Não encontro nada desse tipo em lugar nenhum.

Eu só queria dizer que eu sei. Eu sei que uma parte sua ainda me ama, enquanto o resto tenta caminhar diariamente para longe da ideia de nós dois. Eu sei que eu e você perdemos nosso rumo há um tempo. Eu sei que você esteve com outras pessoas, foi feliz e percebeu que tem vida fora da loucura de nós dois. Eu sei. Eu só queria pedir desculpas, dizer que hoje eu acordei com saudade de te fazer sorrir e que apesar dos pesares, eu te entendo. Dói mesmo. É quase impossível se colocar na mesma situação de novo. Ser meu? Ser apaixonado por mim? É difícil. Eu te acho um covarde na maior parte do tempo, tho. Afinal, se eu estivesse do seu lado, diariamente, você jamais seria tão forte. Jamais teria tanta facilidade. Eu te trataria tão bem que você nunca iria embora. Eu sei, a maioria das pessoas acha que se você foi embora ou vai embora é porque falta amor, falta conexão, falta certeza, mas eu discordo. Não te falta amor por mim, te falta fé de que eu e você vamos conseguir juntos. Te falta a certeza cega de que a gente deveria ficar juntos. Não entendo direito o motivo: foi a diversão com outra pessoa? foram os momentos bons sem mim? ou os momentos ruins comigo? Eu não sei. Só sei que não tenho em mim a menor vontade de entender como que algo que transborda em mim falta em você. De novo. Mais uma vez. Perto de você eu sempre preciso ser a mais forte e a mais certa de nós dois. No segundo que eu não sou, você se acovarda e vai embora. Some. Aceita. Desiste.

Eu só queria dizer que eu sei. Você desistiu e não enxerga um caminho de volta. Eu sei que isso tudo vai ser difícil para caralho de lidar. Tem sido quase impossível. Mas eu ainda estou aqui. Então, sinceramente, às vezes me pego pensando: CARALHO, só tenta. Só enxerga. Só cede. Só para de fazer todo dia parecer que é tão difícil me amar.

Sonho acordada.

Sabedoria transforma absolutamente tudo. Seus sentimentos, seus contatos com o mundo exterior e com o mundo interior, suas experiências, seus sonhos. Admito que não sei se a sabedoria transforma a forma como lido comigo mesma ou se conforme transformo a forma como lido comigo mesma me sinto mais sábia. Não é novidade para absolutamente ninguém: sou ansiosa, nervosa, quero tudo na minha hora e é fácil escrever isso, o difícil é aguentar o que eu sou capaz de fazer quando me sinto frustrada nessas situações. Não meço, não me contenho, não aceito. Mas hoje eu tive que aceitar. Hoje, aliás, no último mês inteiro, eu tive que entender que não vou ter o que eu quero quando eu quero só porque eu tenho todas as justificativas na manga, só porque eu sou uma boa menina, só porque eu sou uma mulher com potencial. Tem coisas que transcendem a minha vontade, como, por exemplo, a vontade do outro, o tempo, as necessidades alheias que não posso suprir. Sem pilha. É isso. Acho que o não aceitar envolve criar mentiras tóxicas de insuficiência, de entrelinhas tortas, enquanto, na verdade, a vida é o que é: ele pode até me amar, mas não pode estar comigo agora e qualquer tentativa de não aceitar isso é nocivo para ambos.

Eu queria dizer que nasci consciente e madura o suficiente para não ter que ouvir mil vezes que ele me ama, que ele me quer bem, que ele me quer. Mas não nasci e ouvi tudo isso cinco mil vezes, na singela esperança de que algo aqui dentro se acalmasse, se consolasse. Então, sem mais ou menos, naquele banco, olhando a partir do lugar predileto dele as luzes daquele lugar que hoje é sua nova casa, eu me resignei, mas ainda não era por amor. Ali coloquei os pés no chão por saber que muita coisa me espera em Lyon, por encarar cada dia após aquela conversa como uma chance de reconquista-lo.

E então, após dormir umas horinhas, acordei e fui ler o relato de parto da Isabella. Eu geralmente não me emociono com essas coisas, não me importo, não me conecto – se tem algo que me assusta é o parto normal. Mas eu tenho acompanhado ela desde o casamento com o Gil e eu nunca me senti tão tocada com a forma positiva que eles decidiram encarar cada coisa difícil que surgiu, inclusive a data “pesada” em que ele resolveu vir, e o fato de que o fim da gravidez foi bem difícil.

