Luto.

Eu gostava de Linkin Park. Sempre achei uma música que misturava estilos, que te agitava e ao mesmo tempo te trazia sentimentos profundos. Sempre gostei. Eu e metade do mundo, como deu para notar durante os últimos dias. O vocalista se suicidou. Talvez tenha perdido o controle de vez, talvez tenha tomado o controle de alguma forma e tomado a única decisão que lhe parecia possível. Mexeu comigo, como todas as mortes, e ao mesmo tempo mexeu comigo como poucas coisas conseguem mexer ultimamente. Retiro meus pensamentos com facilidade, mas sobre ele, é diferente. Eu li alguns comentários na carta aberta que a banda fez. Li a própria carta. Esse cara influenciou de uma forma tão inovadora, forte e incrível a vida de milhares de pessoas… Milhões, possivelmente. O amor que as pessoas sentiram por ele me moveu até aqui, porque de certa forma estou comovida. Não consegui passar reto, ignorar, não sentir.

RIP.

 

Desabafo.

Não reclamar, não pensar demais, ser grata, compreender e aceitar. Estar disposta, confiar, sorrir mais. Exigir menos, falar sem farpas. Parece mantra, mas é o que eu preciso fazer para realmente ser feliz, realmente fazer os outros felizes. Ah, esqueci um ponto essencial. Se as outras pessoas fizerem algo por você, você deve ser grato e não achar que “elas poderiam ter feito mais” ou que elas tem qualquer tipo de obrigação em fazer algo.

Eu não tenho a menor, a menor, ideia de como amadurecer tanto em tão pouco tempo. A cada dia que passa parece que meu tempo acaba um pouco mais. A cada dia que passa eu luto com todos os meus centímetros: preciso-ser-mais-forte. Preciso lutar contra todos os meus defeitos, meu jeito mimado, minha ideia de que se eu dou o mundo pelos que eu amo, eles também devem fazer isso. A vida não é assim, sabe? Não é mesmo. Ou você dá o mundo porque você quer, porque é o seu jeito, porque é a forma que você decide viver, ou você não faz. Não se pode dar nada “esperando” receber algo. Perde-se a nobreza, a lógica, o amor. Torna-se egoísmo.

Eu não quero ser egoísta, quero poder dar paz aos que convivem comigo, aos que me amam.

Nos últimos tempos, sinto que tenho exigido demais por medo de perde-los. Mas eu perco mesmo assim. Me perco mesmo assim. E não importa quem você namora, quem você decide ser amigo, não importa quem te vê, o amadurecimento bate na sua porta cedo ou tarde, e eu só quero acreditar que é possível. É possível não ser a pessoa que só reclama, que acaba atraindo centenas de doenças porque não consegue ser grata, que só exige e exige, ao invés de entender as limitações alheias.

Não que eu seja tão terrível assim, eu não sou. Convivo com pessoas que realmente reclamam e vivem deprimidas todos os dias, não é isso que acontece aqui dentro. Eu só sou mimada e para um bom leitor de futuro, uma casquinha já é o suficiente. Não quero que a vida me amargue, me transforme em alguém sem nobreza, sem pureza, sem amor. Eu quero evoluir, agora, para ter um futuro melhor. Não quero ser um peso. Quero acrescentar.

Preciso ser mais compreensiva. Preciso ser mais leve. Grata. Aceitar mais.

O que me bate a dúvida no dia 16/07/2017 é: eu vou conseguir?

Eu tenho essa capacidade?

Espero que sim.

Seria bem triste não ser capaz de correr atrás da minha própria felicidade, do meu próprio bem estar.

