Ele não é só mais um.

Ele não é só mais um.

Eu sei, e a certeza disso nasceu meio tímida, desde aqueles dias em que eu, por hábito antigo, cruzava os dedos esperando que ele falasse a coisa errada, na hora certa, fazendo com que se constatasse: “ele é só mais um”. Eu esperei, esperei e apesar de ter torcido, tudo foi em vão, porque ele só dizia exatamente o que previa o script de um daqueles romances que eu cansei de ler e reler na minha pré-adolescência.
Ah, e que ele não chegou nem perto de ler, porque estava ocupado assistindo aqueles filmes que eu sempre menosprezei e disse que jamais daria moral. Filmes que hoje em dia já até me programei pra ver, porque não é que, no final das contas, ele me convenceu? Se existem tantos fãs de um bruxinho por aí, ele deve ser no mínimo carismático.

Inevitável me esquecer de todas as vezes em que os beijos dele me passaram tanta energia que os pequenos choques eram sentidos nos lábios, na alma e do começo ao fim da nuca. Sem dúvidas, pra conta do “ele não é só mais um”, aquele bilhete de amor jogado no meio dos meus livros precisa ser somado. Assim como o cordão que ele se desdobrou pra comprar e entregar no dia 5, mesmo que a gente já tivesse ficado um tempão juntos no dia anterior e com uma prova terrível pra ele no dia seguinte.

Mas até aí ele só era diferente. Podia ser só mais um versão 2015. Podia ser só mais um versão vinte anos e mais vinte rolos de papel de trouxa pra fazer.

Foi aí que eu comecei a notar se as bagagens dele estavam prontas e feitas, ou as roupas dele já estavam dobradas – embaralhadas – na gaveta. Me surpreendi. Elas estavam não só guardadas, como eu já não conseguia separar o que era meu, o que era dele. Ou ele ia embora sem nada, nem mesmo com o que era dele, ou ele ficava e continuava aquela conversa que sempre ficava pro dia seguinte. Eu notei como já haviam resquícios dele não só emocionalmente, mas na minha paixão por suco de morango, ou pelas barrinhas de banana que agora eu vivo comendo. De 3 em 3 horas.

Eu me encarei no espelho e dei um sorriso, depois de uns segundos respirando fundo, porque ele é o cara que me ouve e realmente escuta. Ele fala como se soubesse exatamente o que dizer. Ele faz planos, até mais do que eu, e tem uma risada cheia de vivacidade. Eu consigo rir agora só de lembrar de como ele ri de corpo e alma. Ele é o cara que me segura pela mão e me coloca do lado de dentro da calçada, me protegendo até mesmo do que ele até outro dia não sentia a mínima intimidação. Ele me faz provar coisas novas, e nem reclama tanto do meu jeito metódico de gostar do mesmo frapuccino sempre. Ele nem sequer reclama. Aliás, só quando é pra ser engraçado e me fazer rir com aquele tom de voz que ele usa pra isso. Falando nisso, preciso pontuar que a voz que ele usa pra cachorros também é extremamente atípica, porque todo mundo fala de uma forma mais boba com animais e bebês, mas ele não é só bobo. Ele parece ter 5 anos e tratar todo cachorro como se fosse seu melhor amigo.

Ele sabe a minha banda preferida, é gentil e generoso, ele deixa eu cuidar dele e entrar em todas as camadas internas possíveis e impossíveis. Parece conto de fadas, mas é só olhar nos olhos dele que eu fico completamente hipnotizada. Nada mais importa, nem meus medos, nem meus sonhos, quando eu fito aqueles olhos as vezes claros, as vezes escuros, eu posso fazer qualquer coisa, mas só quero uma. Eu só quero ser dele, e que ele seja meu, sem validade ou limite. Sem reservas.

Ele ao invés de me irritar e magoar, consegue me curar de feridas feitas por outros, além de sempre me fazer enxergar o mundo pela perspectiva dele. Mais simples, e totalmente inspiradora aos meus olhos. Por causa dele, passei a me olhar no espelho e ver uma garota mais confiante, menos fraca e com um leque de oportunidades imperdível. Eu passei a acreditar.

E quando você conhece alguém que, sem dizer uma palavra, te faz acreditar, aí você sabe: ele não é qualquer um. Nunca foi, desde o primeiro sorriso naquela fila do cinema, desde que a gente encontrou nosso jeito de encaixar as mãos pra andar em público e não só em público, mas de um cômodo pro outro dentro de casa também. Desde que a gente achou no outro um abrigo, um refúgio, um universo inteiramente novo.

Então, lembrando de uma conversa com um cara que foi só mais um há uns anos atrás, eu parei pra pensar em como eu considerava todos só mais outros que de nada valiam e como eu sabia, dentro de mim, o que sentiria quando chegasse o cara que não ganharia só palavras bonitas, mas preocupação, carinho e compromisso. Que ganharia de mim a coisa mais preciosa que eu posso dar: euzinha. De corpo e alma.

Sem mais delongas, hoje eu fico torcendo, de dedos cruzados, pra ele continuar bancando o roteirista de filme de comédias românticas e pra eu conseguir fazê-lo rir e sempre se sentir quentinho antes de dormir, longe ou perto. Hoje eu só quero que ele saiba que ele não é nada menos do que o amor da minha vida e que eu jamais desistiria de poder beijá-lo todos os dias, colocá-lo do meu lado de protagonista em todos os meus sonhos, e de ser a sua admiradora de sempre.

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