Eles são o que eu espero para o meu futuro, sabe? Coerência, paz, maturidade, sobriedade, otimismo, confiança e fé na vida, amor em cada ato, em cada etapa do processo.

Eu sei que ele não é assim. A lua em sagitário ajudaria se ele quisesse, mas ele não é assim. Só que eu sou. Eu realmente falo sério quando eu digo que quero ficar mais espiritualizada, quero ser mais calma, quero ser mais sábia. Eu realmente quero ir longe aqui dentro, quero ter mais orgulho de quem eu sou, quero superar meus defeitos, quero ser feliz superando coisas em mim que foram motivo para dor e enxergando com uma perspectiva quase mágica tudo que tem aqui dentro.

Então, de repente, lendo o relato dela e do marido dela eu me senti em paz indo para Lyon. Tudo o que precisa acontecer acontece, o que será, será, independentemente de choro e sofrimento. Ele me ama. Eu o amo mais do que qualquer outra coisa – e isso significa que eu quero vê-lo feliz e bem. Que ele fique bem e possa ter o espaço que precisa para florescer e ser um homem completo. A vida segue, e apesar de não estarmos juntos, eu só tenho amor para oferecer. Se por um acaso ele decidir que não tem mais realmente nada a acrescentar nesse pacote, que seja muitíssimo feliz e que meu coração aceite isso da mesma forma que hoje aceitei ir para Lyon sem a certeza de nós dois.

Que a sabedoria me faça ser cada vez mais coerente com a mulher que eu pretendo ser.

Hey.

Hey, my friend.

Possivelmente você não sabe, mas luas novas são períodos perfeitos para que a gente se alinhe com o universo e a gente se empenhe em não repetir padrões, quebrar antigos hábitos, começar coisas… novas. Como a lua.

Eu já entendi. O passado ficou para trás, e lá ficaram todas as coisas ruins que já aconteceram com a gente, bem como as boas. Você me pediu que eu começasse a deixar as escolhas ruins que você toma caírem só sobre você, e eu juro que isso ainda soa impossível se eu paro para pensar, mas hoje eu só queria te ouvir me dando atenção, querendo estar ativamente na minha vida, me ver – e eu sei, você não está mais apaixonado, mas eu ainda sou uma companhia bem leve e feliz, sabe? Possivelmente você nem se lembra disso, mas eu sei que eu sou. A Luci acabou de passar na entrevista e finalmente, depois de um tempo, ela tem um emprego. Eu chorei aqui. Aliviada, sonhadora por ela, confiante na vida e pensando que tudo se ajusta – é só a gente confiar. Eu queria muito estar lá para abraçá-la, comemorar em um outback e gastar o dinheiro que ela nem ganhou ainda. Mas acima de tudo eu queria dividir isso contigo.

Eu escrevi no texto anterior que eu te entendo completamente sobre não estar mais apaixonado e não querer voltar para aquele namoro de antes. Eu tenho sustentado isso com todas as letras. Eu sou absurdamente boa em te entender quando eu me esforço! E eu também escrevi que tinha medo que nessa situação de vivermos sem a companhia um do outro a gente acabe descobrindo que é melhor assim. Afinal, você nega, mas tem muita dor ali naquele passado. Muita dor de brigas, de sermos insuficientes, de querermos mudar um ao outro. Eu te entendo tanto. Eu também não quero voltar para aqueles padrões todos.

Mas a gente está num ponto diferente da vida, e isso precisa ser dito e pensado. Apesar de ambos nos sentirmos da mesma forma sobre os antigos padrões e as dores do passado, eu ainda adoro sentir que eu te conheço. Eu amo saber como você se sente só de você não falar algo, ou você falar algo entre os dentes, você estar distante. Eu amo saber que você quer minha ajuda, ou quer dividir alguma coisa boa comigo. Eu amo quando você fala comigo mesmo quando aparentemente seria mais fácil não falar. Ah, eu amo como você me escuta sem reclamar, nunca, e como parece que, por você, tudo bem eu ser do jeito que eu sou. Falar mais do que você. Me perder um pouco. Me preocupar demais. E eu amo como você se preocupa comigo. E isso é tudo que eu posso dizer baseada no meu presente. Só que baseada no meu presente tudo que eu queria era que você quisesse me ver quando a oportunidade cai no meu colo, sabe? A minha mãe ofereceu a passagem para eu ir te ver, não à toa, mas sabendo que me faria feliz.

