Eu jurei que não iria falar mais de amor por aqui durante alguns dias, jurei mesmo, na frente do espelho e tudo. Senti que estava focada demais nisso, mesmo tendo tantas coisas importantes em mente. E lá estava a Raquel, tentando ser oradora, sendo mais sensível ainda aos acontecimentos cotidianos – ou seja, apta a criticar ou elogiar os bons dias e a falta deles – e descobrindo como é ter um sonho e ter que correr atrás dele com noites mal dormidas e leituras extensas – estudando para a UERJ-, quando de repente uma enxurrada de comentários e conversas escutadas começaram a incomodá-la. Exatamente da forma como incomoda ler alguém falando sobre si na terceira pessoa, acredite!

Eram tantas palavras complexas e sentimentos profundos em apenas uma frase que eu lembro como se tivesse sido há quinhentos anos atrás, mas a pessoa me falou sobre como não estava pronta para amar e sofrer todo o terror de novo. Sim, o mesmo blábláblá que eu já encontrei em tudo quanto é canto do mundo. Eu já superei essas ideias, mal formuladas, que me soam uma total perda de tempo. Então, resolvi escrever um pouco sobre o que eu acho que é – na minha humilde vivência – o tal do amor.

Cada vez mais familiarizada com relacionamentos, notei que não importa se seu coração palpita ao vê-lo chegar ou não, e sim o quanto você faz questão de que ele de fato esteja ali. Não importa, mesmo, se ele é seu sonho de consumo ou não, mas é essencial que vocês vivam um sonho em comum. A propriedade diz que um relacionamento só é incrível se for sonhado pelos dois e não só por você, ou ele, com os tais moldes que tem raízes na vida de solteiro e são geralmente mais idealizados que um romance do Álvares de Azevedo. Conclui, também, como damos trela para as piores atitudes dentro de nós. Amor é, definitivamente, pensar no outro. Não é achar que estar com alguém é simplesmente continuar a vida anterior, mas agora acompanhado. Definitivamente não tenho como objetivo dizer que é necessário viver em função da pessoa, mas lembre-se constantemente que você não está mais sozinho nesse barco. Se for brincar de Titanic na hora errada, é capaz de que um inocente morra e você continue aí – vivinho da silva – sem nem saber o que fez de errado. Já cometi muitos erros, mas sabe o mais bonito? O amor é desses que quando aparecer, não vai te obrigar a mudar e transformar-se em um certinho engravatado de uma hora para a outra. Ele vai te fazer querer esse aprimoramento, ele vai te fazer querer crescer. O bonito mesmo é estar em sintonia, em harmonia. Amar é, primeiramente, estar equilibrado e cheio de coisas boas dentro de você. Sim, é surreal como tem gente por aí que não sabe nem o que é acordar sorrindo e quer sentar logo na janela – pedindo um amor com direito a final feliz e mais um pouco – sem nem pestanejar! Sem querer querendo, serei quase contraditória ao dizer que quanto mais o ser humano raciocinar e colocar na ponta do lápis o tal do sentimento, melhor. Porque ao mesmo tempo que nós notamos como é bobeira querer aquele gato que tem o sorriso maravilhoso que não aguentaria nem seis meses do seu lado, podemos valorizar ainda mais o que te aguenta com a pior cara, o humor mais ácido e o maior drama guardado no bolso de vez em quando.

Amar tem muito a ver com timing, mas também com força de vontade. Se o ser humano quiser, e acontecer no tal do timing, eu aposto cinquenta pilas como esses aí viverão os momentos mais inesquecíveis que o céu pode reservar. É engraçado, mas antes eu tinha uma negação enorme com a tal da vontade. Sei lá, me soava tão forçado! Entretanto, meu caro, isso tem a ver com não pular do barco e acabar se afogando, além de abandonar alguém em plena tempestade.

Se bem que, sinceramente, cada um sabe bem o que faz. Certos afogamentos são necessários para aprendermos a nadar, ou a nunca mais pular de novo. Eu acho que finalmente optei por só entrar em barcos conferindo todos os cantinhos antes, decidi que não gostei de sentir a água entrar e deixar a agonia de não saber para onde ir me dominar durante dias. Um afogamento, não literal, mata – aos poucos – toda a nossa capacidade de raciocinar e viver lindamente de novo. Felizmente, cá estamos nós, inteiros e adubados, porque todos os conselhos – de merda ou não – servem para deixar-nos cheios de esperança e fé novamente.

Amar é sempre acreditar, sim, que dois podem vencer um mundo inteiro. É sorrir, sim, mais do que tudo! É ter vontade de conversar até com o padeiro sobre como é bom ter alguém para conversar e beijar depois, ou antes, ou durante. É se sentir um castigo e um abrigo ao mesmo tempo, é abrir exceções, aprender a viver de uma forma completamente nova e incrível. É descobrir coisas no olhar do outro, esquecer outras e inventar mais algumas. As esquinas virarão folhas em branco, assim como cada canto que vocês resolvam enfeitar com beijos, conversas e teatros. O amor é um segredo que todos pensam saber, mas só pensam. Ele é uma tatuagem. Pode ser de henna, pode ser eterna, você só vai saber quando a tempestade e o tempo vierem, então o seu dever é ficar preparado. Se sair, faz mal não. Tem sempre mais tinta por aí, mais chances, mais inspirações. E se não chegar nem a borrar… Aí você pode espalhar por aí que você tirou a sorte grande e que a dona do hiperbolei te admira eternamente.

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