Knocking on heaven’s door.

Praias definitivamente me deixam muito mais tendenciosa a fechar os olhos e sentir, seja o sol ou o vento, seja o nada ou a plenitude do tudo, do que sentar nesse notebook e escrever sobre o que aleatoriamente passa pela minha cabeça. Parece que a grandiosidade daquele mar ali da janela é tão grande, impactante, tão surreal, que me deixa… Sem eira, nem beira. Nenhum dos meus problemas, das minhas vontades e até dos meus medos fazem qualquer sentido diante de uma coisa tão bonita, e ao mesmo tempo assustadora. O mar me lembra o que é encarar o existir. O mar me lembra que estamos vivos, mas cada minuto perdido nunca mais volta. Ele é o típico “cala a boca!” do planeta. Quem, me diga, quem consegue sentar de frente pro mar e soltar uma abobrinha, ou um pensamento mais complexo? Eu não. Eu só consigo ficar calada. Talvez venha daí a tal paz que eu sinto estando por aqui. Não, Raquel, você não vai soltar mais NENHUMA palavra no ouvido do universo. Você não vai se questionar mais sobre nada. Você vai sentar esse corpo na areia e observar, sem obrigatoriedade sobre o ‘pensar ou não’, sem nada. Não, não precisa se sentir triste, alegre, emocionada… Você não precisa de nada e é exatamente essa a lição de moral. 

Hoje, aqui, sentada, você se apaixonou e foi na primeira vista. E alguém já viu apaixonado querer algo além do “mô”? Acho que é isso. Você se apaixona pela visão e aquilo dali se torna perfeitamente a única coisa que você quer. Adeus, população. Adeus, tecnologia. Sim, ADEUS, antigos amores. Adeus… E olá. Olá, mas só depois. Agora, olhando pro mar, você está se esvaziando. Essa fixação te consome, mas não te cansa. Consome tudo que está aí e não deveria. Leva as coisas que realmente são úteis para um armazenamento extra em algum lugar mais profundo. Você está entendendo que todas as coisas que acumulou erradamente até aqui te fizeram mal e agora é hora de… Ficar zerada. Porque 2014 é um ano de renovo, sim, como qualquer outro, mas foi o ano que você decidiu fazer o ritual de deixar o pen drive limpinho, parar de ficar sobrecarregada e pela primeira vez estar de fato disposta, com todo o espaço do universo para sentir e pensar quando chegar a hora.

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