Estamos em lugares diferentes, e tudo bem. Hoje é um daqueles dias em que eu só te mando energias positivas e penso que tudo bem. As coisas vão mudar. Aos poucos, mas vão. A minha cena predileta de um dos filmes mais cafonas é quando o personagem tenta convencer a outra de ir embora e diz algo sobre saber e ter consciência de que será difícil se eles decidirem tentar de novo, mas que é a única coisa que ele tem certeza que quer fazer, porque ele sabe que vai valer a pena. Ela, ele, a história deles.

Você não é assim, eu sei, você não está nesse lugar, mas eu estou. E eu acho que se estivesse no Rio ia estar muito atrás de toda a cura que Lyon me proporcionou. Eu ainda seria muito infeliz, magoada e triste. Desde que você me beijou na minha garagem eu enxergo as coisas de uma forma tão intensa, tão “certa” do que eu quero. Eu quero você, e todos os seus insuportáveis defeitos, porque mesmo que eles sejam insuportáveis, você tem um caráter inquestionável que sempre me deixou tranquila sobre ser apaixonada por você. Mas… escrevo hoje dessa forma mais alinhada porque as coisas mudaram um pouco. Você não tem mais uma coisa essencial que sempre teve: a certeza sobre mim. A vontade de me ter perto só porque eu te faço rir, só porque eu invento uma coisa nova a cada 20 segundos, só porque eu posso te aguentar sem reclamar durante dias a fio – durante meses. Aliás, te aguentar nunca foi uma questão. A gente se dá muito bem, e na verdade eu acho que a mais inquieta e hiperativa sou eu. Só que eu te deixei lá em maio e isso mexeu com você. Com a sua visão de mundo. Com a sua visão de nós.

Tudo bem! Hoje eu só queria que você quisesse que eu fosse passar o fim de semana contigo. Viver o presente. Ver como reagimos a mais do que algumas horas um do lado do outro. Trocar calor, trocar palavras, trocar experiências para além das que eu sinceramente esqueço diariamente porque passado é passado, e não é por causa dele que eu ainda falo contigo e me preocupo tanto com a sua opinião. Só isso.

E por isso eu possivelmente vou te deixar “sofrer as consequências”. Ou seja, vou aceitar que você me quer mais longe do que perto. Vou aceitar que você mudou, e tudo bem.

Cada dia é um ano para quem ama. As coisas se solidificam, as coisas se tornam mais e mais e mais claras.

Desculpe porque eu sinto que eu tenho responsabilidade em você ter mudado tanto. Mas se você tá feliz, que bom. Eu tenho certeza que você vai ser corajoso, e vai se curar de tudo que aconteceu, em breve. Você merece.

Aquela cena me fez pensar.

Nos últimos meses eu tive várias oportunidades de me deparar com mulheres que eu me identifico por motivos negativos. Digo, mulheres inseguras e controladoras que me lembram quem eu costumava ser enquanto estava dentro de um relacionamento.

Eu vejo nelas alguns traços tão familiares. A falta de controle, a dor, o egoísmo, eu já estive lá.

Também vejo familiaridades em seus namorados. Se eu pudesse realmente ajuda-los tanto quanto eu tento, eu seria feliz. Porque no fundo são duas pessoas boas se machucando por estarem feridas, e não terem a menor ideia de como controlar suas emoções e seus pensamentos tóxicos.

Eu só queria dizer que eu entendo completamente porque eu terminei quando me lembro de todo o mal que eu causei a ele durante minhas crises emocionais. Eu sabia que nunca ia conseguir raciocinar namorando, dentro da bolha, e que ele também nunca sentiria que eu mudei ou que as coisas mudaram.

Dói demais, entretanto, não te-lo e, aparentemente, não me sentir necessariamente evoluindo sobre tudo que eu achava que precisava evoluir. É fácil julgar essas meninas, mas será que eu conseguiria ser diferente? Eu tenho atraído todos os tipos de mulheres possíveis. Todos. Já tive todas as conversas possíveis e impossíveis com desconhecidas que viraram amigas, conhecidas que viraram desconhecidas e, enfim, eu tenho ouvido de tudo. O principal foi entender como muitas das meninas mulheres que eu admiro tem características que eu também consigo enxergar em mim – não são apenas as garotas “malucas” que parecem tanto comigo. Mulheres que eu admiro também soam meu reflexo muitas e muitas vezes. Então, aparentemente, tenho esperanças em mim.

