22 vezes você.

A grande impressão que tenho, nesses invernos dentro das minhas madrugadas, é que me falta um componente. Ou, pelo menos, que passei a vida inteira buscando tal coisa que nunca soube identificar.

Apesar dos pesares, faço reflexões em cima de pequenas premissas e vejo os minutos passarem. É mais claro, talvez pelo silêncio, que não preciso de um psicólogo para viver mais calma, mas de momentos assim. Entender-me é tarefa para alguém que queira, já me abstive disso faz tempo. Entretanto, é bom conviver comigo mesma. É reconfortante perceber que posso fazer um drama enorme, achar que me perco em cada esquina que passo todos os dias, mas perceber-me inteira e até mesmo transbordante disso que chamam de essência. Contraditório, eu sei, a possibilidade de estar cheia e ao mesmo tempo sentir uma ausência peculiar.

Nessas horas, entendo a complexidade do ser humano ou até mesmo o sentido de vivermos uma jornada. Se eu estivesse completa, qual seria o sentido de viver mais um ano? O tédio predominaria de forma a tornar-me vazia – corroendo sem cessar – ou até mesmo morta. Entretanto, se estou em busca de um amadurecimento, de uma luz no fim do túnel, tudo se estabiliza de forma mais interessante. Afinal, agora posso pintar que esse sentimento de satisfação pessoal é na verdade estar preparada para a próxima fase. Sim, a essência transborda, mas isso só significa que precisarei de cada milímetro para o nível que me espera. A ausência tem validade. Sinceramente, não me aborrecerei se esse momento for postergado pelo universo, mas antes tarde do que nunca. Afinal, que agonia! Que agonia, mexer em revistas, olhar para o celular, caminhar pela rua, abraçar minha mãe, respirar fundo – e corretamente como ensinam por aí -, lavar as mãos, abrir o notebook, comentar alguma baboseira no twitter e no final de tudo… Cri, cri, cri, ainda sentir um espacinho faltando. Não, não é a tal da falta, não é depressão, não é dor, não é amor não correspondido, é algo mais individual e ao mesmo tempo universal. É viver. É aprender. (Hakuna Matata)

 

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