Perdi o dom, mas acho que encontrei o tom.

Eu gosto dessas declarações escondidas. Não necessariamente pela falta de exposição, mas porque elas surgem do nada, como se estivessem sempre aqui guardadas, apenas esperando o momento exato para sair e encher a tela. Engraçado, mas me tornei uma menina tímida. Mantenho meus sentimentos tão bem cuidados que nem eu mesma tenho acesso a eles em momentos que não sejam específicos(como esse).
Por exemplo, demorou para eu notar que tinha me apaixonado. Eu sabia da felicidade, da expectativa, mas nem me passou pela cabeça a possibilidade de estar fadada a te encarar como o último biscoito do pacote. Até que, enfim, chegou o dia em que nenhum sorriso era mais bonito que o seu, nenhum outro olhar me prendia, nenhuma mão encaixava na minha com tanta facilidade.
A sinceridade nesse fato me assusta tanto quanto me deixa feliz. Eu que nunca fiz questão de nada, me encontrei subitamente não querendo mais abrir mão de você.
De fato, se a emoção é tão simples assim, fico perplexa com a minha dificuldade de expressa-la.
Eu queria olhar nesses seus olhos de criança, te apertar as bochechas e em seguida soltar tudo que eu sinto. Falar um pouquinho sobre como você me diverte de uma maneira tão boa que eu fico me perguntando, sem achar respostas, quem já tinha me feito rir assim antes. Quem sabe, aproveitaria o monólogo para admitir que eu adoro sentir que você é tão humano quanto eu, tão errante, sensível, confuso e, profundamente, bom.
10 minutos se passam.
Viu, já perdi o timing, já deixei escapar todas as palavras que te mostrariam como eu gosto de você de uma forma bonitinha até demais, de um jeito tão meigo que até eu me surpreendo. Última tentativa… Você desperta as melhores coisas aqui dentro, as coragens mais reais, a doçura mais sincera, o cuidado mais inacreditável para alguém que dificilmente permitia-se o luxo de cuidar e ser cuidada. Eu era completamente independente e adorava me virar sozinha. Só que, automaticamente, lá está você me colocando pra sentar no banco da janela no ônibus, dando a mão quando alguém meio esquisito passa, me inspirando a almoçar nem que seja 1/6 do que uma pessoa esfomeada(leia: o senhor) comeria. Você me faz sorrir de verdade. Não de mentira, nem por educação. A sinceridade é inegável: eu não minto pra você nem nos gestos.
Portanto, em certos momentos, acho que o fato de não te verbalizar tudo isso só pode ter a ver com não querer estragar alguma coisa. Surge um medo da velha história do “não é você, sou eu” e de acabar largada sozinha dentro de um barco no meio do oceano.
Pra mim, o que a gente está construindo é a certeza de que queremos mesmo entrar nessa aventura: remar juntos para um destino em comum ou até mesmo ficar sem algum em especial.
Só que, as vezes, quando eu tô prestes a falar de sentimentos, percebo que já entrei no barco.
Quando eu olho pra gente se jogando areia, abraçados e enrolados um no outro, comendo sorvete e falando sobre qualquer coisa, eu meio que tenho essa certeza. Lá estou eu, no meio do oceano, com você ou sem você.
Dessa forma, o medo de descobrir que, na verdade, é tudo um sonho e que seus sentimentos são só uma ilusão me fazem calar qualquer palavra mais doce e me concentrar em não transparecer demais. O não-falar é uma (última) forma de defesa.
Me dá um medo surreal de ser só um brinquedo nas suas mãos. Porque eu pago de fortona, de intocável, de pessoa que não se abala e que não tem muitas frescuras com coisas que geralmente garotas tem, mas isso é tudo fachada. De repente até tem uma parte que não é, mas só de cogitar confiar na gente e me decepcionar, esfrio e volto 12 passos sozinha. Eu preciso saber, sabe? Que estamos na mesma página. Que não tem nada preocupante aqui. Que pessoas são diferentes(ou seja, raios não caem no mesmo lugar duas vezes).
Dilema interessante. Se eu não falo, nunca vai dar pra checar se estamos quites, se eu falo, o risco é tão grande que ganho uma mudez instantânea. Que seja.
Mesmo que eu não tenha acesso às palavras sempre, deixo aqui um manifesto de carinho. Por enquanto, preciso me deixar com esse último estilete, te poupando de saber de tudo isso diretamente, mas impossível não vir aqui e desabar o tanto que eu tô gostando da ideia de nós dois. Estar com você é quase tão bom quanto sorvete de flocos. Sem refri.