Tenho esperanças em não sentir que não mereço o amor dele, ou que não mereço cuidado, atenção, carinho. Tenho esperanças em não sentir que sou insuficiente. Tenho esperanças em não sentir tanta inquietude sobre nós. Tenho esperanças em ser mais altruísta diariamente, e ao mesmo tempo conseguir focar em mim. Conseguir acreditar em mim tanto quanto acredito nas pessoas que eu amo. Conseguir confiar no meu taco.

É difícil principalmente quando ele não quer ser parte desse processo. Se eu concluir qualquer coisa, aparentemente precisa ser porque eu vi, porque eu senti, porque eu cheguei lá – isso tudo sozinha. Eu entendo a lógica, nós somos cem por cento responsáveis por nós mesmos, mas por outro lado eu me pergunto se ele realmente quer ser parte de nós dois um dia. Tendo passado tanto tempo sem nós, quereremos, algum dia, estarmos acompanhados um pelo outro tão intimamente como fomos outrora?

Esses tem sido os meses mais difíceis que eu já vivi na minha vida. Eu sinceramente não sei do que o meu amor por ele se alimenta para continuar vivo. Seriam as raras conversas que geralmente acabam em briga porque eu quero falar de amor, e ele não? Até mesmo que não está mais apaixonado precisei ouvi-lo falar. Duvido que isso me ajude a ama-lo mais. Isso só me irrita, me dói. Não me magoa, de fato, porque eu o amo e eu entendo. Muitas coisas aconteceram. Muitas coisas mudaram – inclusive a paixão dele por mim. Mas enfim, do que o meu amor se alimenta, então? Eu não sei. Penso na forma como ele sempre tenta mostrar que se importa depois que chegamos a algum impasse. Penso na forma como cogitou passar o natal comigo, mesmo que isso com certeza não seja o que ele mais quer, ou o que ele mais aprova. Penso na forma como foi me ver em Amsterdam. Penso.

Sinceramente, irônico que ele pense que eu vivo de passado. Eu sequer lembro de como eram os nossos momentos, digo, eu preciso me esforçar, isso não me vem à mente imediatamente todos os dias. Quando penso nele diariamente eu penso em como é bonitinho que ele tenha feito amigos, e que aparentemente tenha se encaixado no mestrado, e que tudo seja tão denso e ao mesmo tempo o que ele sempre quis estudar. Quando penso nele, a imagem é ele andando de bicicleta por aí. A cara dele no FaceTime. A voz dele mais baixa quando me pediu desculpas naquele dia. Momentos recentes. O áudio dele sobre o flamengo. A ligação no dia pós prova. Eu não acho que o que me mantenha apaixonada seja o que nós dois já fomos… Não. Olhar para ele e sentir que ele me escuta e me leva a sério, isso é o que me faz querer ficar perto. Isso é o que faz com que eu respire fundo e escolha passar por tudo isso com calma e com ele por perto – mesmo que seja tão mais fácil ignorar a pessoa e fingir que ela nunca existiu.

Ps:

Quando você me deixa ficar perto depois de um dia ruim, e tudo que eu sinto é que isso tá certo, que eu tô aonde deveria estar. Isso que alimenta o que eu sinto por você.

Só pra deixar registrado.

Eu só queria ter dito o que ensaiei mil vezes: “eu vou lutar por nós dois até quando der” e o limite é quando eu sentir que estou sozinha no barco. Hoje deu. É incrível. Eu já sabia. Incrível. Parece que me mataram. Com requintes de crueldade. Mas foi só você me falando o obvio. Normal.

5 minutos de paz.

Eu sei que você disse que é ruim ficar presa ao passado, mas eu só queria propor uma coisa: revive um momento comigo por 5 minutos. Vou contar aqui. Cinco minutos.

A gente acordando. Eu do lado de fora da cama, você perto da parede – eu com uma blusa sua e também com samba canção, minha calcinha no chão do quarto, você com uma blusa de pijama e sem cueca, provavelmente. Te abraço e respiro bem pertinho do seu pescoço, sorrio e digo “bundia”, você me abraça e se nega a acordar. De novo. Mais uma vez. Como sempre. Solta um daqueles sons incompreensíveis como se fosse muito fácil de te entender e continua sonhando.

É difícil continuar esse texto porque a gente sabe muito bem o que aconteceria, ou o que você tentaria fazer acontecer. Então, corta. Vamos para o almoço, sozinhos em casa, você fazendo algo que cheira muito bem e eu sentada na mesa te olhando. Sorrindo. Você me beija e a gente discute sobre algo explorando dois pontos de vista diferentes, de novo. Sua barba por fazer, seu óculos meio torto, seu sorriso de lado, a comida ficando pronta e você me pede para colocar a mesa. Pelo menos isso, né?

