Um raio x mental ao analisar uma discussão alheia.

Eu nunca entendi muito a humanidade. Mesmo a amando, completamente, eu nunca entendi pessoas que são tão ásperas sem a menor cerimônia. Entretanto, verdade seja dita: por mais que eu queira a compreensão, as vezes me sinto melhor quando não consigo nem imaginar o que me faria superior. Sabe, eu enxergo pessoas que carregam discursos de ódio contra outros discursos com o mesmo teor, tendo em suas mentes algo próximo da vontade de ter a paz mundial, mas não entendo como elas conseguem dormir a noite sem cogitar – nem por um segundinho – estarem completamente erradas.
Mesmo quando estou absurdamente feliz, cem por cento satisfeita, é só eu sentir que tem alguém discordando ou achando defeitos na minha situação que começo uma análise chata, só pra checar se está tudo como eu acho que está ou se a pessoa tem alguma motivação verdadeira. Na maior parte dos casos é bullshit. Sendo bem honesta, em relação a isso não existe nem cabimento ficar desconfiando dos meus sentimentos só porque um terceiro não entende ou valoriza.
Todavia, eu repito isso em tudo quanto é área da minha vida, o que acaba sendo bom e ruim. Dificilmente ignoro os pensamentos de alguém. Mesmo que eu fique com raiva, no caso das durezas do meu pai de vez em quando, mesmo que eu chore, quando a pessoa não acrescenta, só destrói. Acho que nos tornamos humanos ao admitir que não podemos ficar sozinhos, que erramos constantemente e que o nosso próximo é tão vulnerável às falhas quanto nós. A independência exacerbada faz-nos mais arrogantes do que o tolerável, em um nível ilusório, e faz com que frases mais cruéis do que o normal saiam pelos nossos lábios. A cegueira para com nossos próprios erros transforma tudo que fazemos em padrão de qualidade. Se não for do nosso jeito, está ruim e com isso perdemos a sensibilidade do outro. A nossa forma de viver não é a única, muito menos a mais perfeita, e com isso julgar qualquer coisa alheia é meio incoerente. Nós não somos blindados, por que testar se os outros são? Por último, se acordarmos todos os dias tendo a certeza absoluta de que somos cercados de pessoas que tem 50% de chance de nos decepcionar, passaríamos por momentos de frustração mais rapidamente. Nós criamos expectativas altas demais sobre humanos que estão passando por lutas internas tão complexas quanto as nossas, e que as vezes tem ainda menos percepção do mundo do que parece.
Pra mim, não vale a pena você perder um segundo que seja magoando alguém ou sendo insensível, mas tem gente que não perde tempo em destilar veneno, testar os muros emocionais, criticar por hobby. Eu entendo, afinal, nunca se sabe qual é o tijolo que pode derrubar o prédio inteiro, e na maior parte dos casos me faltaria vontade de ajudar na reconstrução. Vejam, um defeito e uma qualidade: eu não sei ser hipócrita. De fato, não quero ter que ajudar quase nenhum adulto a se estabelecer em novas bases. Sou péssima com a reabilitação emocional e mental, por enquanto, mas pelo menos não minto ou ajo como se não me importasse. Eu tanto me importo que evito esbarrar em paredes potencialmente fracas. A consciência de que os outros são tão vulneráveis quanto eu, e que definitivamente não sou nenhuma santa para ajudá-los a se erguer caso os derrube, me faz mais compreensiva e paciente.
Enfim, eu só vim comentar tudo isso porque vi umas três ou quatro discussões onde as pessoas se testaram – e provavelmente se destruíram – sem parecerem se importar sobre a noite insone que acabavam de dar e ganhar.
Não ligar deve ser… interessante.
Espero não descobrir nunca.

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