Doeu te perder. Digo, doeu mesmo. Eu já me afastei de algumas amigas na vida, por opção minha, por opção delas, mas contigo foi diferente de qualquer situação. Você era aquela pessoa que eu encontrava e me sentia melhor só de ver o quão acolhida eu estava. Aquela pessoa que me ajudou como nenhuma outra a me aceitar mais, acreditar mais, respeitar mais. Mesmo pela dor que senti no final, eu sou grata e sempre serei por tudo que nós duas vivemos juntas. Fiz tudo que podia por você, e faria tudo de novo assim que você pedisse. Na vida nem sempre a gente segue o timing, nem sempre anda alinhadamente com o outro, mas isso não significa que você vá perder tudo que ganhou nos últimos anos. Você ganhou uma amiga para a vida toda. Que vai ser sincera, que vai falar o que você quer ouvir, que vai aceitar suas limitações. E hoje, depois de uns dias, eu começo a ver que é idiota abrir mão da sua presença por me sentir magoada e menosprezada. É idiota abrir mão da sua presença, ponto. Mas foi o que aconteceu, e acho que tudo vem com uma lição, mesmo que a gente não queira, e eu odeio admitir que talvez, para eu entender uma coisa, eu tenha precisado te perder.

Serei mais compreensiva. Na próxima, quero ser a pessoa compreensiva e não a pessoa que cede à pressão alheia. Te compreender, engolir o orgulho e os impulsos para exigir uma postura diferente de você, doeria bem menos do que ter cursar mais 2 anos de Direito sem você, me formar e não viajar o mundo com você, nunca mais ser teu ombro amigo e etc.

Eu vou sentir sua falta sempre que eu me sentir sozinha. Ou me sentirei sozinha porque sinto sua falta. Porque se tem uma coisa que eu nunca senti do seu lado, foi a solidão. A gente era uma dupla muito fofinha, e eu te agradeço também por isso. Nos dispusemos a ser melhores amigas e fomos. Fomos muito. Só que algo mudou aí dentro, depois de tantos desencontros e dificuldades, e eu me sinto um pedacinho de papel usado quando paro para notar que não tenho mais o que fazer, você se foi e pronto. Sozinha, pela primeira vez em dois anos, eu me senti esses dias. Com todo respeito e amor pelos que estão na minha vida, nossos sonhos e planos eram muito únicos, muito compatíveis, e a falta deles faz mesmo com que eu me sinta sozinha apesar de todos. Então, fica aqui o desabafo. Você não vai ler isso, e possivelmente é bobo da minha parte até mesmo escrever, mas perder a nossa amizade foi algo que me mostrou um extremo que eu nem sabia que era possível existir.

Não quero fazer novas amigas, pelo medo de sentir tudo isso de novo. Não quero confiar e depender emocionalmente de ninguém, eu notei que precisava de você de um jeito bem mais profundo do que eu julgava. Não quero viver isso com mais ninguém. Nem a desilusão, nem os erros, nem os acertos – porque no fim, eles só ficarão de lembrança e a gente precisa de mais do que isso na vida.

Sinto muito, amiga. Por nós e por tudo.

Eu queria muito que fosse diferente.

Obrigada.

Oi meu amor,

Antes de tudo: obrigada. Obrigada por ter insistido em nos vermos hoje e com isso comemorarmos nosso dia dos namorados juntinhos. Realmente tem certas coisas que a gente se sente bem de não abrir mão. O sentimento bom que floresceu em mim ao me sentir importante foi incrível e familiar, me fez sentir parte de alguma coisa. No caso, de nós dois.

Eu gosto se ser sua dupla. Gosto de estar aqui, te entendendo e conversando sobre tudo. Gosto de falar contigo quando acordo e quando vou dormir. Gosto de te ter como companheiro e dividir as coisas mais idiotas, as mais felizes e as mais difíceis. Não só pela qualidade de vida que eu ganho ao balancear os acontecimentos, mas porque você é você!

Você é heróico no sentido de sempre acreditar na força do bem e das coisas boas. No sentido de sempre tentar ser correto com todos. De sempre tentar estar lá pelo outro. Você se sente mal quando magoa alguém e não fica se afundando em vícios/fugas, sabe? Você fica mal e tenta resolver, ou pelo menos assume que precisa resolver e aceita ajuda.