Eu coloco e você arruma os pratos. Você liga a televisão e eu te olho de canto de olho enquanto como. Aliás, você pergunta o que eu achei e obviamente eu digo que está uma delícia. Mesmo o risoto com gosto de limão, e eu juro que eu realmente gostei. Eu sou fácil de agradar. Eu só quero estar com você comendo algo que não seja frio – coisa que você claramente não se importa, porque come comida fria sem a menor vergonha na cara, já que tem problema com coisa quente. Somos opostos nisso.

E aí, eu sei, a gente vai pro sofá e você me abraça. Eu esqueci como é, mas acho que o adjetivo mais correto é “certo”. Estar nos seus braços era certo. Sentir seu cheiro era certo, não me assustar mais com a sua respiração no meu pescoço era certo, sentir suas mãos fazendo carinho era certo.

Eu lembro de gostar até do contorno do seu corpo, sabe? De passar a mão no seu cabelo e descer pelo seu pescoço, pelo seu braço. De dar as mãos.

Eu não faria isso da mesma forma hoje. Por mais familiar que isso pareça, hoje eu sinto como se as coisas tivessem mudado. Não necessariamente para pior.

Quando te olhei em Amsterdam, eu senti como se você ainda me atraísse, mas a minha vontade de estar perto de você, de tocar em você, fosse mais sobre uma consciência externa e interna de que eu não quero ficar longe nunca mais. A inocência de saber como é ficar longe se foi, sabe? Eu sei como é dormir meses e meses sem você. Sei como é sentir a respiração de outras pessoas perto de mim. Eu nunca fechava os olhos, eu nunca me sentia totalmente em paz. Paz é brigar porque somos humanos e você me abraçar na manhã seguinte depois do technobloco e agradecer. E eu te abraçar de volta e agradecer também. Paz é você me puxar e fazer aquele movimento de não me deixar seguir três passos na sua frente sem receber um abraço antes. Sem saber que está tudo bem. Eu sempre fechava os olhos quando a gente estava juntos. E as vezes olhava, sem acreditar que tinha tanta sorte, mas na maior parte do tempo eu estava de olhos fechados. Fazia parte da mágica.

Você é o cara que pegou o maior número de doenças contagiosas e que eu quis ficar grudada, mesmo MORRENDO de medo de dor, morrendo de medo de coceira, morrendo de medo de tudo.

Eu não tinha medo de nada perto de você. Como eu disse, soava certo. Ficar do seu lado, cuidar de você, ficar quentinha quando você tinha febre, discutir e gritar porque não queria lavar o machucado, chorar porque o filho da puta não sabia nem tirar a linha de um joelho. Eu sei, eu tremia na base, mas eu não tinha medo de dar tudo errado. Você do meu lado podia conseguir absolutamente tudo de mim.

Tudo. Mesmo.
Quando eu fui embora, eu não consigo acreditar hoje como tive forças, mas eu só queria que você se importasse um pouco mais comigo, eu queria acreditar que você tinha superado as mágoas pelas brigas de 2016, pelas brigas em Praga, em Vienna, pelo fato de que a gente brigava. Eu queria que você visse tudo em perspectiva e eu já aprendi que não é bem assim que as coisas acontecem.

Me desculpa, tá?
Eu não vivo no passado desde então, eu só tenho plena consciência de que eu ainda te amo e que apesar de tudo ser completamente diferente hoje, você ainda consegue fazer as coisas serem mágicas se tentar. Porque, para mim, magia é eu e você ainda estarmos apaixonados depois de tudo. Obviamente mais maduros, mais exigentes, mais conscientes, mas… ainda assim, apaixonados.

Eu sei que eu posso quebrar meu coração com essa ideia. Eu sei. Você pode não estar mais apaixonado. Você pode não me amar mais. Isso tudo pode ter sido demais. Eu sei.

Eu sei de tudo.
E tudo bem. Eu vou sobreviver. Eu só preciso tentar até não ter mais chance, sabe? Até os cinco minutos nunca mais serem uma possibilidade. Porque eu nunca desisti de nada que eu amasse. Nunca. E você não vai ser a primeira coisa. Eu prometo.

Se não forem uma possibilidade e eu entender isso, eu aceitar isso, eu realmente vou me afastar do cadáver e lidar com isso. Ressignificar as coisas. Isso eu também prometo.

