Saudades de começar de dentro e conseguir aprofundar ainda mais. 

Digitar e apagar. Compor e descompor. Pensar e despensar. As vezes é complicado ser tão sensível a ponto de ter a necessidade de falar tão forte quanto o respeito pelo espaço alheio. Digo, pelo planeta Terra e sua não necessidade de ouvir minhas reflexões. Entretanto, cá estou, de moletom e pernas cruzadas, pesando meu dedo contra as letras, formando palavras que logo mais serão mais uma confissão pessoal.

Quem sou eu, afinal? Corajosa ou uma farsa? Adulta ou criança? Sonhadora ou iludida? Eu gosto de pensar que eu sou a primeira opção diante dessas perguntas, mas inevitavelmente as vezes a dúvida me preenche. Quando eu era menor sempre gostei de músicas que falassem de liberdade, ou da busca pelo sentimento de ser livre, e talvez não fosse por acaso ou gosto. Talvez fosse uma forma de sobreviver internamente, comparáveis aos meus atuais mantras e espiritualidade. 

Eu ainda preciso de liberdade, porque todos que eu conheço são tão vazios e presos que um grito interno fica preso no fim da garganta toda vez que sou obrigada a ouvir conselhos, partilhar visões de vida e etc. Destinados, talvez, ao aprionamento por suas personalidades, escolhas alheias, medos, eles aparentam uma essência tão diferente. Tão distante. Eu me sinto longe. Então, me apego a ideia de liberdade com ferocidade proporcional à que sinto para nunca ser igual, nunca me sentar nas mesmas cadeiras.

Arrogância ou sobrevivência? 

Não é tão simples achar que é bobeira da minha parte: eu simplesmente perco o brilho dos olhos quando sou frequentemente afrontada para ser diferente ou me encaixar. Nasci tão apaixonada pela ideia de ser menos um tijolo na parede que nem mesmo os conselhos que saem da minha boca tem resquícios de senso comum. É como se fosse um bom resumo do que eu quero pra minha vida, sabe? Ser diferente. Porque ser igual parece insuficiente, e até um pouco triste. Nós só vivemos uma vez, por que não nos sujeitarmos à originalidade exaltada por todos? Todos criticam o clichê, e eu, que reservava os românticos de possíveis defeitos, parei de fazer isso assim que me apaixonei de verdade. Antes eu considerava que os clichês amorosos pela sua simplicidade eram exemplares e bons, em qualquer circunstância. Só que isso nada mais é do que um equívoco de quem nunca amou. De quem nunca conheceu o amor. Agora, eu ouso dizer que a minha sede por diferenciação cai também sobre os relacionamentos. Eu não consigo admitir que o senso comum invada nem um canto da minha vida, porque eu sou infinitamente cheia e satisfeita de todos os traços que nasceram comigo e da mesma forma morrerão. Eu não me esqueci de ser alguém fora da fila indiana e não pretendo esquecer. 

Então, dias como o de hoje me pegam de surpresa. É cansativo me deparar com inseguranças todas as vezes que paro e me analiso, mas hoje foi além disso. Em um minuto de instrospecção, questinei-me o quão auto-destrutiva eu sou. O quão exposta aos meus próprios vacilos estou? Sem resposta. Pensei na palpitação que senti ao me perguntar se estou mesmo pronta pra amar alguém a ponto de não exigir nada, nem mesmo o amor recíproco. Pensei no medo de futuros que me corrói e faz com que eu duvide da minha capacidade de chegar lá inteira. 

Eu sei que tecnicamente é pedir demais, mas me vi extremamente irritada de talvez não ser forte o suficiente. De não colocar minha felicidade acima de qualquer coisa. Forte a ponto de negar qualquer possibilidade de desistir ou enfraquecer sonhos e posturas. 

Ama-lo é como me sentir a pessoa mais sortuda e mais azarada do mundo. Sortuda porque eu conheci a outra metade, que platão falava há tanto tempo atrás e ninguém escutava com atenção o suficiente. Ele não quis dizer duas partes iguais, coladas e perfeitamente compatíveis pelas semelhanças. Platão, aos meus olhos, falou sobre duas pessoas que são completamente diferentes e apesar disso conseguem ficar juntas. Conseguem ter sincronia, tanto nos movimentos quanto nos pensamentos, e juntas formam um conjunto de qualidades e defeitos complementares a ponto de formar a perfeição. Perfeição que os faz serem felizes juntos apesar dos pesares, o que é tão difícil quanto cair de um prédio e não morrer, e por isso é algo tão invejável. Por isso é inacreditável. Não julgo os deuses pela separação e por terem os embaralhado ao lhéu. Com boas ou más intenções, não há gratidão maior do que achar a metade correspondente e notar como os pontos se encaixam, assim como a coragem aparece. Então, sou sortuda. Todavia, como não me sentir azarada de sentir esse mito contestado diariamente? De ter que lutar o tempo inteiro, de ter que lidar com meus maiores medos para poder ficar com ele?

Ok. Epifania. Não sou azarada, esse aqui é meu lado descrente em mim mesma falando. Porque aqui, nesse lado obscuro, questiono se conseguirei trabalhar, estudar e manter o bom humor. Manter a minha essência. Será que passarei de fase sem afetar tudo o que ele sente? O que nós sentimos? Aqui eu penso em todo o meu ciúme, meu medo de perde-lo e parece que não tem saída. Parece que eu só nasci para não ser feliz. Entretanto…. Que epifania maravilhosa. Eu consigo. Eu consigo e não é porque eu simplesmente estou falando isso na frente da tela, mas porque eu não dependo de ninguém além de mim para ama-lo incondicionalmente. E aqui tem amor o suficiente. Independente de palpites ou estatísticas, independente de fraquezas… Eu posso, sabe? A mania de me tratar como café com leite me faz desconfiar das minhas possibilidades o tempo inteiro, mas isso precisa cessar. A gente vive uma peça sem ensaios, com reviravoltas e bastante drama, mas sem segundas chances. As pedras jogadas jamais serão esquecidas ou apagadas. Portanto, hoje foi um daqueles dias em que eu acordei o amando e pensando “puta merda, ele é o amor da minha vida”, e também foi um dia em que eu ouvi “cuidado pra não se prender ao primeiro, segundo ou quinto amor que bater na sua porta”. Mas nada cabe nessa situação além do sorriso mais sincero e do pensamento mais bem guardado: eu sei que é um risco, mas quando é pra ser, a gente não duvida que é a pessoa certa. A gente tenta andar juntos e o sincronismo acontece. Flui.

E hoje também notei que nem sempre eu vou sorrir no fim do dia, nem sempre vou ser um sucesso de mulher. Mas isso desmerece todo o resto? Isso me limita? Um fracasso não deve nos aprisionar e sim nos impulsionar, ou ao menos nos dar uma nova perspectiva. Não dá pra se desacreditar porque te colocam pra baixo ou porque você, acostumada a superar expectativas, ficou em um nível regular. 

Se você cai do cavalo, você sobe de novo e não deixa ele te pisotear. A queda é o suficiente. 

Perdida em pensamentos, pisco e finalmente me desligo da reflexão. Não é fácil ser assim, mas pelo menos o sou. Pelo menos ou pelo mais, acabo a noite suspirando e confiando. 

Continue a nadar, continue a nadar…. 

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