Você sempre tenta dar seu melhor, amor. Sempre. Obrigada por isso. De verdade, eu não poderia escolher alguém melhor do que você para estar do meu lado e é exatamente disso que se trata a comemoração de hoje. Agradecer ao universo (Deus) por te ter do meu lado.

Nunca liguei para “ter alguém” ou “namorar”. Mas eu queria mesmo e sonhava com o dia em que eu não sentiria falta de algo que eu não sabia o que.

E bom, contrariando a mídia e as propagandas, o que eu sentia falta é exatamente o que eu ganho quando nós passamos por problemas juntos e resolvemos e continuamos apaixonados. É quando eu preciso superar um medo e ouço sua voz me fortalecendo. É quando eu te olho doente e tento te ajudar mesmo que seja dando apoio moral. Eu sentia falta de continuar a minha missão pessoal acompanhada de alguém que me fizesse rir dos dias difíceis ou pelo menos lidar melhor com eles. Não é sobre querer aparecer ou me achar melhor porque tô namorando… É sobre te ter e conseguir um desempenho melhor em absolutamente tudo porque você é você e está do meu lado.

Você é meu sexto sentido, meu conselheiro, companheiro, par e amigo.

Me guia, me acompanha e parece precisar de mim tanto quanto eu de você. Sentir a reciprocidade de algo tão intenso assim me faz feliz.

Te amo.

Happy valentine’s day!

 

22 anos no dia 22 de junho.

Tenho andado sumida daqui. Notei quando resolvi lembrar das minhas primeiras entrevistas de estágio. Sempre que perguntavam meus hobbies, um sorriso ocupava meu rosto ao admitir que tinha como hábito escrever aqui ao invés de simplesmente deixar meus dias passarem de forma descompromissada. Como uma boa pseudo-escritora, sempre desfrutei uma paz inevitável ao despejar meus sentimentos aqui.

Não sei quando isso mudou, ou quando me perdi entre o que era, o que queria ser e o que nunca aceitaria para mim.

Com isso, eu resolvi trazer de presente uma reflexão para a futura Raquel, a de 22 anos, que virá no dia 22 de junho. Todo ano reflito metaforicamente e emocionalmente sobre anos novos, perspectivas e aprendizados. Pois bem, dessa vez não virão somente aprendizados simbólicos e retirados de metáforas, em 2016-2017 tudo que aconteceu foi extremamente claro, extremamente real e exatamente por isso me faltou a vontade de escrever, de refletir… Afinal, quando a situação ruim está óbvia e estampada, dói quase fisicamente sublinhar, reforçar, pensar sobre tudo.  Por isso sumi. Eu queria me livrar e sabia exatamente do que, sabia exatamente quais eram as perdas, sabia exatamente o que ganharia se superasse. Eu até tentei… Mas a consciência de tudo inviabilizou qualquer tentativa de respirar fundo e escrever. Entrei em pânico. Constantemente em pânico.

Fica bem claro pra mim se ilustrar da seguinte forma: encarava o espelho, odiava o meu reflexo e tentava fazer de absolutamente tudo para me desfazer da confusão que era não ser quem eu queria.

Quando as coisas saíam do controle e eu acabava sendo a minha versão de merda, de novo, começava a surtar. Fisicamente, emocional e mentalmente. Era uma merda ser grossa, ou agressiva, ser pessimista, ou cheia de mágoas.

Eu era a pessoa extremamente emocional que era positiva?

Então aprendi a lição mais importante que tive até hoje: minha sensibilidade só é bem vinda quando fizer bem aos outros e à mim. Quando começar a me fazer mal ou a agredir os que convivem comigo, preciso respirar fundo e procurar em mim toda racionalidade e todo o pragmatismo que puder encontrar.

Não acho que tenha me tornado mais fria. Pelo contrário…

A frieza era justamente consequência da minha sensibilidade. Toda vez que me sentia mal, atacada, sozinha, eu me esfriava e dificilmente cedia. Dificilmente tentava entender os outros.