Afinal, você sabe que eu tenho um temperamento forte e que no fundo eu sou bem mais forte do que pareço. Então, não tenha pena. Nunca. Eu sobreviverei se a gente não existir mais. Eu só não consigo desistir até que isso seja provado.

Eu não sei exatamente o que fazer, mas esse é o ponto.

Eu estou numa batalha interna desde o último texto. Eu realmente acredito que isso é mais um padrão nosso: você reagindo à nós dois e se colocando de prioridade, colocando seus sentimentos em primeiro lugar, como sempre fez. E você prometeu que mudaria, você disse que queria mudar, mas hoje, mesmo solteiro, a realidade continua a mesma.

Eu me sinto meio doente. Sem vontade de sair da cama. Sem vontade de fazer yoga, de preparar meu café da manhã, sem vontade de viver – e isso não tem a ver com a gente não estar juntos. Eu só não consigo me sentir livre. De novo, aqui estou, sofrendo por uma coisa que tentei mudar em você nos últimos cinco anos. Eu só queria que você enxergasse que amar é cuidar de outra pessoa, sabe? É enxergar o que ela precisa e disponibilizar, é se importar.

O seu maior erro comigo foi nunca se importar. E eu ainda assim insisto, ainda assim escrevo sempre que me sinto minimamente mais viva, tentando, de alguma forma, te ajudar a me ler e a me amar. Mas quem disse que você precisa de ajuda com isso? Ninguém.

Eu acho que preciso desistir antes que eu realmente me machuque, mas eu só queria dizer que eu reli minhas coisas e eu te escrevi aqui em maio e em abril. Eu fui transparente, então como que você me diz que não sabia se eu ainda te amava? A verdade é que você nunca veio aqui. Você nunca nem cogitou. E eu não te odeio, eu não desgosto de você, eu entendo… Isso não passa pela sua cabeça. Nunca passou. Eu acho que você cansou um pouco desse meu lado, mas eu acho tão pior quando eu vou até você e te confronto diretamente com o meu amor. Eu prefiro escrever aqui. Eu prefiro demonstrar aqui. Eu prefiro que você venha até a mim quando quiser, e aí descubra o que tiver que descobrir.

A ideia de sangrar e me expor é cansativa. É insuportável. Não adianta. Não tem nada que eu te diga que vai fazer você me pedir desculpas e acordar desse transe, não tem nada que eu diga que vai fazer você se sentir melhor.

Não consigo respirar direito. De novo. Você entende que eu preciso me amar, já que você não quer fazer isso? Você entende que foi por isso que eu terminei? E você entende que você tá optando por me fazer sentir tudo de novo, mesmo quando a parte ativa é sua?

Eu sei. Você fica frustrado porque eu falo de você com a minha psicóloga, e porque minhas amigas me viram sofrer por você, porque provavelmente todo mundo tem uma opinião sobre nós, e isso não tem nada a ver contigo. Você fica frustrado quando eu digo que as pessoas acham que você não me ama, porque tudo que você queria era que eu fosse capaz de não inclui-las.

Eu também. Eu sinto falta de quando éramos só eu e você. Eu também queria mudar a dinâmica, eu também acho que se a gente namorar algum dia de novo vai ser diferente e muito mais nós dois do que tem sido nos últimos tempos. Eu te entendo mais do que você me entende aparentemente.

Mas ainda assim, ainda com toda a frustração e dor, isso não é motivo para você não ser capaz de me abraçar e me pedir desculpas por tudo. Isso não é desculpa para você abrir mão de mim, de nós. Isso não é justo nem contigo, nem comigo.

A vida nunca vai ser perfeita, e nunca vai ser possível reiniciar sem eles, sem a opinião alheia, sem… ninguém. Mas eu só queria te dizer que de repente é isso que você precisa aprender sobre amor. Quando as pessoas veem que um casal se ama, elas se retiram. Elas respeitam a dinâmica, elas sobram, elas não tem espaço. Elas aceitam. Me amar, te amar, é aceitar e respeitar as nossas escolhas.

E eu sei que deveria aceitar as suas escolhas. Sobre desistir. Mas como te apoiar em algo que inclui 100% desistir da gente num momento crucial desses?

No dia em que eu aceitar, o que pode acontecer até o fim dessa semana, porque eu realmente tenho lido tudo que você disse mais de uma vez tentando absorver que o melhor é “esquecer e seguir”, eu só queria dizer que vai ser a coisa mais terrível que você vai ter me feito passar. De longe, a mais dolorosa. De longe, a mais solitária. E com certeza a mais triste.

E eu ainda não me sinto pronta para te perdoar por isso.