Nunca fui boa em fazer laços, então já era de se imaginar minha admiração por isso.

Tem uma coisa bonita na intimidade.
De toques impessoais, receosos e desinteressados, aos poucos a curiosidade e o tempo fazem com que nasça algo além do superficial. Não que eu tenha em mim a compreensão completa de como acontece, mas com um trabalho de observação e um pouco de sorte, notei os gestos carinhosos se aprimorando. De um sorriso tímido, avançamos para um olhar mais demorado acompanhado daquele toque leve, porém ainda envergonhado, que se mostra cada vez mais frequente. A magia incrementa cada segundo que é vivido, trazendo consigo abraços mais verdadeiros e um olhar mais interessado; a confiança é claramente exposta em cada novo comentário, em cada risada bem dada, mas isso não é tudo. Aliás, até é, mas só quando visualizamos que existem vários tipos de intimidade.
O tempo pode remeter a uma, assim como, se acoplado à magia, fazer menção à outra totalmente diferente.
A inspiração que me trouxe aqui foi um terceiro tipo. É a espécie mais especial, menos comum, é aquela que precisa de algo a mais. Ela não surge por um mero recorte temporal e definitivamente não tem a ver com a luz da lua iluminando a praia naquela primeira noite. O elemento x que faz dela tão anormal é a pré-destinação. Chamem-me de inocente, louca, irracional… Eu aceito, afinal, sempre fui de acreditar em coisas que a maioria ignorava ou excluía. Entretanto, continuo defendendo e atentando-os para a minha teoria de que, com algumas pessoas, temos uma química que se mostra muito mais profunda do que algo nascido de um mero acaso ou costume.
Sabe, você sentir um arrepio só de fitar os olhos da pessoa, os toques se tornarem mais do que rotineiros – verdadeiramente naturais -, surgir uma certeza interna de que algo mais do que racional rege suas vidas na mesma sintonia?
Tem algo bonito nisso.
Os laços não são feitos, mas descobertos. Eles sempre estiveram ali. De uma outra dimensão, de uma outra vez, de um capítulo já escrito em algum canto. Vocês não apenas estão sendo, vocês eram – e são – para ser.

Um raio x mental ao analisar uma discussão alheia.

Eu nunca entendi muito a humanidade. Mesmo a amando, completamente, eu nunca entendi pessoas que são tão ásperas sem a menor cerimônia. Entretanto, verdade seja dita: por mais que eu queira a compreensão, as vezes me sinto melhor quando não consigo nem imaginar o que me faria superior. Sabe, eu enxergo pessoas que carregam discursos de ódio contra outros discursos com o mesmo teor, tendo em suas mentes algo próximo da vontade de ter a paz mundial, mas não entendo como elas conseguem dormir a noite sem cogitar – nem por um segundinho – estarem completamente erradas.
Mesmo quando estou absurdamente feliz, cem por cento satisfeita, é só eu sentir que tem alguém discordando ou achando defeitos na minha situação que começo uma análise chata, só pra checar se está tudo como eu acho que está ou se a pessoa tem alguma motivação verdadeira. Na maior parte dos casos é bullshit. Sendo bem honesta, em relação a isso não existe nem cabimento ficar desconfiando dos meus sentimentos só porque um terceiro não entende ou valoriza.
Todavia, eu repito isso em tudo quanto é área da minha vida, o que acaba sendo bom e ruim. Dificilmente ignoro os pensamentos de alguém. Mesmo que eu fique com raiva, no caso das durezas do meu pai de vez em quando, mesmo que eu chore, quando a pessoa não acrescenta, só destrói. Acho que nos tornamos humanos ao admitir que não podemos ficar sozinhos, que erramos constantemente e que o nosso próximo é tão vulnerável às falhas quanto nós. A independência exacerbada faz-nos mais arrogantes do que o tolerável, em um nível ilusório, e faz com que frases mais cruéis do que o normal saiam pelos nossos lábios. A cegueira para com nossos próprios erros transforma tudo que fazemos em padrão de qualidade. Se não for do nosso jeito, está ruim e com isso perdemos a sensibilidade do outro. A nossa forma de viver não é a única, muito menos a mais perfeita, e com isso julgar qualquer coisa alheia é meio incoerente. Nós não somos blindados, por que testar se os outros são? Por último, se acordarmos todos os dias tendo a certeza absoluta de que somos cercados de pessoas que tem 50% de chance de nos decepcionar, passaríamos por momentos de frustração mais rapidamente. Nós criamos expectativas altas demais sobre humanos que estão passando por lutas internas tão complexas quanto as nossas, e que as vezes tem ainda menos percepção do mundo do que parece.
Pra mim, não vale a pena você perder um segundo que seja magoando alguém ou sendo insensível, mas tem gente que não perde tempo em destilar veneno, testar os muros emocionais, criticar por hobby. Eu entendo, afinal, nunca se sabe qual é o tijolo que pode derrubar o prédio inteiro, e na maior parte dos casos me faltaria vontade de ajudar na reconstrução. Vejam, um defeito e uma qualidade: eu não sei ser hipócrita. De fato, não quero ter que ajudar quase nenhum adulto a se estabelecer em novas bases. Sou péssima com a reabilitação emocional e mental, por enquanto, mas pelo menos não minto ou ajo como se não me importasse. Eu tanto me importo que evito esbarrar em paredes potencialmente fracas. A consciência de que os outros são tão vulneráveis quanto eu, e que definitivamente não sou nenhuma santa para ajudá-los a se erguer caso os derrube, me faz mais compreensiva e paciente.
Enfim, eu só vim comentar tudo isso porque vi umas três ou quatro discussões onde as pessoas se testaram – e provavelmente se destruíram – sem parecerem se importar sobre a noite insone que acabavam de dar e ganhar.
Não ligar deve ser… interessante.
Espero não descobrir nunca.

