Minha monalisa.

Tinha olhos tristes, um coração e uns trocados no bolso. Mais de 15 anos, menos de 20. Carregava fardos inimagináveis que disfarçava em sorrisos ensaiados com fervor. Era profunda. Pergunto-me o que sonhava, ou se ousava tentar. O que pediria? O que carregava em sua alma? Um narrador observador é quase sempre alguém frustrado, pois detalha com perfeição um ser que jamais conseguirá tocar como deseja. Todavia, me obrigo a aceitar que tudo tem um motivo. Se me fizesse onisciente, a doce menina perderia seu esplendor e seria apenas mais uma personagem que é misteriosa para quase todos. Ah! Palavra sem graça, sem cor! Palavra estraga prazeres! Eu sempre evitei todos os “quase” que poderiam aparecer pelo caminho, então, garota, continue indecifrável. Sentada, sorrindo, vivendo e cantando. Não se esqueça de viver, e nem de deixar seus sonhos acima da realidade. Não se afogue, não se solte, acredite. Qual é a graça de tocar uma música sem sentir cada verso, cada mudança de tom? Qual o sentido de caminhar por cima dos carros e não tirar o sapato? Sentir-se livre, sim, de todos e de tudo. Não precisa se adaptar, não enquanto não estiver pronta. Feche os olhos durante sua primeira queda, mas não perca a oportunidade de observar tudo, em uma próxima vez. Sim, tudo tem uma segunda vez, mesmo as coisas ruins. Pode não ser você, chame de versão 2.0, 2.1, mas acontecerá novamente, então trate de aprender a lidar de forma diferente para fugir de uma terceira. Ouça músicas e saiba que na vida você não precisa ter somente uma. O botão “repeat” só vai ser pressionado com a sua permissão. A mesma coisa com os amores. Tenho raiva de quem ditou os corações como escravos da certeza de amar uma vez, tornando todos os outros envolvimentos simples histórias de livros infantis. Cada pessoa que acrescentou algo, com beijos ou não, pode e deve ser lembrada na lista do amor. Você é livre o suficiente para se entregar quantas vezes quiser, mas cuidado para não derrubar o pote inteiro de disposição, fé e criatividade na primeira esquina em que se jogar. Vá em paz. Como eu costumo pensar, ditar, aconselhar… Faça tudo no ritmo em que seu coração bate ao ler essas palavras. Calmo, suave, livre. Eu detesto usar a palavra “liberto”, mesmo ela me atingindo os pensamentos em alguns momentos, pois creio que nascemos livres. O livre arbítrio nunca me soou uma mentira. Você pode ser o que e quando quiser, basta descobrir isso. Basta… Achar dentro de você a força, se realmente tiver vontade. Alguns estudiosos suspirariam ao ler essas palavras, mas eu os desafio. Assim como desafio nossa inspiração da noite, a corajosa menina do sorriso treinado. Se libertem desses pensamentos de que isso é impossível. A vida não faz o mínimo sentido sem superação, sem sairmos de nossa zona de conforto, sem tentarmos e sermos desafiados. Cada um com seu máximo, mínimo, cada um com seu ritmo. Vivam, mesmo que achem essa possibilidade um mito inventado. Isso, é a única coisa que vocês só poderão fazer uma vez.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s