Olha, o que eu realmente queria dizer é que se você quer ser uma pessoa boa, precisa admitir quando você é uma pessoa ruim. Se você quer ser uma pessoa confiante, precisa assumir que seus momentos de insegurança não são momentos bons. Se você quer ser amada, precisa aprender a amar o outro e a se amar primeiro. Precisa refletir se você sabe o que é se amar.

Eu não sabia, ainda não sei direito. Por isso minha preocupação com a futura Raquel, a Raquel de amanhã.

Você ainda tem centenas de defeitos, mas não pode se afundar na existência deles. O que aconteceu, meramente como revelação de fatos, foi que você acordava todos os dias se sentindo um lixo, totalmente consciente de como não era perfeita e de como estava deixando a desejar, e aí, na defensiva sensibilidade, você decidiu não aceitar críticas, se ressentir com os que as faziam, não esquecer ou levar tudo pro pessoal. Não foi sua culpa, a vida foi bem filha da puta e ninguém conseguiu equilibrar a bandeja das relações sociais. Mesmo quando você tentava acreditar que você ia conseguir melhorar, as pessoas esqueciam de demonstrar fé, esqueciam de superar momentos ruins. Ninguém superava nada, e você, muito menos. Você se sufocava com a auto crítica e ao mesmo tempo sufocava os outros com a dificuldade de superar as críticas que eles teciam.

Um

inferno

do

caralho.

Mas a verdade é que você precisa admitir diariamente que não é uma pessoa perfeita e tem muito o que melhorar. Não para se sentir um lixo, mas para conseguir, com a consciência da evolução necessária, não se aborrecer com críticas alheias. Entende-las, enxerga-las, e de certa forma, se amar apesar de tudo. Eles te amam apesar de tudo.

Você não se sentiu verdadeiramente amada no último ano, e aí correu, fugiu, chorou e abraçou a insegurança. Então, assim, a segunda dica é não se afastar e sempre lembrar da importância do amor nas relações que você tem. Se eles não te escutarem, errados são eles, mas aí você lembra da primeira lição e respira-fundo, seja pragmática. Leia algo diferente, escreva algo diferente, insista em mostrar que sem amor ninguém evolui, ninguém muda.

A sequência pesada de sentimentos horríveis passou. A consciência de que, no fundo, todos que você ama são recíprocos contigo foi finalmente restaurada. Os erros agora parecem um tanto distantes, cada dia mais, e cada dia é importante mesmo. O progresso é lento, mas é real. Tão real quanto a sua dor ao perder o controle de novo e de novo. Realidade por realidade… Abrace a que te faz bem.

Se outros momentos difíceis vierem, lembre-se: respira fundo, balanceia a sensibilidade, busque dar e receber amor. Com isso, você vai conseguir fazer qualquer coisa.

Hoje seu maior desafio é ser uma pessoa melhor. Com sua família, na faculdade, com seu namorado e até com seus amigos.

Que o próximo ano seja focado em resultados, em avanços e não só na dor que é descobrir que, talvez, apesar de tanto amor, você não faça nem 10% do que deveria por eles.

Tome como nota: esse ano você caiu no chão e demorou para levantar pelo choque que é tentar dar o seu melhor e descobrir que ele não é o seu suficiente. E aí você finalmente levantou quando entendeu que não ia morrer se admitisse, e sim iria descobrir que DE FATO… Aquele não era o seu melhor.

O seu melhor é aprimorado diariamente, e é bem mais foda do que você consegue imaginar. Espero que no fim desse novo ciclo que ainda nem começou você possa me contar um pouco mais disso.

Até!

Perfect.

