Sobre… Ah, sobre nada.

Sou prática, mas cheia de detalhes. Detesto ervilhas, detesto histórias mal contadas e sou uma daquelas fãs de comédias românticas conhecidas e bobas. Pois sim, acho que quando é amor, o clichê fica bonito e agradável. Nunca me importo de deixar alguém passar na minha frente(seja no bebedouro, na cantina, no ônibus), acho bonito isso de destino. Desde pequena fui criada para ser uma menina de família e acho que posso dizer que não sou um fracasso, pelo menos nisso. Gosto de ser certinha, admito, mas frequentemente me vejo indo contra uma multidão. Ninguém espera muito de mim, mas acho que não é nada pessoal. Ultimamente, quem aposta em alguém que não conhece? Com isso concluo, espero que tenha percebido, que é difícil me conhecer. É difícil me tirar da cama em feriado, é difícil me tirar da sua vida quando eu entro, é bem difícil ser difícil quando eu decido que algo é bom para você e preciso que aceite. Teimosa por natureza, canceriana trancafiada na personalidade emocional e desconfiada, amante da filosofia. Gosto tanto de ler quanto de dançar, mas tudo tem sua hora… Geralmente essa só chega na solidão completa, gosto de fazer coisas sozinha. Preciso do meu espaço, gosto de respeito e tem épocas em que me sinto sufocada exatamente por isso. Me respeito demais para sair do meu espaço, mesmo quando preciso. Sabe, é aquela lógica… Tem alguém na sua frente, você precisa passar, mas a pessoa ignora seu pedido de “licença”. Pois é, eu espero até a boa vontade chegar ou algo influenciar na situação. Não sou um caminhão forte para passar por cima de ninguém, o que é uma pedra no meu sapato, mas de trinta em trinta minutos(aqueles que não são contados, mas sentidos) me lembro de que a sorte é ter o que calçar. Sou complexa, mas me sinto simples. Eu me entendo. As vezes me sinto triste quando não sou tão abstrata quanto costumo ser, mas acho que faz parte. As vezes acho que a parte é muito mais importante do que o todo.

Gosto de ter comigo bases de sustentação. As pessoas que escolho para ter por perto são exatamente isso. Inteligentes, fortes, destinadas a serem grandes e não apenas bonecos de cera sentados em uma mesa de bar. Minha gente, sendo pinguça ou não, é da melhor qualidade e eu não estaria aqui sem a total ajuda dos que sabem como posso ser totalmente auto-destrutiva. Não tenha medo, é uma destruição que você acompanha todos os dias… Muitas pessoas passam o dia se machucando e se enterrando, seja em trabalho ou lazer fútil. Eu me sinto virar pó quando deixo a vida perder o sentido. Por sinal, sua vida tem sentido? Um dos meus passatempos prediletos é observar as pessoas e criar suposições sobre elas, coisas que eu sinto só de ficar uns dez, quinze segundos respirando o mesmo oxigênio. Sou inútil, já dizia uma das minhas melhores amigas, mas acho que ter merecido um apelido me faz alguém especial. Quem fica tempo o suficiente nas vidas alheias para ganhar apelido, lambidas e abraços? Tenho riso fácil, solto, tenho versos guardados em olhares e canso com freqüência de ser o que sou. Reinvento-me, crio metas doidas e sinto um desapontamento profundo por não ser tão determinada quanto queria. Bom, amanhã posso abrir os olhos e sentir uma nova chance de mudar tudo.

Meu maior inimigo quando cometo um ou dois fracassos é o espelho, não gosto de ver pessoas destruindo sonhos alheios e muito menos os meus. Se alguém tem a chance de mudar o mundo e você sente aquela pontadinha cruel para estragar tudo, guarde suas piadas e palavras sobrando. Guardo, com carinho, ex pseudo amores, pseudo amigos e pseudo sonhos. Se passou por mim, está guardado. Pode ser longe, pode ser na área proibida, mas me sinto preenchida.  De fato, sou um enigma. Entretanto, vejo meu coração parar ouvindo o samba tocar. Ouço músicas que ninguém escuta, mas também vicio nas que todos já ouviram milhões de vezes. Não gosto de pessoas ingênuas, ou donas de generalizações bestas. Não gosto de dois pesos, duas medidas, não gosto de pessoas que tem uma missão e se perdem no meio dela.

Tenho muitos medos. Muitos buracos. Muitos pedaços em branco onde nenhuma caneta consegue por tinta. Não sou tão bonita por dentro quanto queria, mas abraço quem pedir. Já escrevi melhor, mas já toquei menos violão, já fui mais bonita, mas já deixei meus sonhos falarem mais baixo.

Queria ser melhor compreendida. Queria ser mais especial para pessoas que passam por mim e roubam pedacinhos sem nem mesmo lembrar do meu nome ou jeito.  Queria ser uma escritora de fundo de quintal, mas não tenho um quintal e definitivamente o sonho não seria completo sem uma máquina de escrever. Sou meio vintage, meio hipster, tenho em mim todos os sonhos do mundo e ao mesmo tempo sou nadica de nada.

Apaixonada por história, literatura, sociologia e mesmo assim uma aluna mediana em tudo. Deve ser, talvez, porque não enxergo nada disso como um “saber mais ou menos” e sim como um estilo de vida. Saber que os cubistas reinventaram a forma de pintar graças à invenção da fotografia me faz crescer, me faz entender que se o artista não se reinventa, ele perde sua função. E eu, como uma boa reinventora, posso ser uma artista. Nisso, me encontrei. Nisso, decidi tudo e mais um pouco. Nisso, encontrei forças para saber tudo que acabei de relatar, tudo que acabei de achar. E você, já se encontrou?

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