É, moreno, você vai me dar trabalho.

Aviso importante: isso não é um pedido de casamento, namoro ou pacto de sangue. Fui extremamente fofa e talvez cardíacos não aguentem. Boa sorte.

Acho que perdi o timing. Eu passei uns minutos sorrindo comentando da noite com a minha mãe, com a minha melhor amiga, comigo mesma e, repentinamente, decidi que tinha que escrever sobre nós. Mais uma vez, já que desde o ano passado não venho te usar de inspiração. Me perdoa por isso, mas é inevitável… Você é como se fosse uma música incrível que eu achei, sem querer, no Spotify e não consegui parar de ouvir. Já ouvi na versão acústica, na original, nos covers da vida e, sinceramente, parece que a música só fica melhor a cada execução.
Só que a questão é que eu acho que perdi o timing, o fio da meada, a ideia que faria desse texto o melhor de todos. Demorei pra ligar o notebook, me rendi à soneca pós reencontro com a minha cama, fui fazer nescau, fiz merda. Pseudo-escritora é assim: ou escreve na hora que bate a vontade, ou espera a próxima rodada inspirada. Como a vontade de falar não passou, farei disso mais uma redação esdrúxula perto de tudo que eu tenho pra oferecer depois de mais uma noite inesquecível.
Sabe, ela ainda não passou…
A sensação de olhar nos seus olhos e ter certeza de que, independente de estar escrito nas estrelas ou não, a gente precisa ficar eternizado em algum canto. Não é todo dia que dá pra sorrir só porque viu o outro sorrindo, mas contigo parece sempre tão fácil. Mesmo quando alguma coisa me preocupa, mesmo quando eu não sei direito o que posso dizer; sempre acabo falando alguma besteira, você ri, eu rio, nós rimos e sei lá, algum terceiro vira assunto. Isso tudo, claro, numa fração de segundo que torna imperceptível que, no fundo, eu vivo ficando confusa e desnorteada do seu lado. Não é sua culpa, e exatamente por isso eu fico ainda mais perdida. As palavras se enrolam, os pensamentos surgem rápido demais e, ao mesmo tempo, quero mais te escutar do que falar. Andar do seu lado é mais complexo do que eu deixo transparecer, meu caro.
Eu me torno tão bobinha perto de você. A gente é tão leve. Sei lá, eu não tenho a mínima vontade de brigar ou de dramatizar nada, pelo contrário: o primeiro impulso é sempre de ser compreensiva, atentar aos meus excessos e de tentar ajudar.
Ah, moreno…
Eu queria ter talento pra poesia. Esse sentimento aqui dentro pede uma sutileza que estou longe de conseguir, mas talvez rimas ajudassem. Talvez frases curtas bastassem. Entretanto, querer não é poder nesse caso e me esforçarei só mais uma vez para sair da mediocridade de soltar frases sentimentais sem dom ou o que quer que Drummond ou Quintana tenham em comum.
São quatro e onze da manhã, o ar condicionado está me dando uma leve dor de garganta e eu só consigo ter disposição para lembrar da gente. Não sei, o medo de deixar isso escapar pelos dedos me faz querer abraçar cada memória como que em uma prova real de que fomos reais. Os abraços, dos mais soltos aos docemente apertados, os carinhos, dos mais meigos aos mais engraçados, as conversas, das mais sérias às implicâncias, e as outras coisas que nos fazem extremamente únicos. Modéstia a parte, ninguém deve ter encontrado tanta graça em ser abraçada – do nada – por você. Sei lá, pra mim nunca é só um gesto fofo, mas uma forma da gente se encaixar e ficar ainda mais conectado, que quando vem da sua parte me faz sentir especial.
Nunca soou tão certo, sabe?
Eu nunca me senti tão no lugar certo, e eu achava que sabia o que era gostar de alguém, mas não.
Quanto ao primeiro ponto, eu achava que estar no lugar certo era me sentir bem e útil, aliás, estar ok e útil. Eu achava que se conseguisse ignorar as coisas ruins do cara, estava com a pessoa certa, afinal, o que mais eu poderia querer? Só que aí que eu, só hoje, entendi direitinho. Não se trata de coisas boas melhores que coisas ruins, não se trata de compensação. Contigo, eu gosto até mesmo das coisas não tão boas. E não é porque eu sou louca ou cega, mas porque tudo tem um motivo e, se analisado de perto, a gente entende e se deixa conquistar. Eu podia ter conseguido fazer isso com outro cara, mas nunca foi pra ser dessa forma. Eu nunca consegui enxergar dentro de alguém como consigo fazer com você. Aliás, como eu quero fazer. Não é nem questão de capacidade, é a simples disposição mesmo.
Quanto ao segundo ponto, se isso aqui, de ficar feliz quando você está feliz e de querer conhecer cem por cento do seu universo(assim como fazer o meu completamente acessível) é gostar de alguém, então eu nunca gostei mesmo. De outro alguém. Porque de você, nhé, eu até que gosto um pouquinho.
Acostumada com comédias românticas e romances épicos, eu definitivamente sempre estive aberta a isso, procurando em corpos que nunca podiam me dar nada além de tentativas vãs. Quando eu parei de procurar e decidi brincar, apelar, jogar na sorte, você surgiu e, sem se esforçar nem um pouco, me fez entender porque nunca deu certo com outros caras.
Lá naquele banco, você teve a ousadia de dizer que eu iria te dar trabalho. Impossível conter o sorriso.
Eu, te dar trabalho?
Olha quem está indo dormir as cinco por sua causa.

Como faltam alguns segundos, encerrarei com meus momentos prediletos, só pra deixar atestado, caso eu perca a memória.
Meus dedos brincando com o seu cabelo, seu sorriso ao lembrar “da época dourada da quinta série”, você me olhando na fila do Starbucks, as ruas nadinha perigosas da tijuca, te falar qualquer coisa sem editar pensamentos, olhar nos seus olhos e não ter vontade de desviar, dar a mão pra você do jeito certo – e até do jeito errado -, ouvir sua voz fofinha sendo fofinho me elogiando – mesmo que eu seja insegura-, sentir que a gente se gosta de verdade só de deitar no seu ombro e não querer sair dali nunca mais… E… tempo encerrado. Nem cheguei na minha parte predileta, sôr :( Pena.
Aliás, até a próxima.

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