Let it go.

Eu tinha uns doze anos quando fiz as unhas pela primeira vez. Mesma coisa com os cabelos, só fui mexer depois de ter feito bastante besteira sozinha. Aos 9, cortei minha franja sozinha enquanto minha mãe fazia alguns exercícios no caderno para eu treinar a tabuada. Eu era atrevida, cheia de coragem e teimosa. Ficou uma droga, minha mente bloqueou as memórias e eu tenho uma dificuldade enorme de lembrar. Entretanto, eu fiz. Lembro de ter colocado um boné e ter sentado na mesa, como se não tivesse feito absolutamente nada no banheiro. Quando tirei o boné, para dormir, eu não consigo me lembrar se levei bronca ou ouvi risadas. Sei apenas que obtive o castigo de permanecer com o cabelo daquele jeito, sem consertos, por tempo indeterminado. Quanto as minhas unhas, eu só pintava com liquid-paper durante as aulas de matemática e fazia desenhos fofos com minhas melhores amigas. Era moda, fazer o que? 

Hoje, vejo-me marcando para fazer as unhas como se fosse uma tradição semanal e mal toco no meu cabelo sem um profissional por perto. Ao quase dormir no ônibus, achei uma preocupação muito sincera em algum lugar perto do meu inconsciente: será que deixei de ser corajosa, ou até mesmo autêntica?

Não, acho que não.

Tenho fascínio por viver em um mundo a parte, onde somente minhas regras valem. Subo em canteiros, caminhando e me equilibrando como se não existissem julgamentos. Não gosto muito de dormir, não gosto de perder tempo. Sou imediatista, chego a ser um pouco infantil quanto a isso, mas melhorei nos últimos meses. Quando meu avô morreu, uma parte de mim foi junto. Quando minha bisa morreu, outra parte se foi. Tenho medo de, ao longo da vida, perder mais do que ganhar. Tive um único animal de estimação amado e ele foi um rato, não me sinto pronta para ter outro. Sinto falta de ser abraçada por alguém que me olhe nos olhos e me faça melhor do que eu sou, mas talvez isso exista há 19 anos. Não me reconheço com a idade que tenho, a propósito. Amo pintar as unhas de vermelho, principalmente quando estou em uma fase de fraquezas. Dizem que tenho muito jeito para aconselhar, para ouvir e oferecer minha percepção aguçada. Eu acredito em quase tudo que dizem sobre mim. Não creio que existam mentiras, apenas visões diferentes movidas por sentimentos e fatos que só mesmo a vida para sustentar. Obviamente, o recalque sempre existirá, mas até nele eu vejo lógica. Sou mais inteligente do que pareço, mas minha insegurança de falar o que penso é mais forte do que parece. Sou mais fraca do que pareço, mas o que fariam com essa informação, se eu a mostrasse sempre? O mundo não é tão bonito quanto eu quero. Definitivamente, tenho fé no amor. Acredito em destino. Estou digitando quase que de olhos fechados, mas repito, acredito em destino. Me envolvo com os que eu mais sinto que precisam, mas assim que me sinto descartável… Fujo. Tenho pavor de ser descartada, considerada irrelevante.  Quando isso acontece, a dor que me carrega é tão forte que fico dias sem escrever textos como esse. Aqui, nessas mal traçadas linhas, eu me orgulho do que sou. Eu percebo, com humildade, minha autenticidade. Eu não pinto mais a unha com liquid-paper, mas gosto de dançar sozinha em meu quarto ao arrumá-lo e geralmente me imagino em um show com milhares de pessoas. Eu não cortaria minha franja novamente, mas como miojo cru e converso comigo mesma ao cozinhar, assim como solto comentários aleatórios com meu celular ou com o próprio notebook. Gosto de tomar banho de chuva, enfiar o pé na areia e machuquei meu queixo, anteontem, na piscina. Não sei nadar, mas tenho fôlego. Costumo correr e observar cada casinha desse meu amado bairro. Não consigo mais imaginar o meu futuro faz uns meses. Não sei o que é me sentir amada romanticamente há anos. Não confio mais em quase ninguém. Não gosto de falar tanto não, pois isso afeta meu senso de liberdade. Nasci para ser livre, para voar, para proclamar a libertação de tudo e todos, e nada que tire isso de mim permanece na minha vida por muito tempo. Quero voar, como gaviões pelo céu, quero cantar, como ben-te-vis, quero beijar apaixonadamente por profissão e hobbie, como um beija-flor. 

Quando era pequena, meu pai me ensinou a atirar de estilingue nos postes. Hoje, que sou grande, meu pai me ensina a mirar nos meus sonhos e persegui-los, a todo custo. 

Não sei se existe coragem maior do que essa. Nunca fugi de mim, nunca deixei de acreditar nos meus sonhos, nunca, nem por um segundo, tive medo do amor. 

 

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2 thoughts on “Let it go.

  1. ELES SE CASARAM!!!!!!!! OMG, chorei aqui!! Que coisa mais perfeita, ansiando por mais episódios SAIUHJAUIHS (sei que não tem nada a ver com o post, mas comentei sabe heueheu).

    • HAUAHUAHAU Sim!!! Japril TOTAL!!! Shonda, thank you… Está melhorando meu carnaval! Hahahah agora quero mais e mais e mais! Hahaha (e td bem, comentário suuuuper válido!)

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