Nunca duvide do poder de cinco sanduíches e um longo silêncio.

Sentar de pernas de chinês, abraçar os joelhos, deitar de cabeça pra baixo no sofá, deitar normalmente ou até mesmo de lado, levantar e dar uma corridinha, ir respirar o ar na sacada, desistir e ir para o quintal. Nada disso deu certo, nunca daria, a inquietação da alma vai muito além de todas as tentativas em vão para tentar esconde-la ou disfarça-la. Nós vivemos por aí esquecendo que não somos apenas carne, mas essa é a burrice mais intensa que qualquer ser humano adota. Circunstancialmente é bom parar de pensar e agir por impulso, mas esquecer de uma das nossas partes mais importantes é a mesma coisa que sair de casa sem o celular: insuportavelmente incomodo.

Em uma determinada hora a alma fala em um tom impossível de ser ignorado e a solução só chega até nós diante de uma auto sinceridade difícil de alcançarmos se já nos encontrarmos atolados de coisas inúteis. É difícil, admita, conseguir não se achar ridículo ao ficar em silêncio esperando a tal da “verdade” te atingir. Porque, de fato, não poderia chamar aquela inquietação tão intensa de algo além de verdade. Ela é aquilo que nós sabemos que temos que lidar, mas afogamos e sufocamos para conseguirmos evitar o tempo que for possível. 

Apesar dos pesares, de toda a sensação infantil ou absurda, comigo não foi diferente. Respirei fundo e deixei-me estar vulnerável. A vontade de ligar a televisão foi máxima quando abri o baú fechado e confessei o quanto me sentia insegura. Sim, a tal da incapacidade de fazer qualquer coisa naquela noite era exatamente o sentimento de “você só tem vivido tudo na sorte e não porque acha que realmente vai conseguir”. 

Que derrota. Entretanto, quem nunca desejou ter um rosto diferente? Talvez uma voz, um talento, um QI maior. A gente se sabota. Eu tenho me sabotado desde o dia em que me senti pouco para o primeiro ser humano que exigiu muito de mim, então eu admito que sempre que consigo fazer algo diferente sinto-me primeiramente surpresa. Rio por dentro, um tanto temerosa, porque é irônico que a frase do Chaves possa ter um significado tão forte na minha vida. Só que ela tem e vive ecoando dentro de mim: “Foi sem querer querendo”. 

Então, por que diabos minha alma precisou me alertar disso agora? Tudo está correndo tão bem com esse acaso, eu podia simplesmente ignorar essa insegurança – mesmo com os puxões que recebo durante o dia-, mas essa parte esquecida de mim parece estar subitamente disposta a enfrentá-la. Se eu pudesse tecer uma citação para ser eternizada, falaria algo em relação a toda coragem que nós temos estar depositada em nossas almas. Não tem como, minha mente só consegue apontar minhas fraquezas e ela é só realista. Não sou nada demais, não canto, nem toco, nem tenho um corpo escultural. Não tenho um sobrenome importante, não sou famosa. Sou só uma adolescente, ruim nas exatas e que por mais que tente é bem mediana. A lógica não está errada em me colocar cheia de fraquezas, esse é o realismo mais certo de todos. Seres humanos são incrivelmente frágeis e sujeitos à comparações onde os quesitos anteriormente citados valem tudo ou nada. Entretanto(ah, como eu amo quando consigo chegar em um entretanto forte e decidido), é por isso mesmo que nós não podemos esquecer que temos uma alma. Nenhuma qualidade física, profissional, curricular, é comparável com o quão abastecidos dela nós somos. Diz-se no dicionário que sinônimo para desumano é um ser sem alma. Pois sim, mesmo você sendo o ateu mais fervoroso, acreditar na sua humanidade é assentir para o fato de que somos cheios de… alma! Sabe a carta que vence qualquer outro grupo de cartas no baralho? Não? Bom, eu acho que já ouvi algo sobre isso e é exatamente isso que eu quero dizer. Se nós nos lembrássemos mais da alma e de como a força que vem dela é incrivelmente suficiente para tudo e mais um pouco, talvez a vida fosse mais fácil. E como se ela pudesse perceber que eu estava prestes a sucumbir em meio as comparações e puxões da insegurança, me fez ficar horas e horas inquieta até notar que eu só estava perdendo o jogo(sem notar) porque eu estava deixando. A opção de jogar com 5 jogadores em campo, ao invés de 11, é toda minha. A opção de esquecer da parte mais importante, talvez por estar tão cega e cheia da rotina, dos estudos, da vida, é minha.

Então, tive a grande oportunidade de fazer cinco sanduíches de bisnaguinha e tomar um café da manhã – almoço escolhendo uma nova forma de jogar. Segurar as rédeas, fazer valer todos os aprendizados, valorizar os conselhos e elogios recebidos. Falar mais de alma, menos de lógica e sentir que vale muito mais ser alguém diferente do que mais uma menina cheia de livros de auto ajuda que se baseiam em aumentar suas qualidades passageiras e visíveis do que suas especifidades eternas e inigualáveis. 

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