O velho hábito de procurar e se achar.

Metamorfose.

Eu sempre tive medos inconscientes. Complexos escondidos, segredos que nem eu mesma conhecia por inteiro. Acho que me considerava alguém misteriosa naquele sentido ruim, sabe? Não sabia o que viria em seguida, nunca conseguia prever minha reação em situações novas. Complicado. Tive a fase de ser pisada por não saber que era um ser humano bom o suficiente, tive a fase de não saber o quanto seres humanos merecem ser respeitados pelo simples fato de o serem, tive o pedacinho de vida onde me senti livre para não sentir absolutamente nada. A famosa ressaca sentimental.
Sentir cansa. Mesmo coisas boas. Sendo um artista, ou você se isola durante um tempo, ou você nunca vai conseguir entender as diferenças entre o antes e o depois de qualquer sentimento que venha a ter. Parece doideira, mas ou eu tiro esse tempo para a auto-reavaliação, ou eu nunca tomo conhecimento do quanto gostei, deixei de gostar, evolui ou deixei de crescer.
De fato, no século XXI parece mito falar em se isolar. A tecnologia te impede, a carência baseada no contato constante te impede, o ridículo temor de ser diferente te trava. Afinal, bancar o solitário, mesmo por pouco tempo, pode ser mal visto. Quantos admiradores perderá se sentar naquele canto ao invés de rir da piadinha sem graça que, pode até ser tolerável, mas não te acrescenta absolutamente nada nesse momento de solidão necessária? Sei lá, pode ser o ascendente em capricórnio, mas quando eu decido ser séria… Ninguém me barra. Ninguém me entende. Por mais que eu tente fugir dessa situação, minha paciência se esgota, meu humor muda da água pro vinho, meu corpo pede: fique sozinha.
Uma vez que até mesmo fisiologicamente a resposta é ficar invisível pelo menos durante algumas horas, eu espero. Como diz o tal do kafka, eu nem sequer espero, eu só fico em silêncio. É incrível como eu sinto literalmente minha mente frear. É quase loucura. A agitação imensa freia e com ela traz uma tontura fictícia ou real, que me mostra minha velocidade diária, insana, perto da paz que eu tanto queria alcançar. Até minha cabeça se acostumar com o fato de que agora não é para pensar em nada, nem no passado, nem no futuro, os minutos se arrastam em um tormento. De repente, mesmo agoniada, o silêncio me domina. Eu não espero, porque não tem absolutamente nada para esperar, só paro e sinto.
Paro e tento enxergar o que o universo tem para me mostrar.
Não é aquele papo de yoga, meditação e etc. Apesar de achar muito necessário, minhas reflexões nascem através de uma comunicação um pouquinho mais dinâmica, talvez até mesmo abstratas.
De repente, do absoluto nada, eu me esvazio para estar apta e me encher de tudo.
Dos medos que me perturbam inconscientemente, do amor que me toma e guia automaticamente todos os dias, das mudanças que passaram desapercebidas.
Basicamente me olho no espelho, com calma, pela primeira vez em muito tempo.
Percebo alguns elogios inegáveis, como meus avanços em relação a abrir minha cabeça para diferentes pontos de vista, e no perfeito balanceamento entre o que eu quero e o que eu devo. De fato, não pareço mais a adolescente que matava aula porque a voz da professora era insuportável. Visivelmente mulher, me assusto com o quão dona de responsabilidades indiscutíveis eu sou. Quando dizem que para você ter algo basta querer, só posso dizer uma coisa: é verdade. Penso nas experiências, nas reuniões, nos relatos ouvidos e contados. Não dá para me enganar achando que tem algum caminho alternativo: cresci.
Bom, aí eu já consigo pescar os tais medos que infelizmente tem me tirado um pouco a racionalidade. Bizarro. Eu tenho tudo que eu amo e me importo em mãos, mas subitamente começo a auto sabotagem, questionando minhas habilidades e, sinceramente, ferrando tudo.
Não!
Por que diabos questionar tudo sempre?
As vezes simplesmente é para ser.
Envelhecemos. Mudamos. Passamos por novas fases. Fases maravilhosamente boas, assim como as anteriores, e não cabe a mim o tal pavor de que isso seja ruim. Ter medo não vai me fazer parar no tempo. No máximo só perderei tudo que conquistei até aqui e começarei do zero, nem um pouco renovada, mas exausta e ainda mais despreparada.
Dito tudo isso…
As mudanças.
Eu não conseguia ficar com ninguém mais do que alguns meses. Eu não conseguia chegar na fase do “eu te amo” e superar meus dias ruins. Era como se eu não soubesse o que fazer depois do encantamento. Não sabia cultivar, muito menos colher. Não sabia ser amada.
Eu nunca soube lidar com caras que gostam e cuidam de mim.
Mesmo dizendo que sabia, mesmo dessa vez, a prova de fogo foi bem depois de ter me considerado apta para passar por ela.
É como um teste surpresa de um professor malvado, sabe? Nunca se sabe como vai ser, nem quando.
Mas foi.
Cá estou, surpreendentemente feliz e forte. Eu amo, sou amada e foda-se os dias ruins. Ele é a melhor pessoa do mundo e consegue não me matar porque tenho uma tpm pesada, falo demais e sou mais ciumenta do que devia. Ele sabe exatamente como cuidar sem sufocar. Como me deixar sem me abandonar.
Entretanto, todos tem defeitos.
E uma segunda transformação eu vejo aqui.
Ao invés de colocar uma lente do aumento, calçar um salto 30 e me distanciar porque, claramente, não divido dessas imperfeições, eu respiro fundo.
Enxergo essa porra de atitude insuportável. Suspiro. Penso em como eu deveria estar me preocupando em ser melhor, e não em deixar essa escrota que adora arranjar uma desculpa para fugir ter voz.
Parece doideira, mas foi isso que eu fiz até agora.
Defeitos surgiam, eu dava um sorrisinho amarelo, explicava que era impossível e escapulia me achando cheia da razão.
Não.
Quando você ama alguém… Você fica.
Você nem sempre entende, mas você aceita. Você respeita. Todos tem seu espaço para crescer, todos são tão seres humanos quanto eu.
Ah.
Isso liberta tanto quanto saber que ele me ama.
A minha real capacidade de superar a necessidade de fugir quando me assusto, é tão boa quanto lembrar que, exatamente porque o amor dele é de verdade, ele também não vai fugir.

A maior mudança foi exatamente essa: eu talvez(com certeza) tenha encontrado o amor da minha vida. Não porque o destino é foda, aliás, por isso também, mas porque finalmente eu quero e ele também. O famoso timing. O beijo é viciante, o toque merece ser eternizado, os olhares se sustentam e falam mais do que qualquer texto. Eu não tenho dúvidas. Vale a pena. Vale todo o risco. A gente pode estar se jogando num buraco negro, mas e daí?
Estamos juntos.
E pela primeira vez nessa porra de vida…
Eu tô falando sério.
Tô falando de verdade.
Tô amando.

Nenhum medo fala mais alto que o meu amor.
Nenhuma tpm dura mais do que a risada dele ecoando na minha cabeça.
Nenhum problema é páreo pra nós dois.

God…
Como eu amo ficar sozinha.
Eu as vezes só preciso disso.
Me olhar no espelho.
Ver o que o universo me trouxe, traz e trará.
Me enxergar e perceber que não é um bicho de sete cabeças… Sou só eu.

Recomendo.

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