Quando eu penso na gente, algumas verdades incontestáveis passam pelos meus perturbados e ansiosos neurônios:

  1. Era muito mais fácil quando eu achava que saberia o que fazer em todas as situações e te guiaria independentemente da situação. Achava que eu, por te amar tanto e ter tantos sonhos em relação ao amor, saberia e estaria sempre pronta para te ajudar a cuidar do nosso amor aí dentro.
  2. Admito que tem alguns momentos que despertam sensações em mim que eu jamais poderia cogitar, fazendo com que eu realmente não seja quem achava que seria. Não, eu as vezes preciso que você guie, ou que os dois esperem o tempo mostrar o melhor caminho. Eu que preciso aprender a cuidar, eu que preciso aprender a viver o nosso amor diariamente.
  3. As sensações novas que aparecem nem sempre são ruins, mas sempre são surpreendentes. Eu não sabia que te vendo dormir, te acharia um ser precioso, teimoso e que isso me deixaria pensando bem mais em você do que em mim em várias situações não usuais. Também não sabia que a consequência das nossas milhares de brigas seria um silêncio inconveniente que nasce na minha garganta e me faz não ser tão dócil, gentil ou confiante como gostaria em alguns momentos essenciais. Com isso, me veio o surpreendente sentimento de que talvez você não entenda a falta de voz momentânea ou a falta de atitudes fofinhas/minhas; e daí que talvez eu não seja suficiente para continuar te mantendo aqui, nos mantendo aqui. Em compensação, descobri que consigo superar muita coisa. Descobri que seu sorriso realmente consegue me fazer curtir o momento, e apenas ele, dando tempo para que a gente se acerte na cena seguinte.
  4. A gente tem descoberto formas melhor de fazermos as pazes. E de discordarmos também.
  5. Eu tenho um medo absurdo de ter te conhecido tão cedo.
  6. Eu sou muito grata por viver os melhores anos da minha vida com você ali, me apoiando, me incentivando, me fazendo rir.
  7. Eu sou metade da mulher que gostaria de ser com você, mas a cada dia que passa… Sou um pouquinho mais.
  8. Sinto que tudo que me machucou até hoje se dissipa a cada dia que você simplesmente se dá uma chance para acreditar um pouco mais na gente. Ou seja…
  9. Eu sempre disse que eu seria sua força, mas nunca soube que você seria a minha e isso eu descobri empiricamente. Não quando você tenta ser objetivo e pragmático, mas quando você simplesmente me coloca ali do seu lado enquanto você faz algo importante. Me deixa ali, importando, existindo, sendo sua e você pleno e tranquilo com isso. Feliz por isso. Isso me fez aguentar as piores noites, e sonhar com os melhores dias. Essa sensação… É indescritível.
  10. Aprendi a amar a sua família de verdade, da mesma forma que amo a minha, e sou muito feliz por te-los.
  11. Você não é tão possessivo quanto eu gostaria que fosse, e eu me sinto péssima por isso. Mas tudo bem, e essa é a novidade. Eu realmente acho que tudo bem.
  12. Eu tô sendo reconquistada pela ideia de nós dois juntos para sempre e sempre. Ela que me levou naquela caninha, ela que me fez dar a mão pra você no shopping tijuca e receber um sustinho de reação. E ela que me fez escrever isso aqui. A ideia de nós dois juntos era linda, e embora tenha deixado de ser atraente quando eu me senti um lixo pra você, tem voltado a vibrar aqui dentro e me fazer sonhar com você antes de dormir, dormindo e depois de acordar.
  13. Desrespeito dói mais do que ciúmes.
  14. Preciso muito que a gente se proponha a ser diferente dos nossos pais… Que a gente se apaixone perdidamente, continue apaixonado, se admire, e não brigue de maneira suja. Não sei se não brigaremos nunca, mas tenho certeza que eu não quero fazer isso da pior maneira. Se for pra discordar, que seja entre um abraço e outro. E eu sei que parece utopia depois do furacão que sentimos… Mas Eduardo Galeano dizia que a utopia existe para que caminhemos em direção ao horizonte, ou seja, ela, e não paremos nunca de seguir para frente, de evoluirmos. Se chegaremos lá, não sei, mas é o que eu quero. Eu te amo. Eu só preciso que você tenha menos medo dos dias em que falharemos, porque eu te prometo que se você me amar, vai ser cada vez menor o impacto. Vamos falar a mesma língua. Vamos nos amar e provar isso.
  15. Eu te amo. Não é porque namorar é legal, não é porque você é gato, não é porque você tem um pacote muito gostoso em volta de você. Eu te amo porque você me faz sentir em casa com seu senso de humor, seu senso de aventura, sua vontade de viver. Isso ninguém vai roubar nunca de você, e é por isso que eu te amo. Para sempre.

