Olha só, moreno.

Então, como é que vai ser? É tão estranho voltar a escrever algo feito com tanto carinho, mas eu quero. Apesar de todos os riscos, eu quero. Você tem alguma coisa escondida nesse sorriso que me deixa com vontade de soltar uma gargalhada e te dar um beijo sincero, te abraçar e não desgrudar nunca mais. Quebrar o ciclo de desconfiança e medo é mais complicado do que parece, mas aí eu lembro de como você me abraça com tanta certeza e cuidado. Quer dizer, obviamente, dez minutos depois lá estão suas palavras me fazendo voltar todos os passos avançados, mas e daí? De alguma forma, vale a pena. Por mais que eu sempre volte algumas centenas de passos, a cada olhar doce que a gente se envia, alguns milhares de km são percorridos. Seus medos são tremendamente irritantes, mas a gente precisa mesmo de um freio, porque se depender de mim a efemeridade toma conta e contigo eu não quero que seja assim. Eu me entristeço, te bato, começo uma DR no meio da madrugada sem motivos aparentes, mas é tudo tão real que não tem como não abrir um sorriso enorme vendo que, apesar dos pesares, lá estamos nós no dia seguinte demonstrando que a vontade de continuar se conhecendo é maior do que a de desistir. Aliás, isso é o que você faz. Quando eu me convenço de que peguei pesado demais na pressão e vou ser trocada, esquecida e apagada, lá vem o senhorito me provando que existe gente louca pra tudo. Até pra gostar de ficar comigo, mesmo com todas as minhas neuras, inseguranças e manias apressadas.
Por enquanto, as coisas ruins tem sido menores que as boas e é exatamente isso que deve alimentar nossa vontade de estar com alguém, certo? Eu já passei por tanta coisa, e dentro dessas confusões emocionais aprendi basicamente isso: coisas ruins, todos vão ter. Só que pouquíssimos vão ter compensações. Aliás, de verdade verdadeira, você foi o único que me mostrou que isso era possível. Então, eu te digo como vai ser.

Tomando as rédeas, só porque é algo literário e poético, eu digo que cê vai continuar me fazendo sentir como se fosse a pessoa mais engraçada do mundo, assim como eu vou tentar sempre mostrar como suas esquisitices te fazem o cara mais legal do universo pra mim. Não é pressa, sabe? É só uma constatação. Como amigos, mais que amigos, inimigos, ainda assim vais me roubar um suspiro e um sorriso de canto de boca. Independente do amanhã, tivemos o hoje, e é exatamente por isso que antes de dormir vou lembrar da música que a gente ouviu e da posição que certamente estava incrivelmente desconfortável pra você, mas foi a minha predileta do dia inteiro. De alguma forma, ali, no seu colo e nos seus braços, mesmo com o fato de estarmos apertados o trajeto inteiro, eu me senti no lugar certo. Não pra sempre, mas naquele momento. Sei lá. Sem problematizar, sem explorar mais do que o necessário, sem racionalizar, eu gostei dos milhares de passos dados hoje. Já voltamos algumas centenas pelo medo de ambos, mas não… Por algum motivo, ainda não consigo ter mais receio do que vontade de te conhecer melhor. Se eu pudesse escrever algo realmente bom sobre nós, seria justa. Acho que perdi esse dom em alguma esquina, então dificilmente daqui sairá algo que preste, mas você me faz querer viver sem editar pensamentos antes de falar. Você me deixa ansiosa e calma ao mesmo tempo. Meu medo aparece quando eu penso na gente, mas só vai embora quando estamos juntos. Isso faz sentido? Não faz o mínimo sentido pra mim… Só que, eu fico aqui pensando, será que eu gostaria se fizesse? A gente passa a vida inteira tentando entender autores, ideias, editais, contratos e etc, isso chega a sufocar, porque nos cobra um poder de compreensão um tanto superficial. Contigo, eu vejo milhares de manias e peculiaridades que não seguem um ritmo, uma sequência, mas me sinto segura como se tivesse lido e decorado, sem erros, um contrato de vinte mil páginas. Não tem nada de superficial em você e é por isso que eu gosto tanto de descobrir coisas novas aí dentro. É bobo, mas te considero uma caixa de bombons. Eu sei que vai sair um bombom, mas qual? Eu sei que vai sair algo que eu vou gostar, mas o que? (Obviamente, uma caixa de bombom selecionadíssima, sem essas coisas ruins de coco e caramelo. É, não curto caramelo. Julgue. De novo.)

Enfim, abrindo mão das rédeas como conscientemente ajo, só te peço pra ter fé nisso. A gente não sabe do futuro e isso é inquestionável, mas eu gostaria que você tentasse. Eu tenho esse vício medroso de desistir dos lances, mas prometo ficar se você me pedir.
Eu sei que o tempo anda difícil, e a vida tropeçando, mas se a gente vai juntinho… Boatos de que vai bem.

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