Se sentia um pouco mais humano, longe de toda aquela humanidade.

Um pouquinho mais longe, um pouquinho mais perto. Um pouco mais como eu sempre quis, um pouco mais como eu descobri que tem que ser. A gente vive de pouco em pouquinho, a gente vive de canto em cantinho. E por incrível que pareça, a gente se esquece da gente nos cantinhos mais inesquecíveis. A gente anda por aí se deixando e recolhendo o que acha, dançando com o vento e esquecendo que ele é só o ar em movimento. A gente se esquece que não é porque entram coisas novas, que as velhas tem que sair. O melhor dançarino não deixou de ser ar. Ele pode carregar folhas, pode te carregar e até mesmo trazer aquela poeira chata que machuca os olhos, mas ele não deixa de ser o velho e bom ar.

E eu tenho sérios problemas com contato, com amizades, com sociabilidade. Tenho dificuldades em deixar algumas pessoas entrarem, mas a regra não vale pra tanta gente… Afinal, olho pro meu jardim e só encontro gente linda que eu nem notei quando sentaram à mesa e decidiram não me abandonar nem por um decreto. Acho até boa, de um certo modo, tal dificuldade. Se quando entram não saem mais, de repente vem desse ponto minha liberdade para viajar durante um tempo e sumir da vista de todos. Sumir da vista da humanidade e me sentir humana em meus próprios cantos, onde por vezes me jogo e fico. Saio de lá outra pessoa, até lembrar que não dá pra ir me esquecendo por aí, afinal, nasci para ser vento e ar. Nasci para arriscar não ser nem um, nem o outro, mas os dois. O mais difícil, sem dúvidas, é pensar que posso destruir casas e ao mesmo tempo levar o refresco para uma senhorinha que trabalhou durante o dia inteiro e que agora repousa em sua varanda quente onde bate o sol quente e tão parecido comigo. O sol que mata, mas o sol que esquenta as regiões mais frias do mundo. Conotativamente, denotativamente, tanto faz. Já me perdi nestes sentidos há uns 5 anos, não pela semântica e sim por não entender porque usamos só um para a vida real. Na minha, uso os dois. Uso o sentido denotativo em uma vida conotativa e vice versa. Nasci pra ser vento que vai para faculdade. Nasci para ser realidade no sonho. As vezes, admito, me pergunto se realmente nasci. Pego-me duvidando da verdade do mundo, deitada em minhas próprias convicções que perdem meu voto de confiança durante vários momentos no dia. Entretanto, vou dormir. Vou dormir e esqueço, descanso, recarrego.Acordo dando bom dia, sim, para meus cachorros invisíveis, para o sol, para as paredes e para minhas velhas e novas convicções. Uma mais intensa e forte que a outra, até o almoço. Isso me soa humano, isso me soa pensar. Isso me soa, acima de tudo, sentir. Eu digo e repito, o ser humano é antes de tudo um ser que sente. Pensar, muito bicho por aí pensa e depois comete atrocidades baseando-se em pensamentos lógicos e impecáveis. Sentir, a minoria sabe o que é. Desses, 50% consegue entender e desafiam-se a querer. Porque pensar todos acham bonito, mas sentir… Sentir é cafona, dá trabalho e definitivamente tira muito mais corpos da zona de conforto do que um pensamento leve e racional. Digo e repito: Sinto, logo sou.

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