Aqui, liberdade liberdade.

Eu não sei direito porque eu decidi vir aqui(de novo), mas eu costumava escrever praticamente todos os dias quando era mais nova e isso sempre me fez sentir como se meu mundo coubesse em algum lugar.

Bom…

A gente acha que trocar energias e conhecer pessoas diferentes desde a pré adolescência são atos completamente inocentes e tranquilos, né? Coisa mais normal é ter namoradinho aos 6 anos, 8 anos, 10 anos. Aí com 14, porque eu comecei tarde mesmo, a gente começa a se relacionar física e emocionalmente de verdade.

Parece tarde, mas eu acho que foi a coisa mais errada, precoce e idiota que eu fiz até hoje.

Afinal…

As coisas dão errado. Não interessa como ou o motivo, simplesmente dão. Aos 16 ou 18 você conhece outra pessoa, sendo realista mais de uma. Vai começar antes mesmo da maioridade o hábito de ficar, ficar, ficar e descobrir que a vida pode ser só isso se você quiser. F i c a r. Beija aqui, beija ali, aprende uns troço com o fulano que você nem sabe se tem aquele nome mesmo.

Você só nota que tem alguma coisa estranha quando bebe mais do que qualquer ser humano deveria, e não consegue entender porque se sente infeliz mesmo tendo tudo, absolutamente tudo para ser feliz. Talvez você não beba tanto, estamos juntos nessa. Mas você faz alguma coisa, não se engane. Todos fazemos.

Eu fico na defensiva.

Não só tenho uma postura, eu vivo nela. Quase o tempo todo. Eu não me desligo do mundo ao optar por beber, eu me ligo até demais.

A ansiedade me corrompe.

Mas por que? O que um beijo aos 14 fez comigo?

Bom, a questão nunca é o episódio limitado. Nunca. Não foi o beijo, mas o contexto do motivo pelo qual eu esperei tanto para finalmente beijar alguém. Aquele papo da vida ser só ficar e ser ficada? Não fazia IDEIA!

A questão que me traz uma ansiedade ferrada é que desde o primeiro namoradinho fui criada dentro de uma perspectiva onde seres humanos são universos especiais que precisam ser protegidos, amados e cuidados. Seja gentil, seja amável, não minta, não use, não brigue. Converse.

Aí eu descobri em determinado momento que 60% das pessoas não pensam assim. Adeus, primeiro namorado, segundo, terceiro.  E dentro do grupo de 40%, metade do povo é hipócrita/ fraco mental e espiritualmente. Eles conhecem o discurso, a dinâmica, acham que esse é o certo, mas agridem psicologicamente, agridem fisicamente, brigam por qualquer coisa, traem, são cruéis e te usam.

Pelos números, tem grandes probabilidades de eu nunca ter feito nada de errado com ninguém e acabar ferida quando eu mais precisar de amor e compreensão. Assim como você. Assim como um grupo de amigas minhas e o grupo de amigas delas.

Eu não estaria escrevendo isso se eu não fosse cercada de pessoas que se entopem de remédios para amortecer sentimentos difíceis de lidar, e que só tem esses sentimentos difíceis de lidar porque o mundo é repleto de pessoas irresponsáveis que só sabem usar umas às outras.

Amizades, namoros, familiares, conhecidos… A maioria das relações se dão por conveniência.

Como que se envolver com o maior número de pessoas possível, desde cedo, pode fazer bem? E quando eu digo se envolver, digo ficar. Porque mesmo quem fica só por ficar na inocência da vida mecânica, absorve uma objetificação inconsciente.

