Fix you.

Olhe para mim. Não, simplesmente deixe de lado a impressão que você ganha ao passar pelo corredor e me achar lendo algo em algum canto. Deixe de lado qualquer pensamento que te venha ao me ver rindo em alguma mesa de bar. Deixe de lado o que te disseram. Deixe de lado tudo e todos, só… Olhe para mim. Dois olhos, uma boca, um nariz e duas covinhas. Quando se perder, olhe para mim. Quando estiver em dúvidas sobre o que pensar, olhe para mim. Quando não souber o que sentir, olhe para mim. E quando eu digo isso, quero dizer: me enxergue. Não existem mentiras que não sejam desvendadas com cinco minutos em frente ao espelho. Não existem dúvidas que não sejam desfeitas. No fundo, a resposta sempre esteve no mesmo lugar, mas esquecemos que se nós tentarmos abrir um cofre com a chave de outro, ele não se abre. Nós tentamos nos achar acessando de todas as perspectivas, menos a mais pessoal de todas. Menos a única que é de fato genuinamente verdadeira. Então, acabo por falar comigo mesma quando imploro para os cérebros captarem que precisam enxergar melhor o interior do que o exterior antes de tentarem solucionar qualquer coisa. Não sou o que dizem, não sou o que pensam, não sou o que querem que eu seja. Infelizmente, ou felizmente, as regras do jogo são claras. Eu posso ser qualquer coisa, mas esse “qualquer coisa” só será real se tiver nascido de uma conclusão interna suficientemente parcial. Ou eu dito-me, ou nenhuma linha será nem mesmo cogitável.

Canso de ser um tanto perdida, canso de me afastar de mim e ter que ser rebocada em cada esquina onde a gasolina acaba. Entretanto, não canso de olhar no espelho. Não tem nada de narcisismo, é justamente como se não visse a carne que todos veem. Não tem dois olhos, uma boca e um nariz. Tem sentimentos, tem fortes intuições, tem sonhos, tem decepções e milhares de marcas. Eu sou a pessoa mais marcada que eu conheço. E, de fato, como um amigo me disse agora há pouco: sou um dos seres mais livres que existe.

E o segredo dessa liberdade é a coisa mais simples e viciante que tentei fazer o leitor engolir desde a primeira linha: sempre que me sinto confusa e perdida, dentro de redes estranhas onde tentam dominar meus pensamentos e sentimentos sobre o que ou quem sou, corro e me procuro. Olho no espelho e busco, busco até encontrar algo, seja no passado, presente ou no futuro. Busco essência, busco algo compatível com esse quebra cabeça que a gente pode chamar de alma. Busco conseguir respirar calma e leve. Busco o tal “lugar sem gravidade”. Busco, busco, busco… Eu me busco.

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