É, moreno, você vai me dar trabalho.

Aviso importante: isso não é um pedido de casamento, namoro ou pacto de sangue. Fui extremamente fofa e talvez cardíacos não aguentem. Boa sorte.

Acho que perdi o timing. Eu passei uns minutos sorrindo comentando da noite com a minha mãe, com a minha melhor amiga, comigo mesma e, repentinamente, decidi que tinha que escrever sobre nós. Mais uma vez, já que desde o ano passado não venho te usar de inspiração. Me perdoa por isso, mas é inevitável… Você é como se fosse uma música incrível que eu achei, sem querer, no Spotify e não consegui parar de ouvir. Já ouvi na versão acústica, na original, nos covers da vida e, sinceramente, parece que a música só fica melhor a cada execução.
Só que a questão é que eu acho que perdi o timing, o fio da meada, a ideia que faria desse texto o melhor de todos. Demorei pra ligar o notebook, me rendi à soneca pós reencontro com a minha cama, fui fazer nescau, fiz merda. Pseudo-escritora é assim: ou escreve na hora que bate a vontade, ou espera a próxima rodada inspirada. Como a vontade de falar não passou, farei disso mais uma redação esdrúxula perto de tudo que eu tenho pra oferecer depois de mais uma noite inesquecível.
Sabe, ela ainda não passou…
A sensação de olhar nos seus olhos e ter certeza de que, independente de estar escrito nas estrelas ou não, a gente precisa ficar eternizado em algum canto. Não é todo dia que dá pra sorrir só porque viu o outro sorrindo, mas contigo parece sempre tão fácil. Mesmo quando alguma coisa me preocupa, mesmo quando eu não sei direito o que posso dizer; sempre acabo falando alguma besteira, você ri, eu rio, nós rimos e sei lá, algum terceiro vira assunto. Isso tudo, claro, numa fração de segundo que torna imperceptível que, no fundo, eu vivo ficando confusa e desnorteada do seu lado. Não é sua culpa, e exatamente por isso eu fico ainda mais perdida. As palavras se enrolam, os pensamentos surgem rápido demais e, ao mesmo tempo, quero mais te escutar do que falar. Andar do seu lado é mais complexo do que eu deixo transparecer, meu caro.
Eu me torno tão bobinha perto de você. A gente é tão leve. Sei lá, eu não tenho a mínima vontade de brigar ou de dramatizar nada, pelo contrário: o primeiro impulso é sempre de ser compreensiva, atentar aos meus excessos e de tentar ajudar.
Ah, moreno…
Eu queria ter talento pra poesia. Esse sentimento aqui dentro pede uma sutileza que estou longe de conseguir, mas talvez rimas ajudassem. Talvez frases curtas bastassem. Entretanto, querer não é poder nesse caso e me esforçarei só mais uma vez para sair da mediocridade de soltar frases sentimentais sem dom ou o que quer que Drummond ou Quintana tenham em comum.
São quatro e onze da manhã, o ar condicionado está me dando uma leve dor de garganta e eu só consigo ter disposição para lembrar da gente. Não sei, o medo de deixar isso escapar pelos dedos me faz querer abraçar cada memória como que em uma prova real de que fomos reais. Os abraços, dos mais soltos aos docemente apertados, os carinhos, dos mais meigos aos mais engraçados, as conversas, das mais sérias às implicâncias, e as outras coisas que nos fazem extremamente únicos. Modéstia a parte, ninguém deve ter encontrado tanta graça em ser abraçada – do nada – por você. Sei lá, pra mim nunca é só um gesto fofo, mas uma forma da gente se encaixar e ficar ainda mais conectado, que quando vem da sua parte me faz sentir especial.
Nunca soou tão certo, sabe?
Eu nunca me senti tão no lugar certo, e eu achava que sabia o que era gostar de alguém, mas não.
Quanto ao primeiro ponto, eu achava que estar no lugar certo era me sentir bem e útil, aliás, estar ok e útil. Eu achava que se conseguisse ignorar as coisas ruins do cara, estava com a pessoa certa, afinal, o que mais eu poderia querer? Só que aí que eu, só hoje, entendi direitinho. Não se trata de coisas boas melhores que coisas ruins, não se trata de compensação. Contigo, eu gosto até mesmo das coisas não tão boas. E não é porque eu sou louca ou cega, mas porque tudo tem um motivo e, se analisado de perto, a gente entende e se deixa conquistar. Eu podia ter conseguido fazer isso com outro cara, mas nunca foi pra ser dessa forma. Eu nunca consegui enxergar dentro de alguém como consigo fazer com você. Aliás, como eu quero fazer. Não é nem questão de capacidade, é a simples disposição mesmo.
Quanto ao segundo ponto, se isso aqui, de ficar feliz quando você está feliz e de querer conhecer cem por cento do seu universo(assim como fazer o meu completamente acessível) é gostar de alguém, então eu nunca gostei mesmo. De outro alguém. Porque de você, nhé, eu até que gosto um pouquinho.
Acostumada com comédias românticas e romances épicos, eu definitivamente sempre estive aberta a isso, procurando em corpos que nunca podiam me dar nada além de tentativas vãs. Quando eu parei de procurar e decidi brincar, apelar, jogar na sorte, você surgiu e, sem se esforçar nem um pouco, me fez entender porque nunca deu certo com outros caras.
Lá naquele banco, você teve a ousadia de dizer que eu iria te dar trabalho. Impossível conter o sorriso.
Eu, te dar trabalho?
Olha quem está indo dormir as cinco por sua causa.