Eu realmente decidi ir no caminho contrário, não ceder, acreditar que relacionamentos são trocas de energias, experiências, expectativas e que eu quero demais acompanhar a jornada de outra pessoa sendo a melhor influência possível. Não acreditava na objetificação como escolha possível de vida. Se eu não faço, não passo por isso, valeu mantra! Isso tudo sem me ligar que apesar de ser tranquila, sou a defensiva em forma de gente.

Notei isso quando estávamos eu e uma amiga. Ela estava sofrendo porque chegou em uma fase, após tantos babacas, em que ela é incapaz de aceitar ou agir naturalmente quando encontra alguém que parece ser diferente.

Eu diagnostiquei bem canceriana: ela estava com buracos emocionais. Ferida, com medo de ser usada, com medo de acreditar e ser a famosa “trouxa”, sofrendo de verdade porque apesar da normalidade que o garoto trazia, ele ainda era um cara e ela ainda era ela. E nos últimos anos, essa combinação foi suficiente para trazer sofrimento.

Então, o ascendente em capricórnio controlou a situação e eu obviamente defendi que se ela quisesse, ela ia vencer essa fase de lutar contra os efeitos colaterais dessa sociedade líquida.

Aí bateu o Saturno em Peixes.

Eu sou ela. Assim como ela representa todas as minhas outras amigas e amigos. Nós todos estamos a todo momento tentando lutar contra os efeitos colaterais de se viver em uma sociedade que objetifica TODOS e TUDO. Meu jeitinho na defensiva? Não é coincidência e se eu não controlar, vou acabar limitada seriamente pelos meus medos e bobeiras.

Tudo bem que eu sempre soube desse lado negativo e inseguro que vem com o pensamento do mundo ser um lugar hostil com pessoas que se acham donas de objetos…

Taaaanto sei que tento ser perfeita em quase tudo, tento compensar minhas inseguranças com carinho e dedicação. Tento ser um ser humano que valha a pena por 3839 motivos, já que internamente sinto que não mereço mais do que 5 minutos de ninguém. E sendo bem honesta, esse plano parecia perfeito até outro dia.

Mas aí você nota que tudo que as pessoas precisam de você é justamente o que é tão difícil fazer; e se você quer ter uma amizade de verdade, um namoro real, uma relação plena com qualquer ser humano, você PRECISA acreditar que não está sendo objetificado.

Elas até aceitam cuidados, sua linguagem do amor, sorrisos, mas isso tudo é bônus. O que realmente querem e precisam é que você enfrente seus demônios. Você precisa acreditar nessa relação e deixar os efeitos colaterais do lixo que a humanidade se tornou lá fora.

Loucura.

Loucura também é amar e se permitir ser amado, acreditar que é amado. E magoado.

Porque dói, viu? Superar efeitos colaterais de todas as merdas que você já viu e continua vendo, é foda. E quando tem a pressão de outra pessoa precisar que você faça isso… Desiste. Vai doer muito.

MAS essa ferida sara. Você amadurece. E ainda por cima fica devendo um picolé de chocolate para esse indivíduo do bem que queria que você fosse livre. Livre de todo mal que tem por aí e que não é sua culpa. Doeu ouvir? Nhé, dói todos os dias.

Mas amar alguém não é só falar o que é fácil de escutar.

E com isso… todo mundo se magoa. Você magoa alguém com toda certeza, afinal, até o ato de ficar na defensiva por questão de sobrevivência machuca. Eu devo magoar um bando inteiro, sem dó nem piedade, porque honestamente eu até outro dia preferi não conhecer ninguém do que acabar magoada.

Mas isso é errado.

Isso é entender tudo errado.

Nós seremos destroçados. É verdade, nenhum conhecimento mágico pode te salvar de ser magoado pelo menos umas duas vezes ao ano. Momentos de energia em baixa existem para que nós aprendamos alguma coisa, para que nós nos tornemos pessoas melhores.

