Casamentos e minha eterna licença poética para me inspirar com aqueles “bem-casados”.

Casamentos. Tem algo de diferente na atmosfera dessa celebração tão carnal e espiritual ao mesmo tempo. Não é só o fato de um casal estar demonstrando publicamente sua devoção ao amor plantado e colhido. Tem a ver com ser a ocasião perfeita para reflexões internas e extremamente verdadeiras, afinal, os minutos em pé à espera da noiva, quando você não consegue um lugar pra sentar, são potencialmente destruidores de clima se você não pensa em algo.
De repente, eu estava lá, tentando me equilibrar em cima dos 8-10 centímetros, e os meus avós me vieram na cabeça. O porte forte e combativo do meu avô, o amor incondicional e a vivacidade da minha avó. Aliás, a vibração de amor à vida que os dois passavam em suas palavras e atitudes. Eu desejei ter estado lá no casamento deles. Quem diria, anos depois, que eles teriam filhos e netos tão admiradores do amor que eles cultivaram desde aquela época? Aliás, desde o primeiro momento, onde minha avó detestava o meu avô porque ele havia contado pra minha bisa que ela matava aula, resultando em um castigo e uma punição diferente: a partir daquele dia, todos os dias ela seria acompanhada pelo meu avô até em casa depois da aula. Mal sabia minha querida bisa que ela estava regando um amor que depois só daria frutos maravilhosos. Depois dessa lembrança, meu coração já estava apertado o suficiente, mas resolvi lembrar dos meus pais. Força. Eu acho que posso resumi-los assim. Amor destinado, na mesma linha dos meus avós, onde tudo se resumiu à abrir uma página e escolher uma igreja pra frequentar. Quando meu pai, gaúcho e novato, chegou naquela igreja, minha mãe basicamente parecia ser a única mulher do recinto. Imagino bem, aquela paixão bem no começo, que só cresceu com o passar do tempo, das conversas, das histórias trocadas, de “desmoronar os muros”. Acabou bem, né? Ele parece feito pra ela, ela praticamente era dele mesmo antes de saber. Foi algo impactante, menos de um ano depois e o casamento foi anunciado, completando 21 anos há quatro dias atrás.
A igreja, que já era pequena, ficou milhões de vezes menor e eu senti meu corpo pesar como nunca antes. O destino sempre trabalhou nos casais que eu mais amava, será que eu teria a mesma sorte? Pensei na minha vida desde quando me entendi por gente e formei uma trajetória mental até o momento em que o conheci.
Lembrei das centenas de noites acordada, escrevendo sobre amor e sobre como eu não entendia me sentir tão incompleta mesmo me conhecendo e amando tanto. Modéstia a parte de novo, eu sinceramente me apaixonei por mim conforme fui crescendo e me tornando essa garota independente, cheia de sonhos e princípios. Eu gosto de quem eu, finalmente, me tornei. Posso até odiar meu corpo, meu rosto, mas quanto ao que eu sou… Não tenho dúvidas: me aprovo. Entretanto, eu realmente me sentia incompleta. Descobri, numa epifania em algum bar de sábado a noite, que eu nasci para ser complementada e complementar alguém. Não nasci para ser inteira e não acrescentar nada na vida de alguém, sabe? Então, sendo assim, só faltava entender porque nenhum cara parecia encaixar.
Ninguém me fazia rir tanto quanto ele faz. Ninguém competia nas caretas, nem entendia minha eterna necessidade de conversar sobre tudo. Sobre mim, sobre ele, sobre nós. Ninguém nunca me olhou como ele me olhou e conseguiu me ver da forma como ele consegue.
Portanto, antes dele, eu só conseguia sentir um vazio supremo ao não achá-lo em nenhum corpo conhecido até então. Sabe, eu podia colocar a culpa no tempo, na falta de auto-conhecimento, no beijo, na família, nos estudos, em alguma característica física ou mental, mas no fundo… Era simples porque não dava certo: eles não eram ele. E nunca serão. Nunca.
De repente, com um clique e algumas horas acumuladas de conversas aleatórias, alguma coisa tinha mexido aqui dentro. Foi quase como um “alarme” interno. Era ele, era ele!
Saímos, nos metemos em dramas e risadas. Descobrimos uma lua nova, um jeito de ir à praia diferente e a vida nunca mais foi a mesma depois de ter me sentido a vontade com ele pela primeira vez. Foi algo completamente novo. Deve ter a ver com o fato dele prestar tanta atenção nas maiores bobeiras que eu resolvo compartilhar, ou com o fato de que não consegue perder em jogo nenhum. Prefere reiniciar e voltar do zero. Ele também não gosta de ver que falhou. Temos isso em comum. Parei pra pensar nisso outro dia e ali naquele casamento, o pensamento voltou com força.
Ao invés de ser pessimista, só consegui pensar no seguinte:
Ele é o amor da minha vida. Porque a única coisa necessária para se tornar o amor da vida de alguém é não falhar em fazê-la a pessoa mais feliz e completa do mundo, e é exatamente isso que ele faz todos os dias de alguma forma. Seja quando me faz um elogio totalmente sem noção, ou quando me abraça e sente o cheiro do meu cabelo. E eu sei que caso ele chegue perto de falhar, não vai aceitar. Não vai aceitar assim como eu nunca aceitaria. Vamos reiniciar. Sempre que for necessário. Essa vai ser a única saída. Sabe, voltar a jogar antes de ficar frustrado ao notar que falhou e passar uns dois minutos olhando pra tela do celular “You failed!”, voltar a jogar antes de cambalear e fechar o aplicativo com a frase desmotivadora. Essa é a diferença de alguém que joga pra ganhar e alguém que só joga pra se distrair.
E naquela igrejinha, eu respirei fundo, e quando olhei pra noiva entrando tão completa e certa do que queria, eu tive certeza: eu só jogo pra ganhar. Eu só estou com ele para garantir que ele seja a pessoa mais feliz e completa do mundo. No dia em que eu não me sentir capaz, não vou fugir ou desistir, mas tentar de novo, de formas diferentes, criativas, esperançosas. Vou fazer de tudo, menos me esquecer da sensação de ouvir a risada dele, não a de nervoso, mas a de “eu não acredito que você é tão boba, tão idiota”. A gente vai discutir sobre como seria estranho dar as mãos caso fôssemos peixes, e até sobre morar longe ou perto de tudo que a gente conhece, mas o importante é a única coisa que eu tive certeza absoluta depois desse casamento: ninguém pode dizer que nós não fazemos parte da mágica da vida. Se existem complementos perfeitos, como meus avós ou pais, nós somos mais um.
Seja vestida de branco entrando num salão com um buquê na mão, seja de pijama todos os dias antes de dormir. Eu sempre vou ser sua, e ter a consciência disso.
Não tem a ver com vontade, por mais que eu queira muito, mas destino. Você tem alguma coisa que não me faz cambalear, ter dúvidas ou aceitar te perder. Você tem muito de “eu”, e eu tenho muito d’ocê.

PS:
Licença poética, ok? Eu sei que o certo seria “de mim”, mas é essencial o “eu” ali. Porque não é só algo meu que está aí dentro. É algo sobre o meu “ser”. Eu sou, completa e feliz, porque você é.

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