquela piadinha sem graça, na dor que causamos sem querer – mas que causamos e devemos reparar mesmo assim -; ou seja, o problema na verdade é que nós não nos entregamos e queremos ganhar os benefícios de quem o faz.

O amor é entrega. É uma entrega bizarra que faz a gente passar por cima de todos os nossos defeitos, antes tão amados e respeitados, e abraçar outra alma com a mesma quantidade de apego que fazemos com a nossa. E eu honestamente te digo: quem não fizer isso, talvez nunca consiga entender porque os avós passaram por trancos e barrancos e ainda assim estão juntos. Só se entregando que você consegue captar a profundidade desse ato e sua sina de eternidade.

Ah, mas e quanto aos que terminam? E quanto aos que dão errado?

A entrega é sinônimo de companheirismo, paciência, compreensão, cumplicidade, compatibilidade aperfeiçoada dia após dia, atenção, timing, cuidado, sinceridade e muita, mas muita mesmo, vontade. Soa completamente cabível que a maioria não consiga juntar todos esses ingredientes em “qualquer” tentativa de relacionamento, porque nós temos uma dificuldade enorme de amadurecermos a ponto de captarmos a essência da vida, a nossa própria essência e a do outro. Ou a gente encontra alguém que tenha a mesma visão, e por isso, a facilidade em encontrar coerência mesmo nos nossos erros; ou estamos fadados a chegar no amadurecimento errando, deixando uns corações partidos, inclusive o nosso, para encontrarmos finalmente alguém quando o famoso “timing” estiver na lista.

Minha maior dificuldade com os textos de hoje em dia expostos sobre esse assunto é que eles colocam o “timing” como verdadeiro divisor de águas. Ele é o maioral. Ele é quem dita x ou y. Mas não! Isso é tão simplório que dá dor de cabeça em qualquer admirador do antigo e completo modo de ver as coisas. O timing é só mais um elemento, que costuma aparecer mais, porque as pessoas preferem dizer que foi a “falta de sincronia nos sonhos” do que a falta de vontade de sonhar juntos.

Apesar de sempre existir a exceção, eu não tenho medo de assinar embaixo quando digo: quando tem amor, e não o “amor”, quando surge aquele que carrega e impulsiona milhares de outros sentimentos e atitudes, é completamente impossível de dar errado.
Mesmo que algo diferente dos livros, filmes e séries aconteça… Deu certo. Mesmo que em um belo dia de sol o castelo seja destruído por algum fator x terrível e ligado à nossa vulnerabilidade humana: deu certo.

Tem a ver com todos os momentos em que você entro nos olhos dele e conseguiu ver a sua alma. Não a dele, a sua. E a dele também, aliás, misturadas e dançando em sincronia. Sem esquecer da sensação maravilhosa de rir até a barriga doer em uma tarde que com qualquer outra pessoa teria sido awkward ou tediosa. Ou ainda, deu certo por tudo que você aprendeu e pelas coisas que nunca conseguiu, mas que ele tão gentilmente aceitou, porque o aprendizado foi em via de mão dupla. Ao vivermos a experiência de termos como melhor amigo o nosso amor, e não só o amado, você entende que independente do amanhã: deu. Foi. Conseguiu.

A vida pode ser uma merda, mas e daí? Você amou e foi amada.

That’s all, folks!

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