Esse ficou feio.

Outro dia me questionei sobre onde ficava o nosso amor aqui dentro. Quero dizer, o quão protegido do mundo, de você, ou até de mim, o nosso amor está? Catalogada do jeito que sou, respirei fundo e mordi meu lábio inferior me surpreendendo com a falta de possíveis respostas.
Entretanto, pensei no que eu sabia sobre ele e talvez tenha chegado nele de uma forma um tanto empírica. Tentando.
Ele se fortalece todas as vezes em que você me surpreende e age como se eu já fosse uma parte sua, o que acontece com frequência, mas nunca deixa de ser novidade porque isso não é algo que seja rebaixável à normalidade, ao time da casualidade.
Ele me deixa surpresa toda vez que eu penso em fazer algo, mas meu coração me direciona para o caminho oposto. Meus medos, orgulho, meu pragmatismo, características que sempre entraram em cena com toda a força, se veem totalmente desmoralizados quando o amor entra em cena e eu só consigo me expor. Só consigo abrir a boca e te falar o quanto você é maravilhosamente especial e eu me arrependo, seja de ter sido mimada, de te ofender ou magoar.
O nosso amor aparece sempre quando, por mim, eu sairia correndo. Como quando eu noto o quanto eu sou vulnerável perto do seu corpo, dos seus olhos, da sua voz, da sua boca e da sua própria dor. Eu sairia correndo em dois segundos porque a minha fragilidade perto disso tudo é indescritível. Ficar, na primeira vez que eu notei tudo isso, foi decidir ser completamente afetada e, assim como a Lua e a Terra, ser ligada a você por algo que deveria ser alvo de estudo de tão interessante e forte. O nosso amor fez isso, não eu.
A simples resposta é de que eu nunca fiquei em situação nenhuma, só quando esse sentimento tão firme, decidido, maravilhosamente persuasivo e sábio chegou. Só quando apareceu algo, ele, que me fez crer que valia a pena.
Sempre que a parte que mora aqui dentro entra em contato com a parte que está dentro de você, tomo um choque e não consigo parar de sorrir por pelo menos dois dias. Sentimentos não são visíveis, mas o nosso é. De certa forma, quando eu olho no fundo dos seus olhos, eu vejo o quão destinados e amados nós somos. O quão seguros e diferentes nós nos tornamos conservando todo o afeto, as descobertas, as singularidades e as fraquezas um do outro.
Nós podemos não prestar muito atenção nas singularidades das funções, mas quando o assunto é você, eu noto se você suspirou, se você me olhou um pouco rápido demais, e até se você me deu um beijo mais morno. Isso não é qualquer coisa, sabe? Isso é amor. No caso, só o nosso.
E eu parei pra pensar nele porque toda vez que me perguntam se eu acho que vou ficar pra sempre com você, eu só tenho uma resposta em mente. Mesmo quando a pergunta nasce de um olhar mais crítico sobre a minha insegurança. Me disseram pra eu me preparar para a outra possibilidade, mas aí o nosso amor entrou em cena e me surpreendeu de novo.
Fiquei calada. Não absorvi, não tentei lutar contra. Fiquei calada. E do nada, lembrei do seu perfume e de como as nossas mãos se encaixam, nossos sonhos se complementam, e os nossos olhos são portas de entradas. Lembrei de tudo em mais ou menos um minuto, antes de eu suspirar e mudar de assunto.
Eu não tenho dúvidas, mas é normal o mundo inteiro ter. Já o que não é nadinha normal é deixar de notar todas as vezes que o nosso amor protegeu a gente do pessimismo, alheio e meu, e blindou mais uma vez os nossos sonhos. Ou seja, ele sabe se defender sozinho.
Nosso amor está num lugar suficientemente seguro para não ser atingido. Era essa sua dúvida?

Eu escrevi um poema quando eu tinha exatos 16 aninhos e 6 meses, que se encaixa muito hoje. Remendado e melhorado, ainda está um lixo, mas cá está. Esse é um dos que eu fazia quando ir pra festas me enchia o saco e eu precisava pegar meu caderno e ir escrever lá em cima do botafogo praia shopping.

“Eu ouso dizer que te amo,
Mesmo que eu seja tão errada,
Porque é por você que eu chamo,
Mesmo quando penso estar dissipada.

Eu ouso dizer que não vou desistir,
Mesmo que isso seja o racional,
Porque é você que me faz persistir,
E que vê o bem em mim, mesmo quando eu faço o mal.

Posso ter me acostumado com minhas asas,
E ser alguém bem diferente,
Mas você é um lar melhor do que muitas casas,
E isso me faz querer ser incoerente.

Como um ser que só sabe voar,
Faz morada definitiva?
A resposta só o nosso amor dará,
Porque ele nunca nos deixa à deriva.”

No caso, não é nada tão literal, porque eu tanto quanto você gosto muito de voar por aí. Livre, leve, solta, mas do seu lado. Te acompanhar virou meu passatempo preferido. No poema, eu quis dizer que a morada definitiva era para os meus pensamentos. Minhas dúvidas, minhas convicções, meu “eu” interno que sempre ficou tão sem gravidade, bagunçado aqui dentro. Quando eu divido isso contigo, todas as vezes, eu sinto que você faz com que tudo fique em fileiras, no chão, dando aquele ar de ambiente organizado, em paz. Tudo lindo.

Te amo, momô.
Brigada.
E desculpa. Porque era pra ser um texto fofo, mas nem foi. Fica pro de 6 meses.

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