Isso não significa que você vai ser objetificada. Quando um cara transa contigo e não lembra nem o seu nome, ou não fala contigo como se você fosse… ALÔ? Algo além da vulva do dia anterior… Aí ele te objetificou. E isso traumatiza mesmo, chuta que você pode chutar e sofrer. É normal ter medo de que isso aconteça de novo, é normal ter efeitos colaterais.

Mas você precisa aceitar que vai ser magoada porque todas as relações humanas se dão entre seres completamente falhos, que amarão com todas as forças e ainda assim terão uma dificuldade imensa de não transbordar e acabarão por ferir alguém quando estiverem sob pressão. Isso não significa que vai ser traída, porque trair é objetificar. Nem significa que ele vai te esconder coisas, jogar o famoso “joguinho”, afinal, isso é objetificar também.

Mas apesar de enxergar a gente como ser humano, nossas sensibilidades, vulnerabilidades e facetas diversas, vai ter o dia do esporro porque você precisa crescer. Precisa gastar menos dinheiro. Precisa se alimentar melhor. Precisa parar de ser tão grossa. Precisa respeitar mais os seres humanos que te cercam. Precisa ser forte. Precisa entender a diferença entre amor e posse. Precisa dar espaço.

Isso tudo gera desconforto, dói, se o cara não for delicado pode até ferir de verdade. Auto-estima é a coisa mais frágil depois do ego, e olha, ambos vão junto no pacote “tocou na minha imperfeição”.

Não vai ser nada anormal, prejudicial ou cruel. Isso é viver, trocar experiências, evoluir com a ajuda do outro e, as vezes, pela dor. Porque se você cismar de chamar de sensibilidade o que é ser uma garota mimada, você vai sofrer o dobro.

Apesar da linha tênue, porque tudo que magoa é colocado no mesmo pacote, ser objetificada é algo bem menos comum de acontecer se você manter o amor próprio como primeiro amor. E eu falo no feminino, mas serve pros homens também. Já vivi de amigos inseguros que sofriam com namoradas que, sinceramente, precisavam falar tudo que falavam. E também já vi os que eram feitos de idiotas e aceitavam, porque achavam que se eles também fizessem a garota de corna, estavam combinados.

Bom, não. Se você entrar pro bonde que objetifica, o karma cobra e você vai acordar sem absolutamente nada um dia. Infelizmente vai descobrir que se você não tiver sua honra e dignidade, você não é ninguém, e nem tem ninguém.

Eu só queria desabafar e dividir comigo mesma aqui nesse lugar que me acompanha há 2 anos que eu não sou perfeita e sou alguém que PRECISA sair da defensiva. Precisa entender que não vai ser objetificada, mas que pode ter medo disso. O que não pode é exigir não ser magoada, e agir como se a mágoa fosse o fim do relacionamento, e não uma prova de que vocês finalmente estão se lapidando e crescendo juntos.

Eu odeio essas séries de drama onde a galera só observa a realidade e critica sem nada além do choque. Eu escrevo para além da exposição. Quero me ajudar.

Então, primeiro eu reli o texto e senti orgulho de abrir mão de ser uma garota mimada para aceitar que mereço mais liberdade do que o medo pode oferecer. E em seguida lembrei do melhor conselho que eu já recebi: “se feche para o que for ruim. seja forte”.

Se a objetificação e a possibilidade de você ser usada te faz mal, deixa o mês passado e todas as dores que vieram com ele lá no passado. Se fecha para toda influência negativa do trauma. Seja forte. Hoje é outro dia, esse é outro cara. Essa é você, mas uma versão muito mais plena e corajosa. Fecha a porta e dá a chave só para os que valerem a pena. Mas para esse grupo aí, você relaxa e tenta – cada dia mais – agir naturalmente. Ou você confia e dá a chave, ou não.

Deu a chave?

Enfrente seus demônios. Cresça. Deixe os efeitos colaterais do trauma no passado. Aqui é amor. Aqui é futuro. Aqui é liberdade.