Confesso…

Eu sei que eu não tenho a mínima vocação para a eternidade do lado de ninguém. Sim, eu admito, sou efêmera. Só que reforço, humildemente, que talvez a culpa não seja minha. Talvez a efemeridade seja uma realidade até ter alguém que me faça ficar. Talvez um olhar me prenda, duas mãos me segurem, um cheiro me hipnotize. Isso me faz ter esperanças, afinal, a vida teria algum sentido. Os corações quebrados teriam finalmente uma explicação. Minha cabeça teria um ombro para descansar, minha nuca uma mão para pertencer, minha alma alguma companhia para um fim de tarde e um começo de dia. Meu maior desejo é poder sorrir, rir, fazer brincadeiras e não sentir que falta alguma coisa. Definitivamente, cansei de ir conferir e faltar algo na lista de satisfação. Eu não peço um cara perfeito, uma vida maravilhosa e um cabelo sempre penteado. Eu, humildemente, só quero me sentir satisfeita. Seja aprendendo, seja sendo. Meus olhos se fecham, um suspiro nasce no meu pulmão e termina no meu espírito: que assim seja, e que seja logo.

Minha monalisa.

Tinha olhos tristes, um coração e uns trocados no bolso. Mais de 15 anos, menos de 20. Carregava fardos inimagináveis que disfarçava em sorrisos ensaiados com fervor. Era profunda. Pergunto-me o que sonhava, ou se ousava tentar. O que pediria? O que carregava em sua alma? Um narrador observador é quase sempre alguém frustrado, pois detalha com perfeição um ser que jamais conseguirá tocar como deseja. Todavia, me obrigo a aceitar que tudo tem um motivo. Se me fizesse onisciente, a doce menina perderia seu esplendor e seria apenas mais uma personagem que é misteriosa para quase todos. Ah! Palavra sem graça, sem cor! Palavra estraga prazeres! Eu sempre evitei todos os “quase” que poderiam aparecer pelo caminho, então, garota, continue indecifrável. Sentada, sorrindo, vivendo e cantando. Não se esqueça de viver, e nem de deixar seus sonhos acima da realidade. Não se afogue, não se solte, acredite. Qual é a graça de tocar uma música sem sentir cada verso, cada mudança de tom? Qual o sentido de caminhar por cima dos carros e não tirar o sapato? Sentir-se livre, sim, de todos e de tudo. Não precisa se adaptar, não enquanto não estiver pronta. Feche os olhos durante sua primeira queda, mas não perca a oportunidade de observar tudo, em uma próxima vez. Sim, tudo tem uma segunda vez, mesmo as coisas ruins. Pode não ser você, chame de versão 2.0, 2.1, mas acontecerá novamente, então trate de aprender a lidar de forma diferente para fugir de uma terceira. Ouça músicas e saiba que na vida você não precisa ter somente uma. O botão “repeat” só vai ser pressionado com a sua permissão. A mesma coisa com os amores. Tenho raiva de quem ditou os corações como escravos da certeza de amar uma vez, tornando todos os outros envolvimentos simples histórias de livros infantis. Cada pessoa que acrescentou algo, com beijos ou não, pode e deve ser lembrada na lista do amor. Você é livre o suficiente para se entregar quantas vezes quiser, mas cuidado para não derrubar o pote inteiro de disposição, fé e criatividade na primeira esquina em que se jogar. Vá em paz. Como eu costumo pensar, ditar, aconselhar… Faça tudo no ritmo em que seu coração bate ao ler essas palavras. Calmo, suave, livre. Eu detesto usar a palavra “liberto”, mesmo ela me atingindo os pensamentos em alguns momentos, pois creio que nascemos livres. O livre arbítrio nunca me soou uma mentira. Você pode ser o que e quando quiser, basta descobrir isso. Basta… Achar dentro de você a força, se realmente tiver vontade. Alguns estudiosos suspirariam ao ler essas palavras, mas eu os desafio. Assim como desafio nossa inspiração da noite, a corajosa menina do sorriso treinado. Se libertem desses pensamentos de que isso é impossível. A vida não faz o mínimo sentido sem superação, sem sairmos de nossa zona de conforto, sem tentarmos e sermos desafiados. Cada um com seu máximo, mínimo, cada um com seu ritmo. Vivam, mesmo que achem essa possibilidade um mito inventado. Isso, é a única coisa que vocês só poderão fazer uma vez.

Veja bem, meu bem.

Pessoas mudam. Eu chego calmamente a tal conclusão, entre um suspiro e outro, ao observar do geral para o particular, ou vice versa, mas sinto um aperto especial no peito que me mantém acordada durante essa madrugada. Por que as mudanças não podem permanecer nas adjacências da essência de cada um? Por que alguns tem a incrível capacidade de ir da água para o vinho, da vodka para o suco de uva e do preto para o branco? Isso dói. A dor não tem a ver com o egoísmo de estar em um comodismo na relação, mas com a decepção que a imprevisibilidade nos traz quando nos frustramos com as atitudes, o novo perfume vulgar, as necessidades – agora pessoais- que antes eram tão criticadas em terceiros. Somos metamorfoses ambulantes, mas me retiro da nuvem que é conduzida para um céu cujo a textura é seca e nada parecida com a que nos cobre diariamente. Prefiro voar, livre, do que estar cega pela falsa regra de que toda mudança é intensa o suficiente para ser negativa. 

Passos curtos, passos longos, isso não importa, mas o tal ritmo é primordial. Minha dica, mais honesta e boba possível, é que vocês fechem seus olhos e sintam. Mudem! Sim! A vida é feita para isso. Entretanto, com os olhos fechados, sintam as batidas de seus corações. Estão capturando o ritmo ditado durante a leitura? Calmo, quase sábio, exatamente o que nós precisamos. Ele é o parâmetro para transformações a partir de hoje, então, atentem e sejam caprichosos em suas vistas. Água para o vinho em dois minutos? Desde quando isso vale a pena? Mesmo que você seja a pior pessoa do mundo, o sentido da vida não está em ser a melhor, e sim aproveitar todos os segundos durante sua transformação. É nela que você vai conhecer pessoas maravilhosas, ter madrugadas e navegar dentro da experiência que é estar vivo exatamente pelo fato de pensar. A vida só vai valer a pena se você souber a diferença entre alguém que curta cada segundo e alguém que corta cada segundo. A humilde dica é: não tem nada a ver com letras.