Como faltam alguns segundos, encerrarei com meus momentos prediletos, só pra deixar atestado, caso eu perca a memória.
Meus dedos brincando com o seu cabelo, seu sorriso ao lembrar “da época dourada da quinta série”, você me olhando na fila do Starbucks, as ruas nadinha perigosas da tijuca, te falar qualquer coisa sem editar pensamentos, olhar nos seus olhos e não ter vontade de desviar, dar a mão pra você do jeito certo – e até do jeito errado -, ouvir sua voz fofinha sendo fofinho me elogiando – mesmo que eu seja insegura-, sentir que a gente se gosta de verdade só de deitar no seu ombro e não querer sair dali nunca mais… E… tempo encerrado. Nem cheguei na minha parte predileta, sôr :( Pena.
Aliás, até a próxima.

Agora foi!

2015.

A melhor coisa que eu posso falar, sem tentar alcançar ou fugir de possíveis clichês, é que não tem absolutamente nada que me faça sentir mais livre do que um novo início. Tem algo mágico em todo primeiro dia do ano, mas afirmo com um certo receio que não tem nada a ver com listas ou promessas. Eu sei, para a maioria existe essa tal relação, só que, pra mim… O ano novo é sinônimo de esperança e alívio.
Já pensaram nisso? Os dias se repetirão, mas nunca serão os mesmos. Nem mesmo se nós quisermos. Ninguém entra no mesmo rio duas vezes e, por isso, cá estamos livres para crer que as dores não doerão da mesma forma, nem os sorrisos virão pelos mesmos motivos.
Eu amo isso. A liberdade implícita no fato de que todos mudamos, até os 365 dias, até as estações, até você.
Tem algo que dê mais esperança do que isso?
Tudo pode melhorar, sempre, e ninguém está fadado à mesmice.
Que nós nos renovemos, afinal, 2015 acabou de tomar posse.